Heavy Metal e Salsa! Uma combinação pouco usual, muito ousada e que faz o Acrania ser única em um meio que usa apenas os tradicionais instrumentos como guitarra, baixo e guitarra.

A mistura de Death com ritmos latinos, já rendeu aos mexicanos 3 álbuns de estúdio e turnês na Europa. Ainda esta programado para tocarem em Cuba esse ano e há planos de visitarem a América do Sul, inclusive o Brasil.

Da esq à dir: Alberto Morales,Johnny Chavez,, Cesar Cortez, Luis Oropeza e Dani Montiel. Crédito: Daniel Oropeza

O nome do grupo, se refere a uma doença que faz com que a pessoa nasça sem crânio. O motivo escolhido foi, segundo o baterista Johhny Chavez, pelo fato do crânio  ser uma barreira e para fazer músicas não se pode ter barreiras.

Além do dono das baquetas da banda, o Portal do Inferno conversou com Luis Oropeza, vocalista, guitarrista e trompetista.

Também integram o grupo, César Cortez (guitarra e saxofone), Alberto Morales (baixo) e Dani Montiel (percussão).

Confira:

O grande diferencial da banda é o fato de misturar Death Metal com ritmos latinos. O que os levou a fazerem essa fusão?

Luiz Oropeza: O México é um país que em todo lugar se escuta salsa. É um ritmo que faz parte da nossa cultura. Para nós é natural que queiramos fazer a mistura de salsa com heavy metal. A nossa realidade é diferente da realidade de um headbanger europeu ou estadunidense, por isso, pensamos que tínhamos que fazer um som diferente. Entretanto, pensamos, sempre, que a música tem que ser algo próprio de alguém e com suas particularidades, sem ter que copiar ou imitar estilos. Refletir a realidade da banda, que é algo somente nosso.

O que chama atenção nos álbuns são as capas. Sempre muito coloridos e com tonalidades fortes. Qual a ideia por trás disso?

Johnny Chavez: A ideia é fazer um reflexo na capa dos álbuns, até certo ponto, do colorido que é a vida na Cidade do México (e na América Latina, de uma forma geral). Passar a mensagem que viver aqui não é o mesmo que viver na Suécia ou em Nova York, por exemplo. As nossas músicas são reflexos da nossa realidade.

Capa do primeiro disco: Unbreakabel Fury.

No entanto, nós não colocamos muito a mão na arte. Pois, nós como músicos queremos ter liberdade criativa e partindo desse ponto, supomos que um pintor, um escultor, por exemplo, busquem a mesma liberdade. Assim, que com isso em mente, buscamos alguém que tenha algo interessante em sua expressão artística e foi  assim que chegamos a Eliran Kantor (que fez a arte de bandas como Sodom, Testament, Atheist e etc). Com ele, temos trabalho desde 2010 e estamos muito felizes de seguir fazendo, porque já chegamos a um processo de trabalho que é fácil para as duas partes e Eliran sempre entende o que temos em mente em cada disco.

Acrania já tem três discos lançados. Unbreakabel Future (2010), An Uncertain Colision (2012) e Fearless (2015).O último saiu em 2015? Por que  faz tanto tempo que não gravam um álbum?

Luiz Oropeza: O processo de gravar um disco para uma banda emergente sempre é difícil. Pois, nos toma tempo e dinheiro, que por agora, estamos ocupando em outras áreas. Entretanto, nesse tempo de quarentena, temos aproveitado para poder trabalhar nas nossas casas, novas composições e estamos muito satisfeito com o resultado musical até o momento. Se tudo sair bem, ao final do ano teremos um novo disco.

No momento, como analisam a cena de heavy metal do México?

Luiz Oropeza: Eu penso que o metal mexicano goza de boa saúde. Em geral a cena tem crescido em quantidade e qualidade, mesmo sem ter uma industria muito rentável em torno do heavy metal mexicano. Há excelentes bandas, um público fiel e consciente e há muitos bons shows nacionais.Sempre há situações para melhorar, mas penso que está bem melhor, se fizermos uma perspectiva dos últimos 20 anos. Penso que o metal mexicano está em uma posição melhor. Não ter uma industria sólida em torno do nosso metal, trás muitos problemas. Entretanto, há pontos positivos, como o fato das bandas estarem tocando por amor ao metal. Não há músicos contratados, ou se há algum, são muito poucos. Raros. Todos tocam por amor à música e isso é expressado através do heavy metal. Isso faz com que tenhamos uma cena sincera, honesta e que baseia-se no carinho e gosto autêntico do estilo que pelo dinheiro.

Por fim, falando de heavy metal brasileiro, há bandas que vocês gostam? Quais?

Jonny Chavez: Uau! Há muitas bandas brasileiras que eu gosto! Tenho um carinho muito grande pelo Brasil. Conheci o País, quando fiz uma turnê com uma outra banda minha. Tenho grandes amigos como Poney (Violator ) e Sílvio Rocha (Dominus Praelli). Aqui vai algumas das minhas favoritas: Vulcano, Headhunter D.C., Violator, Angra e Sepultura.

Aos brasileiros, muito obrigado (expressando em português) por terem nos lidos e um ‘saludo’ do México até o Brasil.

Obs: Chavez, ao se referir a turnê no Brasil, veio com a banda Strikemaster em 2009. Tocou por varias cidades do Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

Leonardo Cantarelli

Headbanger, jornalista formado, autor de 2 livros e mesatenista!

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