• Post author:

Após uma espera de quase 50 anos para se apresentarem em palcos tanto Brasileiros, o gigante THE WHO, uma das bandas mais influentes de todos os tempos, presenteou a todos em São Paulo com não apenas um show, mas uma verdadeira aula de atitude, paixão, e de como a arte pode ultrapassar gerações e a mesma chama permanecer intacta, arrastando uma verdadeira legião de fãs, de todas as idades, para sua apresentação.

Integrando o evento São Paulo Trip, que aproveitando o gancho do consagrado Rock in Rio, traz algumas atrações deste para São Paulo, a noite ainda contou com a abertura da banda de metal alternativo ALTER BRIDGE, e do aclamado THE CULT, velhos conhecidos do público Brasileiro e das rádios Rock brasileiras.

Alter Bridge | Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts
Alter Bridge | Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Mesmo com um público ainda tímido, que aos poucos vem chegando e enchendo as dependências do estádio Allianz Parque (que se consagra como um dos melhores locais para shows de grande porte em São Paulo, sendo beneficiado pela ótima estrutura do estádio e pela excelente organização do evento) a banda americana ALTER BRIDGE abriu os trabalhos da noite com uma apresentação energética, extremamente técnica e envolvente, apesar de reduzida a apenas 11 músicas, que mesmo abrangendo todos os 5 álbuns de sua discografia, acabou deixando alguns petardos mais conhecidos, como “All Hope is Gone”, “My Champion” e “Cradle to the grave” de fora.

Seguindo o evento, que contava com tal eficiência e pontualidade em sua organização que a troca de palco entre as bandas não ultrapassasse 20 minutos, uma das bandas mais queridas pelo público hard rock, casas noturnas e rádios rock de São Paulo, o THE CULT pisa pela sétima vez em solos Brasileiros e prepara terreno para os donos da festa, com um show energético e cheio de hits, embora com uma resposta fria da plateia, que com seu mar de smartphones, não entrou na onda do carismático vocalista Ian Astbury, lhe arracando algumas reclamações ao tentar inflamar o público (“estou mesmo no Brasil? Isso não me parece o Brasil…” “Vocês estão mandando mensagens? Mandem uma pra minha mãe“, e um sonoro “Vamos galera…” o público não foi, então o THE CULT fez sua própria festa.

The Cult | Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts
The Cult | Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Abrindo com “Wild Flower” e “Rain”, seguindo com  “Dark Energy”, a única do disco mais recente, “Choice of Weapon”, de 2012, além dos clássicos “She Sells Sanctuary”, “Lil Devil”, “Fire Woman” e “Love Removal Machine” a banda não empolgou o público, e os clássicos riffs de Billy Duff não ecoaram com tanto poder, já que a ansiedade do público em ver a apresentação dos donos da noite era visivel; Justificável, porém injusto com uma das maiores bandas em atividade do mundo. Azar do público.

Com o estádio já completamente lotado, o telão com os dizeres “Mantenha a calma, aí vem o The Who” só colocaram mais lenha na fogueira, e a grande catarse da noite veio, pontualmente ás 21:30, Roger Daltrey, 73 anos, e Pete Townshend, 72 anos, e após um breve “Hi Brazil”, bastou os acordes iniciais de “I Can’t Explain”, iniciarem para quase 2 horas de festa se iniciarem.

Fazendo a apresentação mais longa de sua carreira (com impressionantes 21 músicas de um set list pontual, recheado de clássicos) e esbanjando energia, o ícone do Rock inglês não perde tempo e faz uma grande performance, seja com Daltrey em uma performance vocal impecável, convidando o público para o primeiro grande momento karaokê da noite com “Who Are You”, com Townshend com os trejeitos clássicos de guitar hero, girando os braços em a todo momento, e pedradas como “The kid are Alright” e“My Generation”, “Love, Reign O’er Me”, com o excelente baterista Zak Starkey (filho do Beatle Ring Starr) espancando seu kit em petardos como “Pinball Wizard” e “Amazing Journey”. Impossível destacar um único momento chave no show, a experiência como um todo é inesquecível e ainda ecoa no imaginário de todos os presentes.

The Who | Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts
The Who | Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Assistir a um show do THE WHO é como assistir a uma aula de história viva (o próprio telão do show resgata imagens que vão da arte psicodélica, trechos da ópera rock Quadrophenia, do filme Tommy e de Keith Moon, antológico baterista da banda), pois o THE WHO, junto com Beatles e Rolling Stones, ajudaram a moldar a (contra) cultura de toda uma geração, e influenciaram desde o Rock inglês e seus derivados, ao punk rock inglês, passando pelo Oi!, pela cultura Mod, por Oasis, por The Verve, pelo grunge, por Offspring, Motorhead, Ramones e a lista continua e continua. Tudo o que você ouve hoje em dia, se tratando de Rock n Roll, bebeu da fonte do The Who.

Setlist – Alter Bridge

Come To Life
Addicted to Pain
Ghost of Days Gone By
Cry of Achilles
Crows On a Wire
Waters Rising
Isolation
Blackbird
Open Your Eyes
Metalingus
Rise Today

Setlist –  The Cult

Wild Flower
Rain
Dark Energy
Peace Dog
Lil Devil
Deply Ordered Chaos
Phoenix
Rise
Sweet Soul Sister
Sanctuary
Fire Woman
Love Removal Machine

Setlist – The Who

I Can’t Explain
The Seeker
Who Are You
The Kids Are Alright
I Can See for Miles
My Generation
Bargain
Behind Blue Eyes
Join Together
You Better You Bet
I’m One
The Rock
Love, Reign O’er Me
Eminence Front
Amazing Journey
Sparks
Pinball Wizard > See Me Feel Me > Listening to You
Baba O’Riley
Won’t Get Fooled Again

Bis

5:15
Substitute