Ensiferum – Sami Hinkka

A Finlândia é a terra que popularizou muitos gêneros dentro do heavy metal, e quando se fala em folk metal, fica difícil não pensar em Ensiferum como um dos seus maiores representantes. A banda foi criada pelo guitarrista Markus Toivonen em 1995, e em 1996, Jari Mäenpää foi convidado para ser o vocalista. Apenas em 2001, após diversas demos, é que a banda conseguiu lançar o primeiro álbum, e em 2004, lançaram Iron, um dos álbuns mais sólidos e influenciais da mistura do death melódico e as melodias folk. Após esse lançamento, o vocalista Jari saiu para se dedicar ao Wintersun, e pouco tempo depois, outros dois integrantes também deixaram a banda. Markus foi recrutando novos membros na medida em que os antigos saíam, e foi assim que o então vocalista do Norther, Petri Lindroos, o baterista Janne Parviainen e o baixista Sami Hinkka uniram-se a ele para dar continuidade aos seus projetos musicais como o Ensiferum.

Com esse já sólido grupo (que também conta com a tecladista Emmi Silvennoinen), a banda lançou três CDs e um EP, e está prestes a desembarcar no Brasil no pela primeira vez no começo de junho. Para marcar essa passagem inédita pelo País, o baixista Sami Hinkka conversou com o Portal do Inferno sobre alguns aspectos do mais recente disco da banda, Unsung Heroes, vinis, participações especiais, e ficou até a dica para ele provar a nossa inconfundível caipirinha – e nos contar tudo depois.

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Versão em Português

Ensiferum - Sami Hinkka

Portal do Inferno: Olá, Sami! É uma honra conversar com você, e estamos muito felizes por vocês finalmente tocarem aqui no Brasil! A primeira coisa que eu gostaria de saber é sobre o estado de saúde do Markus. Como ele está? Até esse momento [a entrevista foi enviada no dia 17 de maio] sabemos que ele está se recuperando de alguns problemas no ouvido, e esperamos que ele melhore!
Sami Hinkka: Olá, estamos muito felizes por finalmente visitar o Brasil! O Markus já está muito melhor, nós fizemos dois shows no fim de semana, então está tudo bem.

P.I.: Como vocês estão em turnê para promover o disco mais recente de vocês, Unsung Heroes (2012), eu tenho algumas perguntas sobre ele para você: o título é muito poético e bonito, mas parece que os Ensiferum Heroes estão cantando mais do que nunca agora, com o Markus cantando ainda mais com os vocais limpos, assim como você, que também está cantando com vocais limpos e guturais. Nós já sabíamos que você cantava muito bem, pois você substituiu o Petri [Lindroos] em alguns shows quando ele estava doente, certo? Mas os seus vocais estão ótimos nesse disco. Nos trabalhos anteriores, havia vocais limpos misturados com os guturais, mas como vocês decidiram deixar os vocais limpos brilharem tanto quanto os guturais nesse disco, em especial?
Sami: Sim, eu cantei em alguns shows, há alguns anos, quando o Petri estava muito doente e o médico disse que ele não poderia viajar ou nem mesmo sonhar em fazer os guturais. Não queríamos cancelar esses shows na Rússia, porque fazia muito tempo desde quando havíamos tocado lá, e também não tinha nenhuma outra chance para tocar lá tão cedo. Sobre os vocais em Unsung Heroes, primeiramente, obrigado pelo elogio, mas eu não posso falar muito, porque quando compomos um novo material, nós sabemos logo de início qual parte vai ter o vocal limpo, o coro e os guturais. Dessa vez as músicas ficaram assim, e talvez no próximo disco não haja tantos vocais limpos. Vamos ver.

P.I.: Algumas músicas do disco soam como Ensiferum antigo, como a Retribution Shall Be Mine e a faixa-título, mas vocês se aventuraram em outros campos agora, como com a música mais longa da história da banda: Passion, Proof, Power e seus quase 17 minutos. As duas Heathen Throne (From Afar, 2009) e a Victory Song (Victory Songs, 2007) também são bem longas, mas vocês nunca fizeram nada como a Passion antes. Qual foi a inspiração para criar a atmosfera dessa faixa épica, em particular?
Sami: A Passion, Proof, Power não foi intencionalmente composta como uma música longa, ela só foi crescendo, e crescendo. Queríamos nos desafiar como músicos e compositores, e também tentar novos elementos em nossa música, e PPP é definitivamente a canção mais experimental que nós já fizemos (até agora [risos]).

P.I.: Bamboleo (cover do The Gypsy Kings) foi uma surpresa muito legal, e eu admito que segui os diários da banda em estúdio no ano passado, e eu não acertei qual música era, mesmo com as dicas [em cada episódio, a banda dava uma dica de qual seria a cover que eles estavam gravando]. Vocês já fizeram outras covers antes, mas essa em especial é ótima. Como isso aconteceu? E devo dizer que vocês cantaram muito bem em espanhol.
Sami: (risos) foi muito divertido fazer essa cover e os fãs também gostaram muito dela. Quem sabe, talvez um dia a gente a toque ao vivo. Na verdade foi uma ideia bem antiga sobre fazer a cover de Bamboleo e tivemos algumas ideias para covers, mas nenhuma delas parecia “certa”, e do nada o Markus lembrou dessa ideia maluca de fazer uma versão death metal da Bamboleo e aí trouxemos uns riffs de death old school e umas progressões de cordas e escrevemos as letras do jeito que elas são pronunciadas, e foi assim que fizemos tudo.

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P.I.: A banda já trabalhou com alguns vocalistas convidados, como a maravilhosa Kaisa Saari, em Iron (2004), Dragonheads (2006) e naquela linda passagem da Twilight Tavern (do disco From Afar), e com o Henri Joensen do Týr, na cover do Nordman, Vandraren (faixa bônus do From Afar). Dessa vez, vocês convidaram alguns vocalistas especiais para participar desse disco, como a Laura Dziadulewicz, a Ulla Bürger e alguns membros do Apokalyptischen Reiter. Como vocês fazem a ligação entre os convidados em um disco? É algo que vocês já estavam pensando enquanto escreviam as músicas, ou só aconteceu de vocês terem pensado nelas apenas depois que as músicas já estavam escritas?
Sami: Quando estávamos escrevendo as partes nas quais a Laura e a Ulla cantam, nós soubemos na hora que tipo de vocais queríamos para elas. Nós conhecemos a Laura no Spinefarm Summer Camp, e aí a ouvimos cantando e soubemos que era ela quem queríamos para cantar a Celestial Bond. Já a Ulla conhecemos por meio de um amigo nosso, que soube que precisávamos de uma cantora de ópera profissional. Foi muito bom trabalhar com todos esses músicos, eles são muito profissionais e nós seremos sempre gratos a eles.

P.I.: Unsung Heroes é bem diferente de From Afar, mas você ainda consegue ouvi-lo e encontrar algumas similaridades, pois no fim das contas, a banda já tem uma marca registrada. Ele tem alguns elementos presentes no álbum anterior, mas também parece que vocês exploraram mais o lado minimalista da banda, com músicas mais lentas, limpas e harmonizadas, concentrando as partes de orquestra/sinfônicas apenas em alguns momentos das músicas, e não no geral (o que foi o caso de From Afar), e isso não é algo que você encontra com muita frequência na discografia da banda. Há algum elemento em particular que tenha despertado essa nova abordagem?
Sami: Você está totalmente certa, nós fomos muito além em From Afar e quisemos voltar às raízes e diminuir a quantidade de músicas, além da vontade de fazer um som mais orgânico.

P.I.: Pode parecer uma pergunta clichê, mas quais são as suas expectativas com relação ao Brasil? Ou melhor, da América do Sul, em geral? Eu acredito que todo lugar que vocês vão visitar pela primeira vez desperta esse tipo de pensamento, mas mesmo com tantas bandas finlandesas tocando ao vivo aqui, aposto que é difícil saber como será a experiência em um país com uma cultura tão diferente e que é tão distante de onde vocês vivem. Quais são as expectativas de vocês, agora?
Sami: Infelizmente, não temos tempo para visitar as cidades de verdade, ver locais históricos, etc., já que temos uma agenda muito apertada, mas estamos ansiosos para ver a reação do público nos shows, porque muitas bandas nos disseram que o público mais louco (no bom sentido) do mundo é o da América do Sul, então deem tudo de si! Espero que eu possa voltar algum dia com mais tempo, para que a gente conheça mesmo as diferentes culturas da América do Sul.

P.I.: Por falar em shows aqui no Brasil, e voltando para os diários semanais da banda [em 2012], cada episódio mostrava o Markus provando um tipo diferente de cerveja. Sintam-se à vontade para beber algumas de nossas cervejas, bem como as nossas caipirinhas – as originais! – e vocês podem nos contar se gostaram, depois.
Sami: Que ótima ideia! Claro que tomamos muitas caipirinhas em nossos shows, mas acho que não dá para competir com a original.

P.I.: Recentemente vocês assinaram um contrato com a Metal Blade Records, depois de um longo relacionamento com a Spinefarm Records. É uma grande conquista após tantos anos batalhando tanto, e agora a banda está começando a ficar mais conhecida. Mas como vocês estão lidando com essa nova perspectiva? É muito empolgante, mas como lidar com uma possível nova “pressão”?
Sami: Nós estamos ansiosos para trabalhar com a Metal Blade, porque eles são um grande selo e possuem uma moral de trabalho incrível e muitos contatos pelo mundo todo. Não sofremos nenhuma pressão, já estamos trabalhando no novo disco e ano que vem vamos entrar em estúdio e aí vamos ver até onde essa nova parceria irá nos levar.

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P.I.: Vocês também estão lançando os dois primeiros discos em vinil, o que é maravilhoso. Os ouvintes mais tradicionais amam vinis, mas os novos também estão aprendendo a apreciá-los. Apesar de a venda de discos físicos não ser mais tão lucrativa, já faz um tempo desde que músicos em geral estão dando atenção especial para os vinis de novo, e o Ensiferum vem lançando vinis desde o Victory Songs até agora, com o Unsung Heroes. Por que vocês deram tanta atenção a esse formato?
Sami: Nós todos curtimos vinis e crescemos com eles. Acho que a arte de capa e encarte são mais importantes nos vinis dos que nos CDs, e dessa forma, os artistas gráficos podem ser mais valorizados. E o som do vinil é muito melhor.

P.I.: Voltando para o Unsung Heroes, Pohjola [que também é o nome de uma terra mitológica finlandesa] é mais uma prova de como o Ensiferum soa bem em finlandês também. Com certeza os fãs brasileiros que irão ao show já estão treinando para cantá-la. Conte-nos um pouco sobre a mitologia finlandesa por trás dela.
Sami: Na verdade, Pohjola não aborda a mitologia finlandesa, as letras são um antigo poema sobre um homem que sente saudades e faz grandes alusões à bela terra na qual ele nasceu. Na verdade é uma música bem antiga, nós começamos a trabalhar nela em 2005 ou 2006, mas foram precisos todos esses anos para que ela finalmente fosse terminada.

P.I.: Você escreve ótimas letras, e as desse disco estão fantásticas! Quem são, de fato, os unsung heroes desse disco? Conte-nos um pouco sobre a inspiração para escrevê-las.
Sami: A inspiração para todas as letras desse disco vem da vida real, e demorou um bom tempo para eu encontrar as metáforas perfeitas para que elas pudessem se encaixar no tema do Ensiferum. É sempre um desafio divertido escrever as letras. Mas me desculpe, eu não quero explicar muito as minhas letras, acho que é importante que cada ouvinte encontre o seu próprio significado para elas.

P.I.: Já faz quase dez anos desde que você (e o Petri e o Janne) entraram na banda, e mesmo os fãs antigos sentem que vocês são parte do que o Ensiferum é hoje. Se não me engano, a Emmi entrou na banda em 2007, e desde então, vocês vêm mantendo a mesma formação. Como a banda já tem cinco álbuns e um EP, seria fácil e “seguro” só ficar fazendo o mesmo tipo de música repetidamente, e é algo que muitas bandas fazem depois de um tempo. O que os anima para continuar a experimentar e tentar coisas diferentes em uma banda que já era uma sólida e grande influência no gênero folk mesmo antes de você entrar nela?
Sami: Para nós, tentar coisas novas e nos desafiar é bem natural. Queremos melhorar e encontrar novas maneiras de fazer música. Acima de tudo, queremos ser honestos com nós mesmos e não seguir tendências ou ouvir o que outras pessoas esperam que a gente faça. Nós temos uma química muito boa dentro da banda, e todo mundo trás alguma coisa nova para o processo de composição e arranjos, e isso também mantém todo o processo criativo e estimulante.

P.I.: Como essa é a primeira vez da banda no Brasil, vocês estão planejando algum set list especial para os fãs? Tipo uma música que vocês não tocam faz um tempo?
Sami: Sim, estamos tendo muitas dificuldades para escolher as músicas que iremos tocar, porque sempre queremos tocar faixas de todos os discos, mas como é a nossa primeira vez aí, também podemos incluir alguma coisa especial no set list. Vamos ver ;)

P.I.: Muito obrigada pela entrevista e pela atenção, Sami! Mais uma vez, estamos muito felizes, já que mais de uma década depois finalmente poderemos vê-los tocando aqui! Deixe uma mensagem para os seus fãs brasileiros e para os leitores do Portal do inferno.
Sami: Obrigado, foi um prazer responder a essa entrevista. Para todos os nossos fãs brasileiros, caso vocês não tenham ouvido Unsung Heroes, ouçam e nos veremos em breve. Provem que todos os bons rumores sobre vocês serem o melhor público do mundo são verdadeiros, ok?

English Version

Ensiferum - Sami Hinkka

Portal do Inferno: Hi Sami! It’s an honor to talk to you and we’re really, really happy that Ensiferum is finally making its way to play here in Brazil! The first thing we would like to know is about Markus’ health. How is he doing? As to this day, we heard that he’s recovering from some problems with his ear, and we really wish him all the best!
Sami Hinkka: Hi there. We are extremely happy to finally to be able to come to Brazil! Markus is doing much better already, we just played two shows last weekend so everything is just fine.

P.I.: As you’re touring in support of your last record, Unsung Heroes, I have a bunch of questions about it for you: the title is very poetic and beautiful, but it seems that the Ensiferum Heroes are now singing more than ever, with Markus expanding even more his clean vocals and so as you, who are also lead singing with both harsh and clean vocals. We already knew you can sing very well, as you even replaced Petri in some concerts when he was sick, right? But your vocals are pristine in this new record. On the previous records there were some clean vocals mixed with the harsh ones, but how do you guys made a word about letting the clean vocals shine as much as the harsh ones on this record, specifically?
Sami: Yes, I growled few shows some years ago when Petri was really sick and doctor said that he can’t travel or even dream about doing hars vocals. We didn’t want to skip those shows in Russia because it had been so long since had played there and also there was no new chance to go there for quite awhile. About vocals on Unsung Heroes, first of all thank you for your kind words, but I can’t really say much because when we compose new matrial we know in really early stage that if a part is for clean/choir/harsh vocals. This time the songs just became like this and on the next album, who knows, maybe there won’t be as much clean vocals. Let’s see.

P.I.: Some songs off the record sound like old school Ensiferum, like Retribution Shall Be Mine and the title track, but you’ve adventured with different stuff now, like the longest song in the band’s history: Passion, Proof, Power and his almost 17 minutes. Both Heathen Thrones and Victory Song are also long-lengthed, but you guys never did anything like Passion… before. What was the inspiration to create the atmosphere of this epic number, in particular?
Sami: Passion, Proof, Power wasn’s intetionally composed as so long song, it just kept growing and growing. We want to challenge ourselves as musicians and as composers and also try new elements in our music and PPP is definitely the most experimental song we have ever made (so far, hehe).

P.I.: Bamboleo was also a nice surprise, I admit I’ve been following the band’s studio diaries last year on Facebook, and I failed to guess the song correctly, even with the hints. You’ve done other covers before, but this one in particular is great. How’s that come? The Spanish accent was pretty well reproduced, I must say.

Sami: Hehe, it was really funny cover to make and fans have also liked it very much. Who knows, maybe one day we will play it live. It was actually really old idea to make the cover of Bamboleo and we had few ideas for cover songs but none of them felt “right” and suddenly Markus remembered that old crazy idea about making a death metal cover of Bamboleo and we came up with few old schoolish death metal riffs and checked out the chord proggression and wrote down the lyrics as they are pronounced and that’s how it was made.

Ensiferum

P.I.: The band already worked with some invited singers, like the amazing Kaisa Saari on Iron, Dragonheads and that beautiful spoken passage on Twilight Tavern (From Afar) and Týr’s Heri Joensen on Vandraren, Nordman’s cover. This time you’ve invited a handful of other special guests to perform some songs on this record, like Laura Dziadulewicz, Ulla Bürger and some of the Die Apokalyptischen Reiter guys. How did you connect the guests on a record? It’s something that you were already thinking about when you were writing the songs, or it just happened that you thought about them only after the songs were written?
Sami: When we were composing the parts where Laura and Ulla sing we knew almost instantly what kind of vocals we want for those parts. We met Laura in Spinefarm’s summercamp and we just happened to hear her singin and we knew that she was the one we want to sing Celestial Bond. We met Ulla through our friend who heard that we need a professional opera singer. It was really great to work with all guest musicians, they are all such great professionals and they have our eternal gratitude.

P.I.: Unsung Heroes is indeed very different from your 2009’s record, From Afar, but you can still listen to it and find some similarities, as after all, the band has its trademark sound. It has some elements present on the previous record, but it also seems that you explored more the minimalistic side of the band, with more clean, harmonized and slow songs, concentrating the orchestra/symphonic parts only in some moments of the songs, and not in their overall (which was the case in From Afar), and this move is not a very often one on the band’s catalogue. There is something in particular that aroused this new approach?
Sami: You are absolutely right. of over the top with From Afar and wanted to come back to the roots and cut down the amount of tracks plus we wanted to have more organic sound.

P.I.: It may sound like a cliché question, but what are you guys expecting from Brazil? Or even better, from the South America in general? I mean, I believe that every place you’re going to visit for the first time arises this kind of thought, and even with so many Finnish bands playing live here, I bet it’s hard to figure out how an experience in a country that has such a different culture and that is so distant from yours may be. What are you thinking about it now?
Sami: Unfortunately we don’t have any time to really visit cities and see historical places etc. because we have extremely tight schedule but we are really looking forward to see crowdsreaction in shows because many bands have told that the craziest (in good way) audience in the whole world is from South America. So give us all you got! And hopefully we can come back someday with more loose schedule so that we can actually experience different cultures of South America.

P.I.: Speaking of shows here in Brazil and coming back to your weekly diaries, every episode featured Markus tasting a different kind of beer, you’re all very welcome to drink some of our beers, as our Caipirinhas – the original ones! – and you can tell us if you like them later.
Sami: That sounds like an excellent idea! Of course we have drank many caipiranhas during our lives but I guess you can’t beat the real one.

P.I.: You guys recently signed a deal with Metal Blade Records, after a long relationship with Spinefarm Records. This is a great accomplishment after so many years working so hard, and now the band is starting to have a broader audience. But how are you guys dealing with this new perspective? It is exciting but how to deal with an eventual new “pressure”?
Sami: We are really looking forward to work with Metal Blade because they are such a great and legendary record label with incredible working moral and superb connections around the world. We don’t have any pressure at all, we are already working with the new album and next year we will hit the studio and then we shall see where this new co operation will lead us all.

Ensiferum

P.I.: You are also releasing the first two records on vinyl, which is amazing. Old school music listeners love vinyl, but the new ones are also learning how to appreciate it. Although the selling of physical records is not something that profitable anymore, it’s been a while since musicians in general are giving special attention to the vinyls again, and from Victory Songs on all Ensiferum records have an LP format as well. What was the reason for you guys to give such attention and support to this physical format?
Sami: We all like vinyls and we grew up with them. I think the cover art and booklet are more important in vinyls than in CDs and that way they give more appreciation to artists who do all graphics. And the sound is much better in vinyls.

P.I.: Talking about Unsung Heroes again, Pohjola is one more proof of how good Ensiferum sounds in Finnish as well. I’m sure all the Brazilian fans who will attend the concert are already training to sing it well. Tell us a little about the Finnish mythology behind it.
Sami: Actually the song Pohjola is not about Finnish mythology. The lyrics are an old poem about man missing and cherishing the thought of his beautiful home land. It’s actually quite an old song, we started to work on it in year 2005 or 2006 but it took all these years to finally be complete.

P.I.: You write great lyrics, and I must say the ones on this album are really fantastic! Who are indeed the unsung heroes in this record? Tell us about the inspiration you had to write these lyrics.
Sami: The inspiration for all lyrics on this album came from real life and it took quite awhile to find perfect metaphoras so that they fit Ensiferum’s theme. It’s always fun challenge when writing lyrics. But I have to apologise that I don’t want to explain my lyrics too much, i think it’s important that every listener can find their own meaning for lyrics.

P.I.: It’s been almost 10 years since you (and Petri and Janne) joined the band and even the old fans can relate all of you as part of what Ensiferum is today. If I’m correct, Emmi joined the band in 2007 and since then you’ve been keeping this line-up intact. As the band already have 5 records and an EP, it would be easier and “safe” to just keep doing the same sound over and over again, and it’s a move a lot of bands make, after some time. What fuels you to continue to experiment and try different things in a band that was already established as a big influence in the folk metal genre even before you joining it?
Sami: For us trying new stuff and challenging ourselves is really natural. We want to become better and find new ways to write music. Most of all we want to honest to ourselves and not follow trends or listen to what people expect us to write. We have really good chemistry inside the band and everyone brings something new to composing and arranging process, that also keeps the whole process fresh and creative.

P.I.: As this is the band’s first time here in Brazil, are you planning some special setlist for the fans? Like a song you guys haven’t played for a long time?
Sami: Yes, we are having really hard time to choose songs to play because we always want to play songs from all albums but since it’s the first time there we might include something special in the setlist also. Let’s see. ;)

P.I.: Thank you very much for the interview and attention, Sami! Again, we are really happy that after more than a decade we’ll finally have you guys playing here! You can leave now a message to your Brazilian fans and readers of Portal do Inferno.
Sami: Thank you, it was such and honor to do this interview. To all our Brazilian fans, in case you haven’t heard Unsung Heroes check it out and see you all soon. Come and prove that all good rumours about the best audience of the world are true, ok?