Soulfly: Max volta ao Brasil para shows

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Apesar dos prenúncios, Max Cavalera não acredita que o mundo vá acabar em 2012.

Mas tenho certeza de que a gente entrou na época do armagedon — diz o fundador e ex-integrante do Sepultura, grupo de heavy metal que pôs o Brasil no mapa-múndi do rock. — O que está acontecendo agora no mundo, esses lances de Israel com o Irã, todas as devastações naturais… Tudo isso é parte do apocalipse.

Tempos ruins para a Humanidade, mas bons para o Soulfly, seu grupo pós-Sepultura, que completa 15 anos lançando seu oitavo álbum, Enslaved (nas lojas no dia 12 de março) e fazendo shows no Brasil, onde não se apresentava há pelo menos uma década.

Dia 26, no Rio

Max toca com o Soulfly no dia 24 em Goiânia (no Sol Music Hall), 25 em São Paulo (Santana Hall) e 26 no Rio (Circo Voador). Será a primeira vez da banda no Rio e em Goiânia. A grande novidade para os shows brasileiros é que o Soulfly traz na bateria Zyon, o filho mais velho de Max, de 18 anos aquele cujo coração, ainda no útero da mãe, pode ser ouvido na introdução de “Refuse/resist”, clássico do Sepultura.

Era um lance que eu queria fazer especialmente para o Brasil — conta Max. — Quando eu voltar da Austrália (aonde ele foi para tocar com o grupo Cavalera Conspiracy, que montou com o irmão e também ex-Sepultura Iggor) vou ensaiar com o Zyon para ficar perfeito. Mas ele conhece o material todo do Soulfly e também alguma coisa do Sepultura.

A história de como um moleque metaleiro de Belo Horizonte virou ídolo do rock e, depois, um orgulhoso pai de família, Max promete contar em “A boy from Brazil”, autobiografia que ele pretende lançar até o Natal. Feito a quatro mãos com o escritor John McIver, autor de várias biografias de artistas do metal, o livro terá prefácio de Dave Grohl (cantor dos Foo Fighters e ex-baterista do Nirvana) e “muitas histórias que poucos conhecem”.

Quando eu tinha 9 anos, meu pai, que era italiano, me levou para a Europa, e eu fui batizado numa cerimônia em latim nas catacumbas do Vaticano. Um mês depois disso, ele morreu — revela Max. — Mas tem coisa mais engraçada também, tipo eu vomitando na perna do Eddie Vedder em uma turnê do Ministry. O cara levantou, se limpou e nem ficou bravo, não. Logo depois, eu perguntei se ele podia dar um autógrafo para a minha irmã. E falei que não gostava de Pearl Jam!

Os shows brasileiros darão aos fãs a chance de conhecer, em primeira mão, algumas faixas de Enslaved, disco que Max considera “o mais agressivo” que o Soulfly já fez. As letras versam sobre escravidão (Chains, Gladiator), vingança (Revengeance) e as desgraças do mundo (“World scum”). As músicas remetem ao mais visceral death metal.

O disco ficou com uma pegada death do final dos anos 1980, de Morbid Angel, Possessed e Dark Angel, coisas que a gente ouvia naquela época — diz Max, que também promete fazer uma viagem no tempo no repertório dos shows brasileiros do Soulfly.

Vou fazer meio que um maiores sucessos do grupo — diz ele, citando como barbadas Eye for an eye, Bleed e Tribe (de Soulfly, 1998), Primitive e Bring it (de Primitive, 2000), Seek’n’strike (do “III”, 2002) e Prophecy (de Prophecy, 2004).

Algumas músicas do Sepultura (banda da qual saiu em 1996, brigado com o irmão e os outros integrantes) devem fazer parte do repertório.

Dá pra tocar ainda Roots, Refuse/resist, uma Troops of doom para lembrar das antigas… Vou deixar essas três guardadas para o Circo Voador promete ele, que tem especial carinho pelo Circo, onde se apresentou ao lado de bandas como Ratos de Porão e Dorsal Atlântica.

Outro dia, eu estava usando uma camisa do Dorsal, e o Igor (seu filho mais novo) viu e falou: “Ih, essa é aí é legal, é das antigas!” Aí eu disse: essa foi o Carlos Punk (Carlos Lopes, vocalista e guitarrista do Dorsal) que pintou para mim!

Morando há quase duas décadas em Phoenix, no Arizona, com a mulher, os filhos e os enteados, Max Cavalera é um cara cada vez mais família. Ao jeito da sua família, claro.

Minha casa virou estúdio, é a maior barulheira o dia inteiro. Moleque entrando e saindo com guitarra, parece casa de doido — diz.

E muito mais família ainda depois que fez as pazes com o irmão Iggor, e com ele montou o Cavalera Conspiracy.

Hoje em dia, a gente se dá superbem. Nessas turnês do Cavalera, dá para a gente passar tempo junto, conversar em português, ir à churrascaria e falar do Palmeiras, que tá uma merda… — diz Max, que chamou o irmão para tocar com o Soulfly em SP.

 

 

Redação

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