Copa do Metal (Grupo D)

Na matéria de hoje abordamos o grupo D, onde estão nossos hermanos e eternos rivais argentinos. Islândia, Croácia e Nigéria serão os adversários dos sul-americanos na fase de grupos. Confira um pouco sobre cada um desses países e ouça as bandas que escolhemos para representá-los. Abaixo os grupos anteriores:

(Grupo A), (Grupo B), (Grupo C)

Argentina:

(Por Leonardo Cantarelli)

É verdade que os portenhos (oriundos de Buenos Aires) não são muito receptivos. Também é verdade que os argentinos, de uma forma geral, tem a fama de serem arrogantes. Mas admitamos: a Argentina é um dos países mais apaixonantes de toda a América.

Ao longo dos anos, os nossos vizinhos rivalizam conosco, em serem os protagonistas da América Latina.

Tiveram Juan Domingos Peron como um grande presidente da nação. Uma espécie de Getúlio Vargas argentino. Sua esposa, Eva Peron, é possivelmente a primeira-dama mais adorada de toda a história.

Na literatura tem Jorge Luis Borges. Na América Latina ninguém faz filmes melhores que eles.

Na história, veio o polêmico Ernesto  ‘Che’Guevara. Em um mundo maniqueísta o ex-médico e revolucionário é amado intensamente por uns e odiado em demasia por outros.

O que falar então de uma das maiores paixões daquele povo: o futebol?

Seu jeito de torcer (apoiando intensamente os seus clubes, com banda tocando músicas e toda a parafernália) é inspirado e copiado no mundo todo.

Há em Buenos Aires a temida La Bombonera, estádio do Boca Juniors. A áurea mística já faz jogadores e torcedores visitantes tremerem horas antes dos jogos.

Ao lado do Brasil, são os países que mais revelaram craques para o esporte mais popular do planeta. LaBruna, Pedernera  comandaram o grande time do River Plate nos anos 40 e que encantou o mundo. Em seguida, surgiram talentos como Alfredo Di Stéfano, Mário Kempes, Cláudio Cannigia, Gabriel Batistuta, Juan Sebatian Veron e claro dois dos melhores da história do futebol: Diego Armando Maradona e Lionel Andres Messi.

Maradona elevou os argentinos ao patamar das principais seleções do mundo ao ser o protagonista na conquista da Copa de 1986. Fora de campo, sempre demonstrou seu amor pelo seu país e nunca escondeu suas preferências políticas. É um personagem polêmico até hoje.

Já Messi é possivelmente o melhor jogador nascido em terras argentinas. Já provou todo o seu talento pelo Barcelona, mas ainda precisa ganhar um título pelo seu país para ser um ‘imortal’ por aquelas bandas.

Sua última chance será em 2018. A equipe azul e branca não tem o mesmo padrão de jogo que a vice-campeã de 2014. Falta entrosamento no time e qualidade técnica no setor defensivo.

A priori, a Argentina, vai para a Rússia mais pelo peso da camisa e por ter Lionel Messi no elenco. Jorge Sampaoli que chegou na reta final das Eliminatórias terá menos de um ano para por esse time no eixo.

Bom, como não poderia faltar nessa postagem, o Heavy Metal. O encantador das bandas argentinas é que muitas delas sempre cantaram em espanhol. Preservando (não sei se intencionalmente) o idioma local.

O primeiro nome que surgiu foi o Rata Blanca. O grupo porteño fez muito sucesso nos anos 80 com seu estilo mais hard’n’metal e as letras românticas ( as vezes até demais).

No entanto, a banda que quero exaltar aqui é o A.N.I.M.A.L.

Diga para um argentino headbanger que você conhece A.N.I.M.A.L. e os olhos dele brilharão de alegria.

O Power trio de Buenos Aires  iniciou a carreira com um Thrash Metal ‘old school’ e aos poucos, como muitos grupos argentinos, fez uns ritmos experimentais e um vocal mais New Metal.

A canção que recomendo é “No despertaremos” do álbum de estréia “Acosados Nuestros Inidios Murieron Al Luchar”. O disco todo é muito bom. Gosto muito da ênfase que eles dão ao baixo. Um instrumento muito importante, porém com pouco espaço em bandas de thrash/death.

Confira:

 

 

Islândia

(Por Leonardo Cantarelli)

Sempre que se escuta falar sobre os países nórdicos da Europa nos lembramos da Dinamarca, Suécia, Noruega e Finlândia. Os quatro são exemplos de sociedades modernas, ótimos índices de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), bons lugares para se fazer turismo e claro, muitas e muitas bandas de Heavy Metal. Muitos gêneros e sub-gêneros do metal surgiram naquela região.

No entanto, alguém em algum momento diz que existe outra nação ali, meio isolada e pouco habitada chamada Islândia.

Pouco se sabe sobre este país. Pouco explorado e visitado pelo resto do planeta.Uma capital de difícil pronuncia (Reykjavik), uma língua difícil de aprender e nenhuma pessoa famosa saiu de lá.

No entanto, a Islândia vem chamando a atenção do mundo nesta década através do futebol. Um país com uma mísera população de 330 mil habitantes conseguiu se garantir pela primeira vez na Eurocopa e foi em 2016. Muitos acreditaram que na França os Stakanir Okkar seriam meros sacos de pancada. No entanto, na primeira fase somaram 5 pontos em três jogos disputados. Estrearam empatando com Portugal (que seria o campeão do torneio) por 1 a 1. O mesmo placar se repetiu com a Hungria e depois bateram a Áustria por 2 a 1.

Nas oitavas de final, o adversário foi a Inglaterra e os nórdicos venceram por 2 a 1. Festa para a sensação do Velho Continente e decepção para os inventores do futebol.

Na sequência, os islandeses acabaram derrotados para a França por 5 a 2.

No entanto, a campanha teve sabor de título para os debutantes em competições continentais.

A meta depois era conseguir uma vaga na tão sonhada Copa do Mundo. E não é que aconteceu! Em um grupo com seleções tradicionais como Croácia e Turquia, os comandados de Heimir Hallgrimsson ficaram na primeira colocação e garantiram vaga direta. Sem precisar ir para a repescagem. Um segundo feito histórico. Vale ressaltar que diferente de times de outras décadas, esta ótima geração é profissional e todos os atletas convocados atuam no exterior.

Destaque para o meia Aron Gunnarson, capitão e que atua no Carddif City, que disputa a Premier League.

O grande nome do futebol naquele país,Eiour Gudjohnsen, com passagens por Barcelona e Chelsea, já tem 39 anos e não vem sendo convocado.

O time da Islândia é uma incógnita no evento que ocorrerá na Rússia, mas certamente a torcida que faz um cântico viking uníssono junto com os atletas, marcará presença e será destaque novamente.

Já na música pesada, achar alguma banda islandesa é muito difícil. Como é o Heavy Metal em um país que tem por volta de 330 mil habitantes?

A melhor que encontrei, e valeu muito a pena conferir, é a SKÁLMÖLD. Oriunda da capital dos debutantes na Copa da Rússia, começou as atividades em 2009 e desde então já lançou 4 álbuns de estúdio. Seu estilo é um típico Viking/Folk Metal nórdico. As letras são em islandês.

A música que recomendo é “Ao Vetri” do penúltimo álbum “Med Vaetum“, 2014 e mostra um ritmo intenso e divertido da banda:

 

 

Croácia:

(Por Leonardo Cantarelli)

Em 25 de junho de 1991 a Croácia se tornaria um país independente. Os croatas finalmente conseguiram se separar da Iugoslávia. No ano seguinte, sua antiga nação ocupa o território do estado independente e a paz só reinaria de fato em 1995, com vitória dos croatas.

Três anos depois, a Croácia faria sua estréia em Copas do Mundo. A nação mais nova a disputar o torneio de futebol mais importante de seleções. Mesmo estando ainda na infância como país, a nação do leste europeu surpreendeu a todos e terminou com um honroso terceiro lugar. Ali sairia o primeiro herói futebolista croata: Davo Suker. O atacante anotou 6 gols e foi artilheiro da competição sediada na França.  É o atleta que mais gols anotou com a camisa branca e quadriculares vermelhos. 45 tentos em 68 partidas.

Os croatas ainda participariam dos mundiais de 2002,06 e 14, mas acabariam eliminados na fase de grupos.

A meta em 2018 é voltar a surpreender o planeta como em 1998. 20 anos daquela histórica campanha. Elenco para isso há: os volantes Lukas Modric e Ivan Rakitic são titulares de Real Madrid e Barcelona respectivamente. Ivan Perisic atua na Inter de Milão e o centroavante Mario Mandzukic atualmente na Juventus conta com boas passagens por Wolfsburg, Bayern Munique e Atlético de Madrid.

Já no Heavy Metal meu destaque fica para a banda WAR-HEAD que excursionou no Brasil nesta década. Em 2013 abriu para o Tankard  e no ano seguinte se apresentou em várias cidades, inclusive no interior de São Paulo.

O grupo natural da cidade de Osijek começou as atividades em 2002. O trio que pratica um thrash/death metal já lançou três álbuns de estúdio: “No Sings Of Armagedon” (2008), “…Still No Signs Of Armagedon” (2011) e “Imperium Mundi” (2014).

A música recomendada é “Mass Imolation“,’ do álbum “Imperium Mundi” que define bem o estilo da banda. Confira:

 

 

Nigéria:

(Por Leonardo Cantarelli)

A década de 90, sem dúvida, é o grande destaque do futebol nigeriano.  Em 1994 faturaram pela primeira vez a Copa Africana de Nações.  Neste mesmo ano estrearam em Copas do Mundo e fizeram uma campanha digna. Na primeira fase, enfrentaram Bulgária, Grécia e Argentina e somaram 6 pontos em três jogos. Superaram os europeus e foram derrotados pelos sul-americanos. Mesmo com este revés, acabaram líderes da chave. Nas oitavas de final encararam a Itália, futura vice-campeã. Estavam vencendo por 1 a 0 até os 44 do segundo tempo, quando o craque Roberto Baggio empatou a partida. Na prorrogação, o próprio Baggio virou o marcador para os italianos. A eliminação foi traumática, mas honrosa, pelo fato de nunca terem estado em Copas.

Dois anos depois, as Águias Verdes foram medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. Superaram o Brasil na semifinal e a Argentina na decisão.

Em 1998, novamente marcaram presença em Copas do Mundo. Em sua chave, os rivais foram Espanha, Paraguai e Bulgária. Novamente somou 6 pontos, onde superaram os europeus e sofreram revés dos sul-americanos. Mesmo assim, foram líderes de sua chave. Nas oitavas de final acabaram goleados pela Dinamarca por 4 a 1.

Jogadores como Taribo West, Jay-Jay Okocha, Daniel Amokachi e  Nwankwo Kanu estão eternizados como ídolos da nação cuja capital é Abuja.

Os Soldados Verdes participariam ainda das edições de 2002 e 10, mas sem passar de fase. Em 2014, repetiram o feito dos anos 90, onde ficaram em segundo lugar na chave e avançaram às oitavas de final. Argentina, Bósnia e Irã foram os rivais. No mata-mata acabaram derrotados pela França por 2 a 0.

A meta em 2018 é tentar fazer uma campanha melhor do que a dos anos 90 e em 2014. Não será fácil, pois os adversários da primeira fase são Argentina, Croácia e Islândia. Seleções, ao menos, no mesmo nível dos africanos.

Já no heavy metal , a cena é praticamente underground e desconhecida. Difícil encontrar informações sobre os headbangers nigerianos. As poucas que tem, são em inglês e mesmo assim não há muitos detalhes sobre o metal pesado nigeriano.

O único grupo encontrado é o 1 LAST AUTOGRAPH que pratica um ‘metalcore’ com pitadas de punk,hardcore e até  pop. O grupo da cidade de Lagos iniciou as atividades em 2014 e lançou o EP “Sickle Cell Amnesia“. Confira o lyric-video da música “With Open Arms” abaixo: