Prestes a voltar ao Brasil pela terceira vez, os precursores do Goregrind e do Death Metal Melódico, se preparam para mais um show inesquecível para os brasileiros. No fim deste mês, o Carcass se apresenta no Rio de Janeiro e em São Paulo. Batemos um papo rápido com Bill Steer, guitarrista e fundador da banda. Ele falou sobre a recepção dos brasileiros, futuros planos, a cena do metal no geral, a carreira da banda e outros assuntos.

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Carcass

Em Junho, o Carcass se apresentará no Brasil em um festival com um line up de peso, ao lado do Heaven Shall Burn, Lamb of God e o lendário King Diamond. Essa será apenas a terceira passagem de vocês pelo país. Gostaríamos de saber como eram a expectativa e a impressão que vocês tinham em 2008 e como isso está agora?
Bill: 2008 foi a minha primeira visita ao Brasil, então pessoalmente eu achei toda a experiência muito excitante. As pessoas foram muito acolhedoras e amistosas, e tivemos o mesmo tipo de tratamento na segunda vez também. Já faz tempo que o Carcass aguarda ansiosamente esse retorno ao Brasil. Nós nos sentimos sortudos por recebermos a chance de voltar ao Brasil.

Além das bandas já citadas, haverá ainda a presença da banda brasileira Test, que executa um Grindcore/Death Metal. Hoje em dia, o metal no Brasil tem uma quantidade enorme de bandas. Vocês conhecem ou tem ouvido alguma banda brasileira?
Bill: 
Ultimamente não. Mas eu fiquei afastado por um tempo. A música ainda é a maior paixão da minha vida, mas faz tempo que não encontro coisas que me interessam no metal moderno. Obviamente, ainda nos lembramos de algumas bandas brasileiras mais antigas, como Sarcófago, Mutilator, Attomica, Sepultura antigo e por aí…

O Liberation Festival foi alvo de críticas por parte de alguns fãs devido ao convite de bandas como o Heaven Shall Burn e até do Lamb of God. De uma forma geral, como vocês encaram esse pensamento no metal? Pra vocês isso é normal ou algo que prejudica as bandas?
Bill: 
Eu tenho sentimentos confusos sobre esse tipo de reação. Por um lado, faz todo sentido, pois os estilos das bandas são um pouco diferentes. Mas por outro, eu realmente não sou a favor de criar essas divisões e olhar para a música simplesmente em categorias limitadas.

Seus últimos três álbuns costumam dividir as opiniões dos fãs. Uma parte não gosta muito do rumo que a banda tomou e uma outra parte passou a prestar mais atenção à banda após o Heartwork. Como vocês encaram essa divergência de opiniões entre os fãs?
Bill: 
Nós apenas nos concentramos no que queremos fazer. Quando uma banda tem uma carreira de certa duração, é inevitável que algumas pessoas prefiram uma época à outra. É sempre interessante ouvir a opinião das pessoas, mas você não pode deixar um estranho ditar como você deve levar sua banda.

Em 2017, o Surgical Steel completa quatro anos desde seu lançamento. Há planos para um novo trabalho?
Bill: 
Sim, existem, mas ainda estamos nos estágios iniciais. Nos últimos anos ficamos envolvidos em turnês e festivais, então tivemos poucas oportunidades de trabalhar em novos materiais. Eu tenho algumas melodias guardadas de 2015, e agora Jeff, Dan e eu estamos empenhados em levar a coisa adiante. Porém, não sei quanto tempo levará. Não podemos apressar isso.

Ainda falando sobre o último álbum, foi uma das últimas grandes surpresas do metal mundial, pois acabou com um silêncio de treze anos da banda sem nenhum lançamento inédito. É um trabalho que recebeu críticas muito boas. Vocês acreditam que seguiriam na mesma linha, caso um novo material apareça?
Bill: 
A resposta para essa pergunta é sim e não. “Sim” no sentido de que criamos nossas músicas da maneira como sempre fizemos, é um processo colaborativo que é muito natural para nós. “Não” no sentido de que não temos o desejo de fazer o mesmo álbum pela segunda vez. Nós queremos trazer algo novo à mesa.

Vocês ainda mantém contato com o Ken? Acompanham seu projeto eletrônico?
Bill: 
Sim, nós mantemos contato o tempo todo. Eu fui visitá-lo recentemente e ele está muito bem. Até onde eu sei, ele gravou quatro álbuns de música eletrônica e eu ouvi todos eles, exceto o mais recente.

Para os fãs, um show com Carcass, Testament e Slayer com certeza é inesquecível. E para vocês, como foi essa turnê?
Bill: 
Foi ótimo para nós. Slayer e sua equipe nos trataram impecavelmente, e seu público foi bom para nós também. Conhecemos alguns dos caras do Testament há muito tempo, então também foi legal tocar com eles.

Jeff Walker quebrou o pé esquerdo na reta final dessa turnê. Como foi o acidente? Isso atrapalhou muito os últimos shows?
Bill: 
Nosso ônibus estava mal estacionado em um local muito escuro onde o chão era traiçoeiro. Ele saiu do andar de baixo com dificuldade e quebrou o pé em vários lugares. O resto da turnê foi muito desconfortável para ele, desnecessário dizer, mas ele passou por isso sem reclamar muito.

Algumas bandas gostam de realizar turnês comemorativas em aniversários de álbuns importantes. No ano que vem, o Reek of Putrefaction completa 30 anos. Vocês estão planejando algo especial? Talvez como um show tocando o álbum na íntegra?
Bill: 
Uma outra pessoa mencionou isso ontem. Eu devo admitir que ainda não havia pensado nisso. Talvez Jeff pense mais nisso do que eu, mas eu não consigo ver como poderíamos tocar o álbum inteiro ao vivo. Muitos daqueles riffs são inaudíveis no álbum, tentar recuperá-los agora seria quase como arqueologia.

Muito obrigado pelo tempo cedido. Foi uma honra conversar com você. Fique à vontade, caso queira enviar uma mensagem aos fãs brasileiros.
Bill: 
Obrigado, Brasil, por nos permitir voltar. Esperamos ansiosamente por esse show.