Uma das notícias mais tristes das últimas semanas foram os incêndios na Amazônia e no Pantanal. Isso tudo ainda contou com a negligência do governo brasileiro, que diminuiu a fiscalização nessas regiões.

Capa do Death Atlas, de 2019, da banda Cattle Decapitation. Imagem: Divulgação.

Infelizmente, a prática de desmatamento do meio ambiente não é de hoje. Há vários séculos, há a substituição do ‘verde’ pelo ‘cinza’. Poluição de rios, extinção de espécies de animais, chacinas de tribos e culturas nativas em nome do lucro. O capitalismo mostrando que sempre vence, gostando ou não.

As cenas que aparecem na TV e na Internet chocam a todos. Animais fugindo desesperadamente, tratores destruindo árvores e gananciosos matando populações locais em busca do ouro. Sem se preocupar com a Justiça ou a própria reputação. O mais importante é o seu empreendimento, doa a quem doer.

Os recursos no Planeta Terra estão ficando cada vez mais escassos e quase nada vem sendo feito para que isso melhore. Cada vez mais, o ar fica mais poluído e a água mais suja. Ou a humanidade dá um freio nessa destruição ou nossos descendentes sofrerão consequências graves.

Há muitos protestando contra os crimes ambientais! O Heavy Metal, claro, também serviu como ponte para que alguns grupos mostrassem seu descontentamento com o desmatamento do meio ambiente.

Visando expor que há bandas que já fizeram críticas, em algum momento, sobre os danos ecológicos, o Portal do Inferno, separou abaixo letras que focam nesse tema.

Confira:

1 – Ratos de Porão:  Amazonia Never More

O quarto álbum dos Ratos de Porão, “Brasil“, é de 1989, mas, infelizmente está sendo cada vez mais atual. Nada mudou. Na capa, se encontra vários elementos que fazem parte do nosso cotidiano e do nosso governo.

O disco começa com a “Amazonia Never More“. Há uma crítica feroz a destruição que os colonizadores europeus, e por consequência a elite que se estabeleceu aqui, vieram e vem fazendo. Sem se preocupar com a maior floresta tropical do mundo e ‘pulmão’ para uma boa parte da população.

“Morte para quem defende os verdes e os animais. Doença, miséria, queimada devastação…

Cuidado senão Amazônia nunca mais!!!”

2 – Sepultura: Biotech Godzilla

Um dos melhores álbuns do Sepultura, “Chaos A.D.“, é praticamente todo voltado às questões sociais. O meio ambiente não poderia ficar de fora. Lançado em 1993, ainda ecoava a Rio-92 (evento organizado pela ONU para debater os problemas ambientais do planeta) e os compromissos firmados pelos chefes de estado, com o intuito de evitar danos ecológicos.

A música dos mineiros mostrava dúvidas em relação ao cumprimento dessas ações, pois, as grandes empresas ainda usam biotecnologia para lucrar cada vez mais, sem se importar com danos ambientes. Os brasileiros ainda enfatizaram que o problema não é a biotecnologia, mas para que fim é usado.

3 – Miasthenia: Onde Sangram Pagãs Memórias

O Miasthenia chama a atenção por ser uma banda brasileira que faz um som único e próprio: um Black metal melódico com vocal feminino e letras em português. O grupo que vem da capital federal aborda um tema interessante e sobre um ponto de vista incomum: o lado dos povos indígenas ao se depararem com a invasão europeia.

As letras relatam fatos e lendas sobre o período de exploração e colonização que os ameríndios passaram na mão dos europeus.

Embora, o foco deles não seja a preservação do meio-ambiente, há momentos em que mostram o início da exploração europeia e por consequência a destruição de povos e de floresta, em busca de riqueza material. O início da devastação de um continente. Um exemplo é a música Onde Sangram Pagãs Memórias.

Há uma abordagem psicológica em relação aos povos que tiveram que se defender de uma guerra que não estavam preparados e ficaram apenas as memórias de sua tribo. E isso segue em 2020, infelizmente.

4 – Cólera: Bombeiros

Ok, o Cólera não é heavy metal. É punk. Mas tem proximidade com o Metal e por isso abrimos essa exceção. A abertura do álbum, “Verde, Não Devaste” (1989), é um desabafo da ‘Mãe Natureza’ reclamando da presença dos humanos, que só destroem a Terra.

“Você viu nossas sombras sumirem.

Água e ar, vítimas de contaminação química

Você viu armas feitas com pedaços de nossos corpos

Você viu sua pele irmã a preço promocional na vitrine

Eles, não viram nada além do lucro. ”

5 – A.N.I.M.A.L: Solo por ser índios

A banda argentina mais consagrada no Heavy Metal se notabilizou por fazer músicas criticando ferozmente a colonização europeia na América do Sul e o extermínio dos povos indígenas.

No segundo álbum dos portenhos, Fin de un mundo enfermo (1994), a primeira música é: Solo por ser índios. A letra aborda o quão terrível foi a chacina europeia no Novo Mundo e tudo por conta da ganância e claro, com a autorização de Deus.

‘O dinheiro queima em suas almas e o ar inala a vingança’

6 – Cattle Decapitation: We are horrible people

O Cattle Decapitation chamou a atenção por ser uma banda que luta em prol dos animais. Os californianos mostram em suas músicas todo o ódio que tem pelo assassinato cruel de animais, apenas para satisfazer os prazeres do ser humano.

Embora, o assunto entre ser ou não ser vegetariano ainda gere muita polêmica e controvérsia, é inegável que a indústria da carne tem transformado a Terra em um grande pasto para seus inúmeros bois, que acabam se tornando seu lucro. Isso, por consequência, prejudica todo o ecossistema.

A canção do quarteto que foca mais nesse aspecto é ‘We are horrible people’, onde, em um death/grind bem pesado, critica a tal inteligência humana e que ela serve apenas para destruir o habitat e usá-lo como bem próprio, sem se preocupar com os animais e o meio ambiente.

7 – Nuclear Assault: Critical Mass

O terceiro álbum do Nuclear Assault, já mostra na capa e no título sobre o que irá tratar. O nome é ‘Handle with Care’ (manuseie com cuidado) e a imagem aparece o escrito como carimbo sob o Planeta Terra. A segunda canção do disco lançado em 1989, Critical Mass, possui uma letra atemporal. Derramamento de óleo, resíduos atômicos, gás venenoso e florestas destruídas, são citadas na música e ainda são fatos presentes no nosso cotidiano. Danos ambientais e nada (ou quase) acontece com os responsáveis. Quem sofre não são apenas a flora e os animais: os seres humanos também.

8 – Brutal Truth: Afterworld

A extinta banda de grind, Brutal Truth, nos anos 90 já levantava questões sociais e ambientais. Trazia temas pouco explorados pelos grupos daquele período, como a homofobia, por exemplo.

Como toda boa banda deste movimento, os estadunidenses nunca tiveram receio em ‘meter o dedo na ferida’ da sociedade. Religiões, capitalismo e políticos nunca escaparam de suas críticas.

A destruição do meio-ambiente foi tema na música Afterworld lançada no álbum Evolution Through Revolution (2009).

A ‘porradaria’ fala o quão as grandes corporações estão dispostas a destruir o meio-ambiente, em busca de riqueza financeira. Uma boa economia, em um planeta destruído.

9 – Kreator: Toxic Trace

Uma das lendas do thrash metal alemão, o Kreator não poderia ficar de fora de uma lista sobre som pesado e problemas sociais. Em seu terceiro álbum, Terrible Certainty (1987), há a música Toxic Trace. O foco deste clássico é nos produtos químicos que fazem mal a população, mas mesmo assim é usado e gera lucro para as empresas. Ao que parece, a população não se preocupa com os malefícios, como por exemplo: a poluição do ar. Tudo em nome do lucro.

10 – Ratos de Porão: Poluição Atômica

Começamos e terminamos com os paulistanos do R.D.P.  Em seu primeiro álbum, Crucificados pelo Sistema, há a música: Poluição Atômica. Em menos de um minuto, o quarteto mostra o quão incoerente são as empresas poluírem o ar, sendo que precisamos dele para respirar.

Colaborou: Guilherme Santos

Leonardo Cantarelli

Headbanger, jornalista formado, autor de 2 livros e mesatenista!

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