Um dos grandes nomes do underground do ABC Paulista da década de 1980, o MX retomou suas atividades no ano passado e trouxe um sopro de esperança para quem sentia falta de metal pesado em seu sentido bruto. Uma nova geração de headbangers e fãs das antigas vivenciaram, com a banda, os velhos tempos de MX em grandes apresentações, como na abertura dos shows do Arch Enemy, em São Paulo, e Destruction, em Catanduva.

Para o futuro, a banda está com projetos promissores: em breve, lançará um CD com regravações de clássicos dos álbuns Simoniacal e Mental Slavery, com faixas escolhidas pelo público; está reunindo material para lançar um documentário; e também já tem planos para um novo disco com músicas inéditas. Além disso, a agenda de shows não para: no dia 26 de maio, no Hangar 110 (São Paulo), o MX apresentará, pela primeira vez, um set completo e terá a presença das bandas Hellsakura e The Black Coffins e, em junho, a banda retorna, após mais de 20 anos, a Manaus (AM), no Black River Metal Fest. Em entrevista ao Portal do Inferno, o baterista Alexandre Cunha, conta sobre a decisão de retomar as atividades da banda e afirma: “O MX voltou para ficar”.

Alexandre Cunha - MX

Portal do Inferno: Como rolou a decisão de voltar com o MX?
Alexandre Cunha: Isso já era desejo antigo meu e dos integrantes da banda, faltava realmente a certeza de que poderíamos nos dedicar e também um empurrão que tivemos da mídia e do público, isso ocorreu em abril de 2012.

P.I.: O Décio já estava nos planos dessa volta desde o começo?
Alexandre: Sim, o Décio sempre foi uma figura muito importante para o MX, queríamos a volta com ele e foi a pessoa com quem conversei bastante antes do retorno, para saber se ele estaria junto conosco. Além de fazer parte do nascimento e de boa parte da vida do MX, ele é um cara especial musicalmente e como pessoa.

P.I.: Se o Décio não topasse esse retorno, vocês voltariam a tocar com o MX de qualquer maneira?
Alexandre: Difícil responder, o fato de voltarmos com a formação original nos motivou mais ainda. Se ele não topasse, teríamos que achar uma pessoa que se encaixasse musicalmente e principalmente que rolasse essa química que sempre tivemos. Não sei como seria, com certeza a volta foi muito melhor com ele.

P.I.: Como está sendo a recepção do público novo e dos headbangers mais antigos nestes primeiros shows?
Alexandre: Estamos tendo um apoio muito grande, tanto do público como da crítica em geral. Em nossos shows estamos recebendo muito público “das antigas”, assim como a nova geração que está se tornando a maioria em nossos shows. A aceitação é total e estamos muito felizes com o apoio, e empolgados também!

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P.I.: Vocês estão sentindo algo parecido com aquela magia que existia nos anos 80 em estar no palco novamente com essa formação, ou os sentimentos são de novos tempos?
Alexandre: Particularmente, nós, da banda, estamos sentindo sim. Com certeza, passa a ser uma continuação de algo que realmente gostávamos de corpo e alma, parece que o tempo parou e que nunca deixamos de tocar. Tenho essa sensação quando olho para todos da banda e para o público nos shows.

P.I.: O álbum que está sendo gravado agora é uma regravação de músicas dos dois primeiros discos. Podem nos falar quais músicas entraram, e qual será o nome do álbum, e também onde está sendo gravado?
Alexandre: O álbum será uma regravação dos antigos clássicos dos álbuns Simoniacal (1988) e Mental Slavery (1989). O público escolheu as músicas por meio de votação e teve muita gente pedindo músicas do álbum Headthrashers (1987), do Again (1995) e até do The Last File (1998). As músicas escolhidas passam por Dead World, I´ll Bring You With Me, The Guf, Mental Slavery, No Violence, Behind His Glasses, Figthing for the Bastards, Dirty Bitch, Jason, entre outras. Com relação ao nome, já temos sim, mas não vamos divulgar ainda. O álbum já está sendo gravado no Estúdio 44, em São Paulo, aguardem.

P.I.: Vocês já estão compondo material para um álbum de inéditas? Se sim, estão mais no estilo anos 80, como no Simoniacal e Mental Slavery, ou existem elementos mais modernos como nos últimos Again e The Last File dos anos 90? Já existe algum contato com algum selo especializado?
Alexandre: Estamos no início do processo de composição de inéditas ainda, pois estamos nos dedicando aos ensaios para ampliar o set list dos shows e a gravação do álbum com as clássicas. Podem ter certeza que terá, sim, muito de nossa influência das décadas de 80 e 90. Nossas maiores influências são nossos álbuns, ou seja, podem esperar pelo MX novamente. Lógico que sempre existirá uma pitada do aprendizado e evolução que ocorreu nesses anos, mas será sempre MX. Com relação a selos, recebemos algumas propostas, ainda não corremos atrás de nada, mas estamos abertos a novos contatos.

P.I.: Vocês têm planos para lançar um DVD oficial? Imagens e sons estão sendo gravados desde a volta, em 2012. Materiais antigos também poderão entrar neste possível DVD?
Alexandre: Sim, o start que foi idealizado por um produtor independente foi o de gravar tudo da volta do MX, bastidores, shows, brigas, ensaios, etc., e isso vem sendo feito, Será uma espécie de documentário com bastante material de shows e com certeza entrarão materiais antigos neste DVD.

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P.I.: Apesar de várias facilidades para uma banda hoje em dia, todo mundo sabe que o retorno financeiro para uma banda de metal (ainda mais no Brasil) é muito complicado. Podemos dizer que vocês voltaram pela saudade de estar no palco, pela satisfação pessoal em tocar, e também pelo amor ao estilo?
Alexandre: Sim, com certeza ganhar dinheiro é bem complicado. Nós temos nossa valorização, nossas condições para shows, enfim, mas o foco decididamente não é encher os bolsos, mesmo porque não é tão simples assim. Voltamos pelo sangue no olho de tocar mesmo, ver tudo cair, literalmente, enquanto estamos no palco. Isso não tem preço, nós amamos música pesada.

P.I.: Dentro cenário metal mundial, o que vocês estão escutando ultimamente? E do Brasil? De que maneira essas bandas influenciam ou podem influenciar no som do MX?
Alexandre: A banda possui integrantes com gostos em comum e outras predileções bem diferenciadas. Ouvimos tudo que está ao nosso alcance e eu, particularmente, ainda ouço muitas bandas antigas e, sempre que posso, procuro ouvir tudo da cena nacional. Existe muita banda boa e seria injustiça citar algumas aqui e esquecer outras. Acho que o MX é a mistura de seus integrantes, não é muito parecido com nada especificamente, conseguimos uma identidade no passado e isso vai se manter.

P.I.: O MX voltou para ficar?
Alexandre: O MX voltou para ficar sim. Não podemos ter certeza do futuro, ninguém tem certeza de nada, não sabemos sequer se estaremos vivos daqui a alguns instantes, mas a vontade e o foco agora é fazer o MX crescer novamente, lançar os álbuns, fazer shows e aproveitar este momento bom que a banda voltou a atravessar, com reconhecimento e apoio.

P.I.: Muito obrigado pela entrevista, o espaço é de vocês para deixar um recado para os fãs.
Alexandre: Nós que agradecemos, o MX está de volta graças ao apoio de todos vocês. Pedimos ao público que compareça aos shows, isso faz toda a diferença na cena. O MX aguarda vocês, vamos quebrar tudo juntos! Valeu pela oportunidade, Portal do Inferno, estamos juntos!

Fernando Custódio Moreira

Só mais um ser humano que adora Heavy Metal. Stay Metal Heavy Metal Forever.