Copa do Metal (Grupo A)

O ano de 2018 está próximo e a grande expectativa é pela Copa do Mundo. O evento que ocorre a cada 4 anos é o mais importante  do futebol e que o planeta todo o acompanha.

Sabendo que existem muitos fãs do esporte mais popular e de heavy metal, o Portal do Inferno preparou um especial misturando essas duas paixões.

Escrevemos sobre as 32 seleções que irão à Rússia em 2018 (história em Copas, tradição no futebol, expectativa por uma boa ou má campanha e etc.) e também escolhemos uma banda de metal de cada nação.

A divisão usada para a publicação das matérias será dos grupos em que cada seleção caiu.

GRUPO A

Rússia

(Por Flávio Diniz)

A Rússia é de longe o maior país do mundo em extensões territoriais. Seus mais de 17 milhões de quilômetros quadrados cobrem mais de um nono da área terrestre do planeta. No entanto, sua população é menor do que a brasileira, por exemplo. Atualmente são cerca de 144 milhões. Seu atual presidente é Vladimir Putin, figura frequente em sites do notícias devido a algumas declarações polêmicas envolvendo dentre outras coisas, terrorismo e potencial nuclear.

Em 1994, nos Estados Unidos, a Rússia disputava seu primeiro torneio oficial como Rússia, após a União Soviética ter sido dissolvida em dezembro de 1991. Na ocasião, a equipe caiu em um grupo com Brasil, Suécia e Camarões e não chegou às fases eliminatórias do torneio. Após perder para Brasil e Suécia, goleou Camarões por 6×1 e terminou em terceiro lugar do grupo B. Nas outras duas participações, em 2002 no Japão, onde ficaram hospedados e em 2014 no Brasil também não foram além da fase de grupos.

Na Eurocopa, seu desempenho também nunca teve grande destaque. Sua melhor campanha ocorreu na edição de 2008, quando chegou às semifinais, vencendo a então atual campeã Grécia e a Suécia na fase de grupos. No mata-mata derrotou a Holanda, mas caiu diante da forte Espanha, seleção campeã daquele ano. Dessa maneira, a Rússia ao lado da Turquia foi considerada a terceira colocada do torneio, pois não havia partida de desempate ou disputa de terceiro lugar.

No próximo ano, a Rússia recebe uma edição de Copa do Mundo pela primeira vez na história e com o apoio de sua torcida espera ir mais longe e, dessa forma escrever sua melhor campanha em torneios da FIFA.

Muitas bandas se destacam na Rússia e há uma grande variedade de estilos, embora o Power metal aparentemente leve uma certa vantagem. No entanto escolhemos uma banda difícil de rotular. Fundada em 2002, o ARKONA ou Аркона descreve seu estilo como Pagan/Folk Metal. E embora no geral o Folk se destaque bastante, em muitos momentos há a velocidade e a agressividade do Black metal. Com uma boa mistura de vocais e de estilos, tornando uma banda que foge do comum e muito interessante.

A música “Liki Bessmertnykh Bogov” está presente no álbum “Goi, Rode, Goi!” lançado pela Napalm Records em outubro de 2009. Confira o videoclipe abaixo:

 

Arábia Saudita

(Por Flávio Diniz)

 O país com maior território na Ásia e na península arábica teve sua independência declarada somente em 1926. O nome Saudita tem origem pelo nome de seu fundador Abd AL-Aziz Al Saud, mais conhecido por sua vida adulta como Ibn Saud. Foi o primeiro rei do país, que tem como sistema político a monarquia absoluta teocrática. A Arábia Saudita é considerada uma potência graças a seus recursos naturais, como as enormes reservas de petróleo e de gás natural, entre as maiores do mundo.

Em sua bandeira verde há uma espada branca sob as inscrições em árabe, que significam “Não há deus senão Alá, e Maomé é o seu mensageiro”.

A seleção da Arábia Saudita chega à sua quinta copa do mundo. Sua primeira participação ocorreu em 1994 nos Estados Unidos, quando se viu no grupo F ao lado de Holanda, Bélgica e Marrocos. Foi em sua estreia também que o país teve a melhor campanha de sua história, finalizando em oitavo lugar da competição ao ser eliminado pela Suécia por 3×1. Após a copa dos Estados Unidos, os árabes classificaram-se para as três próximas edições do torneio, na França em 1998, Japão e Coréia do Sul em 2002 e Alemanha em 2006 e foram eliminados na fase de grupos nas três ocasiões.

Após duas edições sem se classificar, a Arábia Saudita está de volta, tendo conquistado a vaga direta para a Rússia no ano que vem, sem necessidade de passar pela repescagem. A seleção alcançou os 19 pontos do grupo B das eliminatórias da Ásia após derrotar os japoneses por 1×0. No mundial, a equipe será comandada pelo argentino Juan Antonio Pizzi, ex-técnico da seleção chilena que foi contratado para substituir seu compatriota Edgardo Bauza, conhecido dos brasileiros por ter treinado o São Paulo em 2016.

Em um país frequentemente relacionado ao extremismo, é de se imaginar que o Heavy Metal nunca transpassará suas fronteiras, certo? O AL-NAMROOD não está nem aí pra isso. A banda foi fundada em 2008 na cidade de Al-Khobar. Suas letras abordam histórias antigas, a escuridão e criticam religiões. O estilo adotado pela banda é o Black/Folk Metal, embora tenha muita levada, passagens que remetem ao Death Metal e alguns toques típicos de músicas do oriente médio. Seu trabalho mais recente é o álbum “Enkar”, sexto full-length de sua carreira, lançado este ano.

Selecionamos o ótimo e polêmico videoclipe da música “Hayata Al Khezea” do álbum “Diaji Al Joor” de 2015.

 

Uruguai

(Por Leonardo Cantarelli)

José Mujica, Eduardo Galeano, Carlos Gardel, Obdulio Varela, Alcides Ghiggia, Enzo Francescoli, Diego Forlán e mais recentemente Luiz Suárez e Edinson Cavani. Pode um país que tem em torno 4 milhões de habitantes ter presidentes, escritores, músicos e jogadores de futebol tão importantes para o mundo?

Sem falar na hospitalidade do povo uruguaio, no churrasco (nota 10),na simplicidade da paisagem campestre que nos faz pensar que estamos no século XIX, além da Rambla de Montevidéu aos finais da tarde vendo o pôr do sol.

Impossível não amar a República Oriental do Uruguai.

Sobre o futebol, dispensa apresentação. Bicampeão olímpico (1924/28), bicampeão do mundo (1930/50), além de ser o primeiro campeão de Copa do Mundo e o primeiro país a sediar o evento. Vale ressaltar que no sul-americano de 1916, o Uruguai foi a única delegação que levou jogadores negros (Isabelino Grandin e Juan Delgado) e possivelmente foi o primeiro país a admitir atletas negros em seu plantel. Nos anos 20, Leandro Andrade era um dos destaques da Celeste multicampeã e é tido como o primeiro negro craque da história do futebol.

Ainda em solos uruguaios, os principais clubes, Peñarol e Nacional, juntos, somam 8 Libertadores e 6 Mundiais de Clubes.

Por conta desse rico histórico, o futebol é motivo de orgulho no Uruguai. Por onde se anda, há alguma referência a este esporte que fez esta nação ser conhecida mundialmente.

Para o Mundial de 2018, os sul-americanos chegam com a dupla Suárez e Cavani em seu auge. Possivelmente é a última chance dos dois ganharem algo marcante pela seleção, além da Copa América. Ambos, ao lado de Forlán, em 2010, levaram o Uruguai até a semifinal do Mundial na África do Sul. Além dos dois atletas de 30 anos e oriundos da pequena cidade de Salto, destaques para o goleiro Fernando Muslera e o zagueiro Diego Godin.

A Celeste teve sorte nos chaveamentos e está no grupo A ao lado de Rússia, Egito e Arábia Saudita. Os comandados de Óscar Tabarez tem condições de terminar a primeira fase com 9 pontos ganhos.

Sobre o Heavy Metal, as bandas são praticamente desconhecidas fora de suas fronteiras. Em geral, cantam em espanhol e as principais tendem ir para um som mais extremo.

Destaco aqui um dos pioneiros do rock pesado uruguaio: o CHOPPER.

O Faca de Açougueiro (significado do nome da banda) surgiu no final dos anos 80 e é referência para os jovens headbangers daquele país. Seu som é um Heavy Metal tradicional com uma boa pegada Thrash. A banda que durou até 2002 e retornou em 2013, tem três álbuns de estúdios.

O ‘petardo’ recomendado é  “Ruído Blanco” do segundo álbum de estúdio da banda chamado “Sangrando” (1997). Confira:

 

Egito

(Por Leonardo Cantarelli)

As enigmáticas pirâmides, a mística esfinge, o rio Nilo e as histórias de suas antigas civilizações fazem o Egito ser, possivelmente, o país mais famoso da África.

No futebol é referência no continente. Foi a primeira nação africana a disputar uma Copa do Mundo. Ocorreu em 1934 na Itália. Na ocasião, o torneio era mata-mata e os Faraós perderam nas oitavas de final (primeira fase) para a Hungria por 4 a 2. Os dois tentos dos egípcios foram anotados por Abdel Fawzi e que se tornou, por conseqüência, o primeiro africano a anotar gols em Copas do Mundo.

O Egito também foi o primeiro campeão da Copa Africana de Nações (1957). Sediou e venceu a segunda edição em 1959. No momento, os Faraós são heptacampões (maiores vencedores do torneio) e os únicos que foram tricampeões (2006/08/10).

Já pela Copa Africana de Clubes, os times do Egito possuem 14 títulos, mantendo uma hegemonia no continente. O Al-Ahly  ganhou 8, Al-Zamarek 5 e o Ismaily 1.

Al-Ahly e Al-Zamarek, os dois maiores campeões deste torneio, fazem possivelmente o clássico mais intenso e disputado da África. É tido como uma das maiores rivalidades do mundo e em alguns casos, uma das mais perigosas.

Entretanto, apesar dessa soberania, o que faltava de fato para o Egito é ter presença mais constante em Copas do Mundo. Incrível como os Faraós sempre fracassavam em Eliminatórias.

Esta será apenas a terceira vez que irão para o Mundial. A outra foi em 1990, também na Itália, e também eliminados na primeira fase.

Mesmo sendo tricampeões da Copa Africana na década passada, faltou chegar a uma Copa do Mundo.

Agora os comandados de Héctor Cuper terão como missão na Rússia honrar as cores do país árabe e tentar ao menos passar de fase.  Fazer esta nação apaixonada por futebol ter uma campanha digna no torneio mais importante de seleções . O destaque do time fica para o atacante Mohamed Salah atualmente no Liverpool. O atleta de 25 anos se destacou na equipe multicampeã suíça do Basel e conta com passagens por Chelsea, Fiorentina e Roma.

Já no heavy metal, as bandas não são conhecidas fora de suas fronteiras. Não é muito fácil encontrar grupos egípcios. Dentre os poucos que escutei, destaco a banda chamada WYVERN. Estes são oriundos de Cairo e em seu único CD lançado, “The Clown” (2009), praticam um heavy metal tradicional com algumas pitadas de Power metal. Confira: