Qualquer pessoa iniciada no Metal sabe o que sentir quando ouve o nome Morbid Angel. Qualquer um iniciado no Metal extremo sabe o que sentir ao ouvir David Vincent. E este é o último trabalho dessa banda que ficou marcada como um dos inventores do Death Metal, e tendo de volta após muito tempo seu grande Ãcone, o baixista/vocalista citado. Isso obviamente gerou uma grande expectativa em torno desse álbum. Pois bem, aqui vale a pergunta: qual era exatamente sua expectativa? Quanto e de quão perto você acompanhou a carreira deles através dos anos? Talvez a fonte de todas as reações para com este álbum esteja na resposta dessas perguntas. Explico: se vc acompanha a banda, deve ter percebido que já a um bom tempo o Morbid deixou de fazer aquele Death Metal cru. Seus álbuns, aos poucos, foram se tornando cada vez mais experimentais, trazendo faixas que sempre soaram “estranhas†a primeira audição. Inevitável. Se você os conheceu desde os tempos do Altars, é inevitável não achar estranho algo que não seja brutalidade pura e técnica. Porém, como citei e qualquer um que conhece o trabalho deles sabe, a cada novo álbum, algumas novas surpresas. Logo, será que apenas a volta de David para a banda seria suficiente para essa postura se modificar?
Logo na faixa intro percebemos que a essência continua ali: mais uma faixa com aqueles medonhos teclados pseudo épicos que eles tanto gostam. Ok, até aqui a banda soa como esperamos. Na segunda faixa, o temor de todos os “trues†começa a dar as caras: Too Extreme! não tem nada de Death Metal, nem de extremo, como o nome sugere. Pelo contrário, flerta claramente com o Industrial, porém ainda muito pesado. As duas faixas seguintes aplacam um pouco a fúria dos mais tradicionais que já deveriam estar sentindo vontade de arremessar o CD pela janela. Existo Vulgoru e Blades for Baal trazem um Death Metal direto, bem construÃdo e executado. I Am Morbid e More Dead já soam mais como um “filhote de Panteraâ€, com riffs pesados, diretos, porém em músicas bem cadenciadas e que podem até ser consideradas lentas, em se tratando de Morbid. A segunda acaba virando um belo Death em sua segunda metade, retornando ao tema inicial depois. Porém, talvez aqui resida um dos melhores momentos do álbum. AÃ, adentramos a parte do trabalho que acredito tenha deixado uma interrogação gigantesca na cabeça de qualquer um que o ouviu pela primeira vez: que diabos eles quiseram com a faixa Destructos Vs. The Earth – Attack ?! Se David cantasse essa faixa de uma forma um pouco mais limpa, e alguém colocasse a mesma como um bônus de um álbum do Rammstein, ninguém perceberia que não eram eles executando. Industrial, nu e cru. E, sinceramente? Do caralho! Uma baita música! Absurdamente estranha, mas uma baita música! Ela ainda traz uma surpresinha em seu final, acredito que para alguns pararem de os xingar! (rs) Nevermore e Beauty Meets Beast voltam ao básico: cru, direto, rápido e técnico. Radikult já começa causando calafrios. E continua assim. Mais um momento industrial, extremamente pesado e estranho para ouvidos “truesâ€. Mais uma grande faixa, onde David aparece bastante, com passagens bem nÃtidas de baixo. Profundis - Mea Culpa retorna a faixa intro de forma pesada e encerra bem este trabalho.
Confesso que tive que ouvir duas vezes seguidas esse álbum para que o mesmo fizesse algum sentido para mim. Porém, na segunda audição, “lembrei†que estava ouvindo Morbid Angel, e que este, como abri o texto dizendo, sempre mostra sua total falta de medo em testar. E, nessa ótica, entendendo os porques que os levaram a esse resultado final, passei a achar esse álbum fantástico. Acabei por ouvi-lo uma terceira vez seguida, e aà sim curtindo e aproveitando cada música como ela deveria ser. Se você ainda vive na década de 90, e espera que o Morbid repita o Altars, pelo visto morrerá frustrado. Porém, se você evoluiu junto com a banda, deve estar com o mesmo sentimento que eu: que os caras se reinventaram de uma forma gigantesca, chocaram a todos com essa evolução, e continuam sendo um Ãcone. Sem medo de arriscar. E acertar. Por mais que esse acerto precise de uma segunda ouvida para descer como deve.

Nota: 9
Tracklist:
01. Omni Potens
02. Too Extreme!
03. Existo Vulgoré
04. Blades for Baal
05. I Am Morbid
06. 10 More Dead
07. Destructos Vs. the Earth / Attack
08. Nevermore
09. Beauty Meets Beast
10. Radikult
11. Profundis - Mea Culpa
** O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Portal do Inferno Webzine ou de seus editores.








Comentários
VIDA LONGA AO PORTAL.
E SIM O NOME MORBID SIGNIFCA UMA UNICA PALAVRA. (Trey Azagthoth )
0 ROBERT CLEMENTINO 25-08-2011 00:41 #1