Foram mais de seis anos de espera para que os fãs brasileiros de DIMMU BORGIR pudessem vê-los novamente. Em passagem pela América Latina para a divulgação do álbum “Eonian”, lançado neste ano, e comemorando 25 anos de carreira, a banda norueguesa fez um único show no Brasil, no Tropical Butantã, em São Paulo (SP), na sexta-feira, 9 de novembro.

A abertura da noite ficou com a banda venezuelana CULTURA TRES. Pela primeira vez no País, o grupo formado por Alejandro Londoño (vocal e guitarras), Juan de Ferrari (guitarra), Darrell Lacle (baixo) e Benoit Martiny (bateria) trouxe um sludge/post metal pesado e muito bem trabalhado para o público que chegava à casa. No entanto, logo na primeira música, eles enfrentaram problemas técnicos com os microfones. Sem se intimidar, Alejandro parou a performance, os equipamentos foram ajustados e, em um ótimo português quase sem sotaque, o vocalista comentou que eles não vieram de tão longe para não tocar, agradeceu o apoio do público e recomeçou a apresentação. Muito carismático, ele também disse que era um sonho tocar no Brasil e que, quando era criança, eram pôsteres do Sepultura que decoravam o seu quarto, e a declaração animou e arrancou aplausos e gritos dos presentes.

Dimmu Borgir
Dimmu Borgir

A banda, hoje baseada na Holanda, já tem quatro álbuns lançados, sendo o mais recente “La Secta” e, em um show de cerca de 40 minutos, incluiu sons em espanhol e inglês que definem sua trajetória e representam o metal sul-americano. Para a última música, “El Sur de La Fe”, Alejandro fez um discurso intenso: disse que cresceu na Venezuela, um país quebrado e dividido pela política e pela religião. O músico pediu para que nós, brasileiros, não deixássemos que nosso lindo país fosse dividido dessa forma e lembrou que o metal nos une. Sem dúvida, esta passagem foi uma ótima estreia para a banda, que tem enorme potencial para ganhar mais fãs no Brasil.

Com novo disco, novidades na formação e diferente direcionamento musical (gostem ou não), o DIMMU BORGIR se apresentou para uma casa consideravelmente cheia, mas não lotada. Os fãs acompanharam empolgados cada momento do curto setlist de apenas 12 músicas, das quais cinco foram do álbum “Eonian”. No palco, Shagrath (vocal), Silenoz (guitarra), Galder (guitarra), Daray (bateria), Gerlioz (teclados) e Victor Brandt (baixo) impressionaram com a técnica e a precisão na execução das músicas. Os fãs desempenharam um papel fundamental nesse show, sempre reagindo com muitos gritos, aplausos e cantando todas as músicas com intensidade. No palco, a sempre marcante presença de palco teatral de Shagrath tornou o espetáculo muito mais intenso.

O show começou logo com dois sons novos em sequência, “The Unveiling” e “Interdimensional Summit” e, além dessas, “I Am Sovereign”, “Council of Wolves and Snakes” e “Archaic Correspondence” também estavam no setlist. O novo álbum em si não é aquilo que estamos acostumados a ouvir do DIMMU BORGIR, mas as músicas funcionam bem ao vivo, com muito peso em orquestrações e sintetizadores, e, aparentemente, agradou ao público brasileiro. Entre uma música e outra não houve muito papo, apenas alguns agradecimentos, o que fez a dinâmica do show ser bem rápida. Sons fundamentais da carreira da banda norueguesa também foram lembrados, como “The Serpentine Offering”, “Gateways” e a clássica “Puritania”.

A parte final da noite trouxe um a trinca poderosa com “Indoctrination”, “Progenies of the Great Apocalypse” e a incrível “Mourning Palace”, que encerrou a apresentação. Shagrath agradeceu a presença de todos e, em especial, do amigo Marcelo Vasco, designer gráfico e guitarrista da banda Pátria, que veio do Rio Grande do Sul para acompanhar a apresentação. Assim como ele, muitos fãs vieram de longe para essa chance única de rever um dos maiores ícones do Black Metal norueguês e o vocalista ainda prometeu que a banda voltará em breve. Em um balanço geral, foi uma noite boa. É preciso levar em consideração a grande competência da banda no palco, mas o setlist curto desapontou muitos fãs que esperaram tantos anos para vê-los.

Setlist:

  1. The Unveiling
  2. Interdimensional Summit
  3. The Chosen Legacy
  4. The Serpentine Offering
  5. Gateways
  6. I Am Sovereign
  7. Council of Wolves and Snakes
  8. Archaic Correspondence
  9. PuritaniaBis:
  10. Indoctrination
  11. Progenies of the Great Apocalypse
  12. Mourning Palace

Renata Santos

Sou formada em jornalismo e colaboro com sites de música há quase dez anos. Integro a equipe do Portal do Inferno desde 2011.