Dead Kennedys

Sem pisar no Brasil desde 2001, a banda punk Dead Kennedys volta ao país mais uma vez sem Jello Biafra, ex-vocalista e desafeto dos membros remanescentes, mas com vontade de mostrar um rosto novo, ainda que cantando os clássicos da banda: Ron “Skip” Greer, cantor do grupo há quatro anos e ainda “virgem” nos palcos nacionais.

Em entrevista ao UOL, o baixista Klaus Flouride levanta a moral de Skip, conhecido pelo trabalho com o grupo The Wynona Riders. “Foi difícil no começo, mas ele entrou no esquema, acho que vai ter uma boa resposta da galera no Brasil”, afirma Flouride, que explica como o grupo tira o peso das costas do cantor das comparações em relação a Biafra, que era o principal rosto da banda durante a década de 1980. “Os dois têm estilos diferentes, ninguém faz cópia do Jello Biafra. Quanto ao palco, nós somos melhores músicos depois de todos esses anos, então Skip só precisa se preocupar durante o intervalo entre as músicas”, diz. O grupo inicia turnê nesta quinta-feira (18), em Curitiba.

Flouride lamenta ter menos tempo para curtir o país nesta turnê do que há 12 anos. Familiar com os nomes mais famosos da cena punk brasileira como Ratos de Porão, Inocentes e Cólera, o baixista relembra a surpresa que teve com o público do Brasil. “Eles eram fanáticos, gostei muito do Brasil. E há ainda o fato deles parecem compreender o que falamos em inglês, isso ajuda”, afirma o baixista, que também ficou impressionado com o tamanho do país. “Quando a gente viajou de Curitiba pra São Paulo parecia que demorava anos!”

Para a série de quatro shows no Brasil – além de Curitiba, a banda se apresenta em Americana, Olinda e São Paulo –, os fãs devem esperar um setlist fincado nos principais sucessos da banda como Too Drunk To Fuck, Nazi Punks Fuck Off, Holiday in Cambodia e o eterno hino punk California Über Alles. “Somente uma música no setlist será algo inesperado. Acredito que os fãs querem encontrar algo com que se identifiquem quando vão a um show”, diz Flouride.

Mas o baixista está ciente de que a banda precisa apresentar coisas novas e explica a distância entre os membros empaca a criação de novas músicas.“A gente mora em cidades muito distantes, tem gente em San Francisco, o Skip [vocalista] é de Nova York, isso complica as coisas. E eu não sou muito favorável a fazer música usando Dropbox, YouSendIt”, afirma o músico, citando serviços usados para transmissão de arquivos, que poderiam facilitar a troca de sons entre os integrantes.

“Os fãs podem esperar coisas novas, mas nós não vamos colocar um prazo nisso. A gente tem uma obrigação com fazer coisa nova, não com datas”, diz Flouride.

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