Bangers Open Air. Foto: Leandro Pena.

O Bangers Open Air teve a sua quarta edição (contando as duas primeiras sob o nome Summer Breeze Brasil) realizada nos dias 25 e 26 de abril, no Memorial da América Latina em São Paulo. Já consolidado, podemos dizer que se trata, sem dúvida, do maior festival de hard rock / metal da América Latina. A presença de headbangers de outros países é realidade. Era possível ver bandeiras do Uruguai, Chile e até da Guatemala durante os shows.

Durante os dois dias desta quarta edição, 43 bandas passaram por quatro palcos espalhados pelo Memorial da América Latina em São Paulo, algumas mais conhecidas do público (e até do próprio festival, estando em edições anteriores) e outras aportando pela primeira vez por aqui. Tivemos retornos, reuniões e despedidas, mas com certeza muita alegria, suor (30 graus de média nos dois dias) e emoção para os headbangers durante as quase 24 horas somadas de música rolando no Memorial.

Como nem tudo é perfeito e tanto imprevistos como problemas de saúde podem ocorrer, algumas bandas tiveram suas apresentações canceladas – casos de Cobra Spell, Eluveitie – além do Twisted Sister, que seria o headliner do 1° dia, e o Fear Factory, que declinou às vésperas do festival, ambas por problemas de saúde. Mas “o show deve continuar”, e assim foi. A seguir, um resumo do que ocorreu no primeiro dia de festival.

1° dia – 25 de abril de 2026 (sábado)

A expectativa era grande do lado de fora do Memorial e em seus arredores, e aumentou ainda mais, devido a um atraso relatado pelo público na abertura dos portões, que deveria ocorrer às 11h – e porque, uma hora depois, as apresentações começariam a ocorrer.

Duas grandes bandas, com a formação recentemente reformulada, foram escolhidas para abrir o festival: no Ice Stage, Korzus, e no Sun Stage, Lucifer.

Lucifer. Foto: Leandro Pena.

O calor era absurdo às 12h do sábado, e nesse clima, no Sun Stage, a Lucifer, liderada por Johanna Platow, subiu ao palco. Com seu occult rock e um pé nos anos 1970, a banda  deu início ao ritual com Anubis. Com sua atmosfera e linhas vocais que lembram o Black Sabbath, principalmente em seu “Vol. 4”, a canção foi uma grata surpresa. Por se tratar de um single lançado antes do primeiro álbum, poucos pareciam conhecer, mas com os primeiros acordes de Crucifix (I Burn for You) a plateia acordou.

Com uma formação renovada após a saída de todos os membros que estiveram aqui em sua apresentação anterior, Johanna teve o apoio de Claudia González Díaz no baixo, Kevin Kuhn na bateria, Coralie Baier e Max Ericsson nas guitarras (este último substituindo Rosalie Cunningham). Músicas como Slow Dance in a Crypt e The Dead Don’t Speak, do “Lucifer V”, hipnotizaram a audiência, enquanto California Son, Bring Me His Head e a derradeira Fallen Angel levaram-na ao êxtase, demonstrando que o festival começou muito bem.

Korzus. Foto: Leandro Pena.

No mesmo horário, o Korzus entrou com a faca nos dentes no Ice Stage. Por toda a sua história representando o metal nacional, nada mais justo do que tocar nesse palco de destaque. Era o segundo show com a nova formação, com os guitarristas Jessica Falchi e Jean Patton, que mostraram um entrosamento e feeling incríveis com seus colegas de palco Pompeu (voz), Dick Siebert (baixo) e Rodrigo (bateria). Não apenas com o primeiro single desta formação, No Light Within, mas também em músicas como Guilty Silence, Discipline of Hate, e com uma precisão cirúrgica nos solos de clássicos como Agony e Victims of Progress, do álbum “Mass Illusion”.

Evergrey. Foto: Leandro Pena.

Com mais de 30°C às 13h, os suecos do Evergrey entraram no Hot Stage, e era perceptível o desconforto por conta do calor no rosto do guitarrista/vocalista Tom S. Englund. Mesmo assim, a banda executou de forma competente sua apresentação, iniciando com Falling from the Sun e encerrando com OXYGEN!, sugestivas para a ocasião. Apresentando o novo guitarrista, Stephen Platt, King of Errors, Weightless e músicas do novo álbum, “Architects of the New Weave” (a ser lançado em junho), como a canção-título, Leaving the Emptiness e The World Is on Fire, foram apresentadas no festival.

Violator. Foto: Leandro Pena

O Violator manteve acesa a chama do underground com seu thrash metal politizado e sem firulas no Sun Stage. O mosh pit rolou solto durante a execução de False Messiah, Endless Tyrannies, Respect Existence or Expect Resistance e Atomic Nightmare entre outras, em um set-list que abrangeu os três álbuns da carreira dos brasilienses.

Feuerschwanz. Foto: Leandro Pena.

Substituindo o Fear Factory, a banda alemã de medieval folk Feuerschwanz, que se apresentaria no Sun Stage um pouco mais tarde, foi escalada para o Ice Stage. Com malhas, couro, pinturas de guerra e armas, como verdadeiros guerreiros, encararam o calor paulistano e aqueceram a plateia com seu folk bem humorado, desde a entrada das dançarinas – ou “shieldmaids” (donzelas guerreiras), como são denominadas em suas biografias – Hela e Yennefer com bandeiras do Brasil. A banda era até pouco tempo desconhecida para este que vos escreve, mas com treze álbuns lançados, havia no Memorial muitos fãs que dançaram, cantaram e pogaram com as canções executadas por Hauptmann (voz, guitarra acústica), Ben Metzner (voz, gaita de foles, flauta) Johana (violino), Hans (guitarra), Jarne (baixo) e Rollo (bateria), com destaque para Name der Rose, Ultima Nocte (com direito a wall of death), o cover Dragostea din tei (que outrora virou Festa no Apê em uma versão brasileira) e Das Elfte Gebot, que encerrou a apresentação.

Jinjer. Foto: Leandro Pena.

A ucraniana Jinjer veio a seguir. Com uma apresentação eficaz e hipnótica, o quarteto fez uma das melhores apresentações do 1° dia. Vale destacar a presença de palco de Tatiana Shmailyuk, performática a cada canção, com um figurino que nos remetia aos cabarés de outrora, e uma precisão vocal que vai do angelical ao gutural em uma fração de segundos! Junto aos seus colegas de palco Eugene Abdiukhanov (baixo), Roman Ibramkhalilov (guitarra) e Vlad Ulasevich (bateria), cantou Duél, Green Serpent, Teacher, Teacher! e Pisces para citar algumas do catálogo que foram executadas no sábado.

Torture Squad. Foto: Leandro Pena.

O Torture Squad foi confirmado há menos de uma semana para o festival (na mudança de line-up e cronograma que envolveu Fear Factory e Feuerschwanz). Mayara, Amilcar, Castor e Rene fizeram, como de costume, uma apresentação irrepreensível e com um set calcado nos clássicos da banda, com os petardos Living for the Kill, Pandemonium, Murder of a God, Abduction Was the Case, Chaos Corporation e Horror and Torture, que mantiveram o nível do Sun Stage após a apresentação do Violator.

Killswitch Engage. Foto: Leandro Pena.

Killswitch Engage foi a próxima banda a subir no Ice Stage. O quarteto de metalcore estadunidense, liderado por Jesse Leach, executou um set focado no álbum “As Daylight Dies” e no mais recente, “This Consequence”, de 2025. Rolaram também The End of Heartache, In Due Time, Fixation on the Darkness, My Last Serenade, e o encerramento, como tem sido de praxe, contou com o cover Holy Diver, clássico do Dio.

Crypta. Foto: Leandro Pena.

A próxima banda nacional a se apresentar no Sun Stage foi a Crypta. Novamente um quarteto, com a recém-chegada guitarrista Victoria Villarreal se juntando a Fernanda Lira (baixo, voz), Luana Dametto (bateria) e Tainá Bergamaschi (guitarra), as meninas apresentaram músicas de seus dois álbuns até então lançados, “Echoes of the Soul” e “Shades of Sorrow”, com destaque para Death Arcana, The Other Side of Anger, Lord of Ruins e From the Ashes.

Black Label Society. Foto: Leandro Pena.

Já era de noite, e um dos shows mais aguardados do 1° dia, sem dúvida, era do Black Label Society. E não era ao a plateia que queria assistir Zakk Wylde e Cia.: à frente do palco, foi possível ver membros da banda Lucifer e até Paulo Jr. (Sepultura) acompanhando canções de álbuns clássicos como “The Blessed Hellride” e “Mafia”, ou mais recentes, casos de “Doom Crew Inc.” e do recém-lançado “Engines of Demolition” – este último, com a balada Ozzy’s Song, justa homenagem para o Madman, falecido ano passado. Também foi executada a versão do BLS para No More Tears a partir do solo de guitarra. Outros destaques foram Funeral Bell, Suicide Messiah e Stillborn.  

In Flames. Foto: Leandro Pena.

O In Flames fez um show burocrático no Ice Stage. Mesmo com os músicos se empenhando no palco (principalmente o guitarrista Chris Broderick, que jápassou por Megadeth e Nevermore), a apresentação não esteve à altura de outras que rolaram durante o dia, mas quem estava lá para ver (ironicamente falando, visto que a luz de palco dos caras é mínima) e ouvir os suecos pioneiros do death melódico executarem Pinball Map e Only for the Weak, do álbum “Clayman”, de 2000, ou as mais recentes The Great Deceiver, Meet Your Maker (do “Foregone”) e I Am Above (“I, the Mask”), saiu satisfeito.

Tankard. Foto: Leandro Pena.

O show do Tankard sempre é animado. Gerre (voz) e Frank (baixo) não param de agitar e se movimentar no palco. Com esta premissa, The Morning After, Rapid Fire, Die With a Beer in Your Hand, A Girl Called Cerveza e os clássicos Zombie Attack e (Empty) Tankard agitaram os thrashers no Sun Stage.

ARCH ENEMY
Arch Enemy. Foto: Leandro Pena.

Era chegada a hora da grande atração do sábado. Um tecido gigante, com a frase “Pure fucking metal”, se encontrava à frente do Hot Stage, com luzes vermelhas atrás, dando a atmosfera do que estava por vir. E pontualmente às 20h40, o Arch Enemy entra em cena com Yesterday Is Dead and Gone. Este era o cartão de visita – ou batismo de sangue – para Lauren Hart que, após muitas especulações, que até envolviam um provável retorno de Angela Gossow, foi confirmada como a nova voz da banda, que conta com o guitarrista e membro fundador Michael Amott, Daniel Erlandsson na bateria, Sharlee D’Angelo no baixo e Joey Concepcion na segunda guitarra. A sequência inicial, avassaladora, ainda contou com The World Is Yours e a clássica Ravenous, uma após a outra, sem tempo para respirar.

Guitarras cortantes e solos ensurdecedores foram a tônica da apresentação dos suecos durante o setlist avassalador e sem firulas. No momento em que houve uma pausa, Lauren veio à frente do palco para conversar com a plateia, mas quase não conseguiu após os presentes, em uníssono, repetirem diversas vezes seu nome. Visivelmente emocionada com a receptividade do público, a cantora agradeceu pelo apoio que recebeu desde sua efetivação na banda, que na sequência executou a primeira canção da “Era Lauren”, o single To the Last Breath, com o refrão cantado a plenos pulmões pela audiência.

Arch Enemy. Foto: Leandro Pena.

Foi interessante ouvir a interpretação de Lauren para canções da fase inicial da banda, com o cantor Johan Liiva (como Bury Me an Angel) da Era Angela Gossow (My Apocalypse, I am Legend e No Gods, No Masters), ou da fase Alissa White-Gluz (como The World Is Yours, do álbum “Will to Power”, e Dream Stealer, do “Blood Dynasty”). Em meio a suor e chamas, Snow Bound e Nemesis deram números finais a essa apresentação dos suecos em solo brasileiro, comprovando que Lauren Hart foi a escolha perfeita como frontwoman, e deixando uma expectativa enorme para o segundo dia de festival.

EM BREVE: GALERIA DE FOTOS DO BANGERS OPEN AIR

Agradecimentos à produção do Bangers Open Air e à Agencia Taga.