E aconteceu, um dos maiores expoentes do cenário Post Black Metal finalmente tocou no Brasil, no dia 10 de julho do ano de 2016, o Deafheaven debutou nos palcos Brasileiros e nos trouxe um incrível e indescritível show, mesmo assim, tentarei descrever tudo que aconteceu.

Ao chegar na Clash Club, na Barra Funda, já via uma fila se formando do lado de fora e no bar ao lado, tive a chance de conversar com o pessoal do E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, que foram super simpáticos não somente comigo, mas como todos que os abordavam e ali mesmo no bar, antes do show, essa banda foi entrevistada e pude acompanhar o quão simpáticos são os integrantes e até mesmo entender o porquê do nome e outras coisas, legal ver que o Undergound conta com esse pessoal que corre atrás e o movimenta.

O público ia chegando e eu comecei a ter a impressão de que o evento contaria com um expressivo número de fãs, no que, em meu ponto, seria um show “sold out”, mas depois de um tempo, todos aqueles que iriam testemunhar essa noite já estavam presentes, sendo um número pouco expressivo, mas diria que deixou a casa com uma lotação confortável, pois conseguisse ver o show de qualquer ponto e viesse com conforto.

Infelizmente perdi o show do Nvblado, esperando conhecidos chegarem, enfim, coisas da vida, mas conversei com os fãs locais e eles me passaram que a banda fez uma incrível apresentação, o som que escapava pela Clash Club, soava como um Drone carregado de peso e melancolia, bem interessante.

E A Terra Nunca Me Pareceu tão Distante sobe logo depois ao palco, com o seu som instrumental e muito bem tocado e composto, adorei ver a banda em ação, músicas interessantes, bem compostas e eles tem uma bela presença em seu palco, parabéns, belo show e espero que consiga vê-los mais uma vez, pode ser aqui no Rio ou mesmo em São Paulo.

deafheaven-2016-edifortini4
Foto por: Edi Fortini

Depois de alguns momentos, algumas músicas, umas falhas no som, que vieram me assustar, já que, minha experiência com o Anathema naquela casa não foi nada positiva, o Deafheaven começa a subir no palco, com Kerry McCoy e Shiv Mehra (guitarras), Stephen Clark (baixo) e Daniel Tracy (bateria) e os ânimos do pessoal começam a crescer, mas tudo vem abaixo quando o simpático George Clarke (vocalista) sobe ao palco e anuncia Brought To The Water e assim se inicia o show, com um belo som do disco mais novo New Bermuda, disco esse que foi tocado em sua essência pela banda e muito bem recepcionado por todos. A música é um misto de agressividade e melancolia incrível e a parede de som criada pela banda é algo assustador, nesse início tive a exata noção que iria ter uma experiência completamente diferente da casa e do evento, já que conseguisse ouvir TUDO que vinha do palco, exatamente tudo com clareza.

Logo após vem Luna e nela temos algumas influências claras de bandas clássicas do Metal e o mais incrível é isso, em estúdio você não consegue perceber essas influências, mas ao vivo, fica clara todas as influências do Deafheaven em criar essas maravilhosas melodias. Baby Blue, Come Back e Gifts to the Earth são reproduzidas e sempre muito bem recebidas pelo público e agora vinha a dúvida, será que a banda ia seguir com o set list que eles vinham executando ou teríamos alguma surpresa? Infelizmente sim, eles seguiram exatamente com o set que a banda vem executando, mas somente com a mudança na ordem de execução, no retorno para o bis, Sunbather foi entoada pela banda e assim voltamos com aquela parede de som inacreditável e perfeita que a banda produz e pra fechar o show, uma das músicas mais aclamadas da banda, Dream House, também do incrível disco Sunbather.

deafheaven-2016-edifortini30
Foto por: Edi Fortini

Umas considerações, sobre a banda em palco, o que os instrumentistas tem de parados, o vocalista George Clarke tem de entrega ao público que ali está para vê-lo arregaçando e não entenda errado, ele realmente destrói quando está em palco, sua voz é perfeita e a energia e comunicação com o público é incrível, tanto que, ao começar o show, eu já tinha ideia que ele iria “pra galera” e em Sunbather o mesmo não aguentou e se arremessou em público, causando uma comoção geral e no final do show, tínhamos tantos fãs no palco que, isso me remetia a um daqueles clássicos shows de Hardcore, mas lindo o momento, fãs e banda se divertindo juntos.

Parabéns à Monkeybuzz pela coragem de trazer o Deafhevaen ao Brasil, foi um show sensacional e espero que eles retornem com um show mais variado, pois ainda ficaram devendo Violet.

Clique aqui, para conferir todas as fotos feita pela Edi Fortini

Segue abaixo o vídeo feito por Rodolfo Yuzo do início do show.

Augusto Hunter

TI, Headbanger e Redator desse estimado Portal.