A primeira impressão que uma pessoa pode ter ao ouvir Quarterpast, o álbum de estreia do MaYan, é que se trata de um trabalho um tanto quanto cansativo. Mark Jansen e companhia trouxeram músicas densas e que exigem uma boa dose de atenção. No entanto, ao vivo a história toma outro rumo e MaYan se transforma em uma boa surpresa, com um show intenso e fãs enlouquecidos, a fórmula perfeita do heavy metal. Na noite de 26 de novembro, o Carioca Club, em São Paulo, recebeu o último show da turnê de 2011 do MaYan – e única apresentação no Brasil, após os shows serem cancelados em Curitiba e no Rio de Janeiro.

As atividades começaram bem cedo, logo após a abertura da casa, com o show da banda Mellinne. Com um set bem curto, a banda incluiu um cover de Iron Maiden e tocou para as poucas pessoas que estavam lá antes do horário anunciado do show.

Às 19h15 – 45 minutos mais cedo que o anunciado – uma introdução deu o sinal para que cada integrante do MaYan tomasse seu lugar no palco e a noite começou com a poderosa Symphony of Aggression. Vale destacar a empolgação do público ao ver Simone Simons e Floor Jansen no fundo do palco, como se elas estivesse lá na frente, cantando para cada um. Aliás, o desenho do palco não favoreceu as duas divas do metal. Ficar no fundo, posicionadas como backing vocals definitivamente não é para elas, frontwomen naturais. Mas isso não deixou a qualidade do show cair e a cada movimento das duas, a cada aparição à frente da banda, os fãs se empolgavam mais.

O show seguiu com os outros sons de Quarterpast: Mainstay of Society, The Savage Massacre, Quarterpast, Course of Life, e a cada música, seus “convidados especiais” Simone, Floor e Henning Basse entravam e saiam do palco, enquanto Mark fazia questão de perguntar se todos estavam bem e se divertindo e até arriscou algumas frases em português, como “vocês são foda!”. Então, Mark anunciou uma música para todos admirarem e chamou ao palco a cantora de ópera italiana Laura Macri, para o seu belíssimo momento em Essenza di Te. Em seguida, a banda tocou um cover de Epica, Incentive, que, pelas palavras do vocalista, é uma música que não tocam com muita frequência. Nesta música, Mark desceu até o pit – o espaço entre o palco e a grade que separa do público – e cantou lá até o fim, interagindo com os sortudos fãs que estavam na frente.

O show continuou com Celibate Aphrodite e, então, Mark passou o bastão para Henning. O vocalista do Sons of Seasons ganhou a simpatia de todos com um medley de quatro músicas do Iron Maiden: The Number of the Beast, The Trooper, Fear of the Dark e Run to the Hills. Ouvir Iron Maiden, não importa onde e como, é sempre muito bom e foi um dos pontos altos do show. Vale à pena destacar a execução poderosa de Ariën van Weesenbeek na bateria, que deu mais peso e velocidade às músicas. A primeira parte do show se encerrou com Bite the Bullet e Drown the Demon e, mais uma vez, o público pirou com Simone e Floor.

A banda saiu do palco e, do backstage, Mark dizia que não conseguia ouvir os gritos e Simone entrou na brincadeira. Os gritos chamando pela vocalista do Epica se intensificaram e Mark disse que os fãs teriam a chance de ver todas as vocalistas e que começariam por Laura. A bela ópera O Sole Mio iniciou o bis, que continuou com mais MaYan, em War on Terror.

Então, o líder anunciou que a noite já estava acabando e que faltavam três músicas: mais uma do MaYan, Sinner’s Last Retreat e duas surpresas. Todos sabiam o que iria acontecer e, quando Simone subiu ao palco para, finalmente, ter seu grande momento, a alegria dos fãs fez Mark reconhecer que ela dispensava apresentações. Cry for the Moon foi a primeira surpresa. Mais de dez minutos intensos de uma das músicas mais poderosas do Epica. E, para fechar a noite, Follow in the Cry, do After Forever, mostrou que Floor Jansen está muito bem de saúde e em cima do palco. Com a voz perfeita, presença de palco e execução impecáveis, a vocalista deixou na galera um sentimento enorme de alegria por presenciar aquele momento. Nesta música, todos os integrantes participaram.

E assim, neste clima de união e gratidão, com os 11 integrantes da banda abraçados e agradecendo ao público paulista, o show do MaYan chegou ao fim deixando um sorriso no rosto de cada fã. Henning, no meio da apresentação, disse que este foi o último show dessa turnê e ouviu a casa inteira gritando “ahhhhhh” e perguntou: “mas nós temos um futuro, certo?”. Se o futuro do MaYan depender da competência do som e da paixão dos fãs de São Paulo, sim, eles têm um futuro e será muito promissor.

 

Setlist:

Symphony of Aggression
Mainstay of Society
The Savage Massacre
Quarterpast
Course of Life
Essenza di Te
Incentive
Celibate Aphrodite
Iron Maidley
– The Number of the Beast
– The Trooper
– Fear of the Dark
– Run to the Hills
Bite the Bullet
Drown the Demon

Bis

O Sole Mio
War on Terror
Sinner’s Last Retreat
Cry for the Moon
Follow in the Cry

 

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Renata Santos

Sou formada em jornalismo e colaboro com sites de música há quase dez anos. Integro a equipe do Portal do Inferno desde 2011.

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