A noite do dia 10 de abril, no La Iglesia em São Paulo, foi reservada para a primeira de três apresentações no Brasil (as duas outras seriam Sorocaba, dia 11, e Rio de Janeiro, dia 12) do vocalista estadunidense Robert Lowe, com seu projeto solo, Disciple of Doom. Ele foi o vocalista do Candlemass entre 2006 e 2012, com quem lançou três álbuns de estúdio, um ao vivo e um EP, mas é conhecido no underground por ser a voz de outra clássica banda representante do epic doom metal, o Solitude Aeturnus. Sendo assim, a expectativa para este evento era grande para os fãs do estilo.

Robert Lowe. Foto: Leandro Pena.

Apesar de acanhado, o La Iglesia recebeu um ótimo público, sendo até difícil se movimentar pela casa. E com essa atmosfera, às 22h20 (horário informado pela produtora), Rob subiu ao palco com três músicos brasileiros, já conhecidos do underground: Fábio Carito (Trend Kill Ghosts, Metalium, passagens por Warrel Dane e Shadowside) no baixo, Bruno Luiz (The Heathen Scÿthe, Gloria Perpetua, Command6) na guitarra e nos vocais de apoio,  e Rodrigo Abelha na bateria.

Declamando a capella os primeiros versos de Samarithan, clássica canção do Candlemass, a banda iniciou com Emperor of the Void (do álbum “King of the Grey Islands”, de 2007), já emendada com The 9th Day: Awakening (do “Through the Darkest Hour”, de 1994), aqui com uma participação em massa da plateia. Lament e Devil’s Seed vieram em seguida. Neste início ocorreu uma instabilidade no retorno do Rob, logo resolvido, e notei que, nas primeiras canções, a voz dele ficou mais baixa que os outros instrumentos, especificamente da primeira fila. Conversando com outros presentes, constatei que em outros pontos da casa podia-se ouvi-lo sem problemas nessa parte do show.

A escolha dos músicos foi acertada, pois além do profissionalismo que já demonstram, reproduziram impecavelmente as canções das duas bandas. A fúnebre The Sound of Dying Demons (do “Psalms for the Dead”, terceiro e último com o Candlemass) veio na sequência, seguida de Tomorrows Dead, do álbum “Alone” de 2006 (último álbum de estúdio da Solitude até então). Robert ressaltou que as duas canções nunca haviam sido tocadas ao vivo por suas respectivas bandas.

Apesar de sua fase no Candlemass ser muito mais destacada durante as divulgações pré-show, aqueles que estavam ali presentes mostraram maior expectativa e entusiasmo com o catálogo do Solitude Aeturnus, e isso ficou mais explícito quando executaram dois clássicos: Hourglass, do “Beyond the Crimson Horizon” de 1992, sucedida por Destiny Falls to Ruin, do debut “Into the Dephts of Sorrow”, de 1991. Pra completar essa sequência, Scent of Death, também do “Alone”, foi muito comemorada pela plateia.

Voltando ao Candlemass, duas canções mantiveram o nível no alto: In the Gallows End, esta do “Nightfall” de 1987 (cantada originalmente por Messiah Marcolin) e Hammer of Doom, do “Death Magic Doom”, de 2009. Em seguida, Opaque Divinity, também do “Into the Dephts of Sorrow”, que oficialmente seria a última canção do espetáculo. “Seria”, pois para o encore e encerramento em grande estilo, executaram Heaven and Hell, música do Black Sabbath coverizada pelo Solitude, parte do “Adagio”, de 1998.

Após essa grande noite de doom metal, e das subsequentes em Sorocaba e no Rio de Janeiro, esperamos que Rob volte em breve, desta vez com o Solitude Aeturnus, que voltou à estrada em 2023 após um hiato de 12 anos.

Set-list
Emperor of the Void – Candlemass
The 9th Day: Awakening – Solitude Aeturnus
Lament – Solitude Aeturnus
Devil’s Seed – Candlemass
The Sound of Dying Demons – Candlemass
Tomorrows Dead – Solitude Aeturnus
Hourglass – Solitude Aeturnus
Destiny Falls to Ruin – Solitude Aeturnus
Scent of Death – Solitude Aeturnus
At the Gallows End – Candlemass cover
Hammer of Doom – Candlemass
Opaque Divinity – Solitude Aeturnus
Heaven and Hell – Black Sabbath cover

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Agradecimentos à Susi Bomb, Som do Darma e Caveira Velha Produções.