A década de 90 está marcada no heavy metal pelo surgimento de muitas bandas de power metal. Os principais nomes são Stratovarius, Rhapsody of Fire, Hammerfall, Sonata Arctica e Symphony X. Estas sofreram influências das pioneiras no estilo como Helloween, que nos anos 80 iniciou os seus trabalhos.

Wurdalak em um show em Alicente, na Espanha. Crédito: Páginal oficial do Wurdalak/Facebook

Ainda sobre esse período, surgiu na Espanha bandas como Tierra Santa e Dark Moor, por exemplo. Uma outra que apareceu no final dos anos 90, que é muito boa e pouco conhecida por aqui é o Wurdalak.

O grupo oriundo de Valencia tem cinco álbuns de estúdio e pratica um power metal sinfônico. O primeiro, ‘La Llamada’ foi lançado em 2002 . Em seguida, o vocalista Ovidi Bea  e o tecladista Espe Parets deixaram a banda. Para o vocal, quem assumiu foi Maria José Romero e o teclado ficou a cargo de Iván Sanchez. Ambos seguem até hoje no Wurdalak e gravaram os álbuns: Desde el silencio (2005), Lo que mueve el mundo (2008),Como si no hubiese un mañana (2016) e 6 (2018), além do EP Horizonte Rock N Roll (2013). No momento, também integram a banda: Chivi Bosquet e German Nuñez (guitarras), Tato García (baixo) e Rúben Muñoz (bateria).

Sanchez em um show pelo Wurdalak. Crédito: arquivo pessoal/Ivan Sanchez

Para falar mais sobre o grupo que leva o nome de um conto do escritor russo Aleksey Konstantinovich Tolstoy ( viveu no século XIX), o Portal do Inferno bateu um papo com o tecladista Iván Sanchez. Este, ao falar de suas influências, afirmou ser muito fã de Angra, principalmente do álbum Holy Land.

Confira:

Você entrou na banda um pouco antes da gravação do segundo álbum (Desde el silencio, 2005). Como foi feito o convite?

Eu tinha um bar de heavy metal aqui em Valencia e já conhecia os músicos. Naquela época, eu estava querendo me dedicar a música e eles me chamaram para entrar na banda.

O Wurdalak já havia lançado um disco e tinha feito shows pela Espanha. Era uma grande oportunidade.

Depois, fizemos algumas apresentações e acabei ficando! Gosto muito da banda, pois ,aqui cada um tem suas funções e não há líderes. Eu, por exemplo, além dos teclados, me encarrego das publicações nas redes sociais e mídia.

O teclado é um instrumento usado frequentemente por bandas de rock e heavy metal. No entanto, é comum escutarmos pessoas dizerem que não é algo útil para uma banda e para tocar heavy metal basta ter guitarra, baixo e bateria. Como começou tocando teclado e o que opina sobre esse pensamento?

Desde criança eu gosto de teclado e de rock. Comecei a ter contato com teclado por volta dos 7 anos. Sempre ouvi bandas de hard rock e power metal que usam teclado e nunca vi problema nisso. De fato, há alguns radicais que pensam que o teclado não é necessário, o que é uma bobagem. Hoje há muitas bandas de folk metal que usam outros instrumentos como flautas e gaitas, por exemplo. Penso que o mais importante que o instrumento, é a mensagem que as bandas e os músicos querem transmitir, independente se for com flauta, guitarra ou gaita, por exemplo.

Na sua opinião, qual o melhor disco do Wurdalak?

Penso que o álbum ‘Como si no hubiese un mañana’ (2016). É um disco com um som que identifica bem o que é a banda e contou com uma boa produção.  Nos primeiros álbuns, nós tínhamos muita vontade, mas faltavam recursos para que saísse um bom disco.

Se tivesse que recomendar uma música para alguém conhecer melhor o Wurdalak, qual seria?

Nyneve. Música do nosso segundo disco, ‘Desde el silencio’, onde o clipe explodiu no Youtube e fez a banda ter mais fãs (obs: o clipe está logo abaixo).

As bandas na Espanha geralmente cantam em espanhol. Por que existe essa preferência pela língua materna?

A língua espanhola está entre as mais faladas no mundo. Na América Latina, a maioria dos países fala espanhol. Logo, cantando em espanhol já é possível alcançar um grande público. Acredito também que não somos falantes nativos da língua inglesa, logo as nossas músicas não ficariam boas. É um recurso que não nos traria benefício. Por que vou cantar em inglês, se não domínio muito bem a língua? Não faz sentido.

Falando sobre heavy metal brasileiro, há bandas que você gosta? Quais?

Claro! O Angra está entre as minhas bandas favoritas. Fez parte da minha formação como fã e músico de heavy metal. O André Mattos, que descanse em paz, era um excelente cantor e compositor. O disco Holy Land para mim é o melhor deles e uma obra-prima do heavy metal! O Holy Land me chama atenção, pois, há influências da música e da cultura brasileira. Gosto muito também do Angels Cry e do Fireworks. Ouvi bastante!

Depois da saída do André Mattos, acompanhei menos a banda. Gosto do Rebirth. Um ótimo álbum, mas escuto pouco. Os últimos discos, praticamente não escutei. Sou fã da fase do André Matos, mesmo.

Por fim, quais os planos futuros do Wurdalak?

Vivemos uma época de pandemia, logo, tudo que havíamos planejado teve que ser modificado. Shows foram cancelados, logo, a indústria da música, assim como de vários ramos, irá deixar de ganhar dinheiro. Muitos já estão pensando só em 2021. Nas próximas semanas, iremos lançar um clipe, nas redes sociais, usando como tema o Coronavírus. Por enquanto é isso e esperar a pandemia passar, para seguir a vida normalmente.

Leonardo Cantarelli

Headbanger, jornalista formado, autor de 2 livros e mesatenista!