Impressionante. Talvez esta única palavra seja suficiente para descrever o show do DevilDriver no último sábado (13/8), no Carioca Club. Mas fazer um review de uma única palavra não agradaria ninguém (nem a mim), então vamos aos fatos. Esta foi a primeira vez que a banda de Dez Fafara, ex-Coal Chamber, tocou no Brasil. Relativamente nova, com oito anos de estrada e cinco álbuns lançados, o DevilDriver – formado por Dez (vocal), Mike Spreitzer (guitarra), Jeff Kendrick (guitarra), John Boecklin (bateria) e Aaron “Bubble” Patrick (baixo – músico de apoio para a turnê) – já tem muita história para contar e mobilizou uma pequena multidão de fãs enlouquecidos.

A abertura da noite ficou por conta da This Grace Found, banda de São José dos Campos (SP). As influências de Pantera, Machine Head e Lamb of God ficam claras nas músicas do seu EP de estreia. A apresentação foi curta, porém muito consistente e o vocalista Luiz Artur aproveitou para dar o recado e pedir o apoio do público para as bandas nacionais. Recado dado e a plateia respondeu positivamente, com muito respeito à banda.

Mas o grande momento da noite se aproximava e o público estava cada vez mais ansioso, um pequeno atraso de cerca de 20 minutos confirmou essa teoria. De repente, as luzes do Carioca Club se apagaram e aquela gritaria típica dos shows tomou conta da casa. End of the Line, do álbum The Fury of Our Maker’s Hand (2005), abriu a noite e já levou os fãs ao êxtase. A partir daí, o peso e a rapidez das músicas, unidas à perfeita execução da banda, quase não deram trégua para o público respirar. A sequência se deu com Hold Back the Days e Dead to Rights, do álbum mais recente, Beast (2011), até que o DevilDriver fez uma pequena pausa e Dez Fafara agradeceu aos fãs pelo carinho.

Fôlego retomado pela banda e pelo público, era hora de mais porrada com Clouds Over California, Fate Stepped In e I Could Care Less, do primeiro álbum do DevilDriver. O setlist foi bem justo, passando por todas as fases da banda e sem deixar o clima cair – esta harmonia talvez se justifique pela integração entre a banda, que não deixava ‘buracos’ nas músicas e no palco. Not All Who Wander Are Lost, do terceiro álbum, e Pray for Villains, do disco homônimo de 2009, deram continuação à noite. Fãs e banda estavam completamente conectados: Dez pedia para o público gritar e abrir as famosas rodas e era prontamente atendido; e, por sua vez, o público gritava “DevilDriver! DevilDriver! DevilDriver!” e a banda entrava na brincadeira e acompanhava com os instrumentos.

O show teve sequência com You Make Me Sick e, logo depois, Nothing’s Wrong?. Então, Dez pergunta quem era casado ou estava em um relacionamento sério na plateia. Em qualquer outro show esta seria a deixa para uma balada romântica, mas não no DevilDriver! A banda tocou Head on to Heartache (Let Them Rot) e, após esta música, Dez explicou a ausência do guitarrista Mike Spreitzer, que dias antes de embarcar para a América do Sul teve uma convulsão e precisou ser hospitalizado. O vocalista pediu para que todos enviassem suas preces e boas energias a Mike, que já está bem e se recuperando para a etapa da turnê na América do Norte com o Arch Enemy. Mesmo com um guitarrista a menos, o som não perdeu sua qualidade, pois Jeff Kendrick conseguiu manter todo o peso do DevilDriver. Impending Disaster encerrou o que seria o setlist regular da banda, dando lugar à conclusão da noite, com Meet the Wretched e Before the Hangman’s Noose. Antes de sair do palco, Kendrick ainda arriscou um tímido “Obrigado!” e ganhou a simpatia dos fãs.

A passagem desta banda californiana por São Paulo foi marcada pelo peso, consistência, velocidade, competência dos músicos e paixão dos fãs. Como citei no começo do review, foi um show impressionante por todos estes aspectos, sem oscilações, apenas pontos altos. Se Dez Fafara e companhia ficaram tão satisfeitos quanto seus fãs, é certeza de que o Brasil entrará para o roteiro das futuras turnês. Tomara que sim! E se ainda restou alguma dúvida sobre a qualidade do show do DevilDriver e a insanidade de seus fãs, confira o vídeo abaixo da música Meet the Wretched e tire suas próprias conclusões.




Setlist:

End of the Line
Hold Back the Day
Dead to Rights
Clouds Over California
Fate Stepped In
I Could Care Less
Not All Who Wander Are Lost
Grinfucked
Pray for Villains
You Make Me Sick
Nothing’s Wrong?
Head on to Heartache (Let Them Rot)
Impending Disaster

Bis

Meet the Wretched
Before the Hangman’s Noose

Clique aqui para ver todas as fotos deste show!

Renata Santos

Sou formada em jornalismo e colaboro com sites de música há quase dez anos. Integro a equipe do Portal do Inferno desde 2011.

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