Com mais de 30 anos de carreira, quase 20 álbuns lançados (sem contar as compilações, box set e afins), inúmeros shows e uma legião de fãs mundo afora, o Grave Digger desembarca no Brasil para uma série de shows – 22 de julho no Rio de Janeiro (RJ), 23 de julho em São Paulo (SP) e 24 de julho em Curitiba (PR). Na apresentação em solo paulista, a banda contará com a participação especial de um brasileiro, Murilo Mazza, o grande vencedor do BIG GRAVE DIGGER COMPETITION, uma competição mundial lançada pelo Grave Digger na qual o participante deveria recriar as partes de guitarra da música “Highland Farwell” (www.youtube.com/watch?v=SnULJj9Vyrc). Com a aproximação do show, o Portal do Inferno resolveu conversar com Murilo para saber como anda a expectativa para essa apresentação, dentre outras coisas, como você pode conferir a seguir.

Portal do Inferno: Antes de mais nada, parabéns pelo primeiro lugar obtido no BIG GRAVE DIGGER COMPETITION. Como surgiu a ideia de participar da competição e como foi a criação da sua versão para o solo em “Highland Farewell”?
Murilo Mazza:
Muito obrigado! Antes de mais nada também, gostaria de agradecer à Regina Toma, ao Nino e a toda equipe do Portal do Inferno pela entrevista, e parabenizar a nova versão do Portal, que está muito bem formulado!

A ideia surgiu assim que vi a divulgação oficial da competição no Canal oficial do Grave Digger no Youtube. Resolvi participar, e com o tempo fui ouvindo a música da competição para me acostumar, e fui testando algumas ideias de composição que surgiam nos momentos de ‘ócio criativo’! Quando senti que a versão estava ‘pronta’, peguei a guitarra e gravei o vídeo para o concurso. A competição exigia que apenas o solo principal da música fosse composto. Me senti confortável para encher de arranjos durante a música toda, já que o estilo de ritmo do Grave Digger é um estilo o qual estou acostumado a tocar. Basicamente, e discretamente, tentei fantasiar uma ‘segunda guitarra’ para a música.

P.I.: Quando saiu o resultado da competição, qual foi sua reação ao receber a notícia de que havia sido o vencedor e seria convidado a participar de um dos shows da banda?
Murilo: Fiquei besta! Entrei em ‘devaneio’! (risos) O legal dessa história foi terem me convidado para tocar com eles em um show da tour da América do Sul. O convite não estava previsto na premiação do concurso, eram apenas prêmios relacionados a acessórios de guitarra! Com certeza o convite foi o melhor prêmio!

P.I.: E como anda a expectativa para o show? Muito ansioso em dividir o palco com o Grave Digger?
Murilo: Muito ansioso (no bom sentido)! Sinto que vai ser um dos melhores dias da minha vida. Faltam poucos dias, e estou me preparando para que seja o melhor possível.

P.I.: Você já foi a outros shows deles?
Murilo: Sim, fui a três shows: a primeira vez foi em 2003, em São Paulo, no Directv Music Hall (junto às bandas Avalanch, Dragonheart e Harppia). O segundo foi em 2005, em São Paulo, no Directv Music Hall (na gravação do DVD “25 To Live”). E o terceiro, em 2008, em Campinas-SP, no Hammer Rock Bar. Todos ótimos! Adoro os shows do Grave Digger, amo refrãos poderosos! É a banda perfeita para tocar ao vivo.

P.I.: Quando você começou a ouvir Grave Digger? Toca ou já tocou outras músicas deles?
Murilo: Comecei a ouvir Grave Digger logo quando comecei a tocar guitarra, por volta do ano 2000. Um amigo (Mário) me apresentou a banda, junto com algumas outras bandas de estilos próximos (Blind Guardian, Iced Earth, Children of Bodom, etc…).

Na minha antiga banda Dreamstate tocávamos “The Dark of The Sun” e “Rebellion” em alguns shows.

P.I.: Saindo um pouco do assunto “Grave Digger”, quando você começou a estudar música e como se deu a escolha pela guitarra? Aliás, você toca outro(s) instrumento(s)?
Murilo: Comecei em 2000. Na época, estava muito interessado por música, ouvindo muitas bandas de rock, sentia que precisava tocar alguma coisa para montar uma banda. A escolha pela guitarra foi natural. Não sirvo para cantar, e tocar baixo e teclado não me animava. Bateria um amigo meu na época já tocava. Não tive muitas dúvidas sobre a guitarra… (risos).

Basicamente, só toco guitarra. Consequentemente, também toco violão, e um pouco de baixo (isso conta?! … [risos]). Também tenho uma gaita, uma flauta doce, e uma tin whistle em casa, mas não considere esses últimos.

P.I.: E o interesse pelo Metal, como surgiu?
Murilo: O interesse pelo Metal foi natural também, amadurecido pelo rock, como todo mundo… Por volta do ano 2000 comecei ouvindo bandas como Kiss, Ramones, Pearl Jam, e depois também comecei a curtir algo mais pesado… Blind Guardian, Dream Theater, Death, e por aí vai… Em 2000 ainda, eu e uns amigos montamos uma banda de rock que não durou muito tempo, e depois resolvemos montar o Dreamstate, que seria uma banda basicamente de metal.

P.I.: Murilo, gostaria que você falasse um pouco sobre o Dreamstate e o Niharp. [N.R. Bandas nas quais Murilo Mazza fez/faz parte como guitarrista.]
Murilo: O Dreamstate encerrou atividades ano passado. Sabe quando as coisas não estão mais dando certo? Então… Lançamos nosso único álbum “When Shadows Fall” (o álbum pode ser baixado gratuitamente no MySpace oficial da banda: www.myspace.com/officialdreamstate). Eu tinha muitas ideias e projetos para o Dreamstate, mas, infelizmente e genuinamente, essa história acabou.

O Niharp é o que penso para o futuro! Estamos juntos desde 2004. Ficamos parados por um bom tempo, mas agora estamos de volta, e estamos produzindo um single com duas músicas que será lançado em breve! Uma música terá uma pegada mais ‘thrash’, e a outra será um ‘power’ cadenciado, com algumas influências de progressivo.

P.I.: De onde vem a inspiração para compor, tanto as melodias quanto as letras, já que no álbum “When Shadows Fall”, do Dreamstate, boa parte das músicas é de sua autoria?
Murilo: Da vida. Quando faço uma música, na maioria das vezes estou focando em algum evento que aconteceu ou vem acontecendo comigo. Tento transformar isso num ‘tema’ para a música, de forma que esse mesmo ‘tema’ também sirva para outras pessoas. É ótimo desenvolver algo, e depois ver aquilo pronto funcionando! Também trabalho com desenvolvimento de software, e posso dizer que a sensação de ‘desenvolvimento’ funciona da mesma forma: é legal ver algo sendo construído aos poucos, mas quando você vê tudo funcionando, é bem melhor! O melhor ainda é saber que aquilo que você criou está sendo ‘útil’ para outras pessoas! A diferença da música é que ela envolve muito o lado pessoal. No meu caso, às vezes, serve até como uma ‘sessão de descarrego (risos)… Lógico, tudo isso sem contar também as influências musicais, que com certeza dão todo o ‘empurrão’ necessário para que uma música se concretize.

P.I.: Jogo rápido:
– Uma banda: Blind Guardian
– Uma música: Everything is Nothing (Sentenced)
– Um guitarrista: Jeff Loomis

P.I.: Muito obrigada pela entrevista, Murilo! (Ah, o que a gente não faz por um alfajor… [risos]) Ótimo show para você! O espaço é seu.
Murilo: Muito obrigado! Eu que agradeço! Ah, sim, o alfajor… (risos). Então, a quem for ao show do Grave Digger no Carioca Club em São Paulo, no dia 23/07, nos vemos lá! Valeu!

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