Aborted – Sven “Svencho” de Caluwé e J.B. Van Der Wal

Durante recente passagem pela Inglaterra, os belgas do Aborted conversaram com a repórter Fabiola Santini sobre os quase 20 anos de carreira da banda, as mudanças da cena death metal mudial e os aspectos da sonoridade dos álbuns do grupo, creditados especialmente ao experiente produtor Jacob Hansen. O vocalista, Sven de Caluwé e o baixista, J.B. Van Der Wal, também adiantaram que entrarão em estúdio no começo do ano que vem para gravar o sucesso de Global Flatline (2012). Confira abaixo:

Aborted
Foto: Divulgação

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Versão em Português

Portal do Inferno: O Aborted está na ativa a quase duas décadas. Como vocês veem a cena do death metal hoje em via?
Sven: Eu acho que TUDO mudou, sério. No começo dos anso 90, o death metal era “a maior coisa”, então tudo se transformou em black metal. Tendências vêm e vão, o death metal se tornou novamente um pouco mais popular nos últimos anos; eu não sei no que isso vai dar, mas, definitivamente, a música em si está diferente. Não é o mesmo tipo de death metal que vivenciamos no passado, hoje há mais misturas de gêneros, acho, e mais crossover com hardcore e até black metal. A cena toda mudou: há menos venda de álbuns comparado àquela época em que o CD era novo, ao passo que o foco agora está na mídia digital.

Sven de Caluwé - Aborted

P.I.: Falando sobre as bandas que influenciaram vocês no começo e agora: as suas inspirações são diferentes hoje?
Sven: Ainda ouvimos as mesmas bandas que costumávamos ouvir quando começamos, mas também existem coisas novas que gostamos. Acho que as bandas que não são de death metal que ouvimos hoje, e que não ouviríamos há 15 anos, influenciam a banda agora. O núcleo dos sons ainda está relacionado com as bandas que gostávamos no começo, como Entombed, Suffocation, Carcass e Slayer.

P.I.: Claro, Slayer!
J.B. Van Der Wall: Todas as influências ainda passam por um certo filtro: o som que sai de lá é o que vai parar nos nossos álbuns.

J.B. Van Der Wal - Aborted

P.I.: Foi intencional fazer um som com tamanho aspecto técnico bem definido?
Sven: Eu diria, sinceramente, que todos no Aborted são bons naquilo que fazem. Mas esse não é o foco principal; não escrevemos músicas para serem técnicas, não focamos em mostrar essas coisas. J.B. escreveu muito do material para Global Flatline (o mais recente álbum do Aborted, lançado em janeiro de 2012), ele pode explicar isso…
J.B.: De fato, eu gosto mais de focar na música. Hoje, alguns dos que preferem a técnica do death metal parece que estão perdendo muito do aspecto musical.
Sven: Uma música deveria ainda ter a alma e a composição.
J.B.: Você pode fazer uma música com três, quatro riffs, com as intenções certas. É isso que estamos tentando fazer, acho.

P.I.: Passando pela sua extensa discografia, Slaughter & Apparatus: A Methodical Overture, seu quinto álbum, marcou a chegada da banda à família Century Media. Como isso aconteceu? Foi um processo difícil para o Aborted encontrar a gravadora certa?
Sven: Foi, de fato, um processo difícil. Eu não tinha onde morar na época e acampei do lado de fora do escritório da gravadora por muito tempo com uma placa enorme escrita ASSINE COMIGO. Finalmente, depois de quatro álbuns, eles provavelmente decidiram se livrar de mim e nos deram um contrato (risos!). Sério, parece que eu nunca dei uma entrevista séria… Depois que o nosso contrato com a Listenable Records acabou, a Century Media foi uma das gravadoras que entrou em contato conosco, e pareceu que eles seriam os melhores para nós. As negociações não foram difíceis: Leif Jensen, vocalista da Dew-Scented, trabalha na Century Media; o conhecemos há muito tempo, ele nos disse tudo sobre a gravadora e, como é um amigo, estava pronto para nos explicar como as coisas funcionavam.

Ken Bedene - Aborted

P.I.: Global Flatline, seu sétimo álbum, marca a continuação do trabalho da banda com o produtor Jacob Hansen.
J.B.: O Jacob é um cara muito fácil para trabalhar. Já estávamos com tudo pronto quando chegamos no estúdio e trabalhamos muito na pré-produção. Ele fez um trabalho ótimo na gravação e mixagem, todo o processo de preparação do álbum foi muito fácil.
Sven: O que é mais legal é que ele conhece a banda e sabe o que queremos, então, quando entramos em estúdio, não precisamos falar para ele que queríamos isso ou aquilo. Nós apenas falamos que queríamos que soasse real, orgânico, mas grande. Ele aplicou técnicas de produção modernas, mas fez com que parecesse que o som saísse realmente de uma banda, não de uma bateria eletrônica ou de um monte de guitarras editadas.

P.I.: Uma das minhas músicas favoritas do disco é The Origin of Disease, que tem a participação de Julien Truchan, do Benighted, como vocalista convidado, o que resultou em uma combinação perfeita.
Sven: Todos os caras do Benighted são nossos grandes amigos. Tocamos juntos e saímos em turnê muitas vezes, então aconteceu muito naturalmente, nada do que fizemos foi pensado visando o marketing.
J.B.: O Sven também participou de um álbum do Benighted.

Danny Tunker - Aborted

P.I.: Claro, no álbum Asylum Cave. O Global Flatline foi lançado há quase dois anos. Vocês já tem algo para falar do sucessor?
Sven: Sairemos em turnê com o The Black Dahlia Murder e, depois, teremos uma folga dos shows até abril do ano que vem para trabalhar no novo álbum. Entraremos em estúdio em janeiro de 2014 com o Jacob Hansen novamente.

P.I.: Você acha que, durante a turnê, você encontra o clima ideal para compor novo material?
J.B.: Geralmente compomos quando voltamos para casa, todos temos pequenos estúdios caseiros. Sempre escrevemos as músicas, então mandamos para os outros caras e se achamos que tem alguma coisa legal e se temos algumas ideias, pegamos essas ideias e começamos a trabalhar nelas. Mas isso depende, porque, por exemplo, The Origin of Disease foi escrita em apenas meia hora um dia antes de entrarmos no estúdio.
Sven: Ken, nosso baterista, escreveu o primeiro riff e, então, J.B. e eu completamos o resto.

Mendel bij de Leij - Aborted

P.I.: É difícil acreditar que levou tão pouco tempo para criarem essa música.
Sven: Acho que, na maioria das vezes, as melhores músicas que você reúne em um álbum são aquelas que foram escritas em pouco tempo. Isso acontece quando você tem as ideias certas e elas se encaixam. Se você tem que se estender muito com uma música, ela nunca é boa.
J.B.: Se você tem uma música e em segundos sente que ela está boa, então provavelmente esta será a mesma reação do público quando você tocá-la ao vivo. Se ela não te cativa quando você a escreve, então algo deve estar errado.

English version

Portal do Inferno: Aborted have been around for nearly two decades: how do you perceive the death metal scene today?
Sven: I think that EVERYTHING has changed, really. In the early nineties death metal was “the biggest thing”, then everything shifted to black metal. Trends come and go, death metal has become a bit more popular again in the last couple of years; I do not know where it’s going but definitely the music itself it’s different. It’s not the same type of death metal as we experienced in the past, today there is more gender blending I guess, and more crossover with hardcore and even black metal. The whole scene has changed: there is less album sale as there was back then when the cd was still new whereas now there is a focus shift to the digital media.

Sven de Caluwé - Aborted

P.I.: Talking about the bands that influenced you back then and now: are you inspired differently today?
Sven: We still listen to the same bands that we used to when we first started, but there is also new stuff that we like. I think that the non-death metal bands that we are listening to now and that we wouldn’t have listened to fifteen years ago are influencing the band today. The core-sound though is still related to the bands we were into when we first started, like Entombed, Suffocation, Carcass and Slayer

P.I.: Of course, Slayer!
J.B.: All the influences still go through a certain filter: the sound that turned out is what comes in our albums.

J.B. Van Der Wal - Aborted

P.I.: Was it intentional for you to develop a sound with such a defined technical aspect in it?
Sven: I would say, honestly, that everybody in Aborted is good at what they do. But this is
not the main focus; we do not write songs to be technical, we are not focusing on showing off stuff. J.B. wrote lot of the material for Global Flatline (Aborted’s last album, released in January 2012) he can explain that…
J.B.: I really like to focus more on the song. Some of the technical death metal today seems to be missing a lot on the song aspect.
Sven: A song should still have the soul and the song writing.
J.B.: You can do a song with three-four riffs, with the right intention. That’s what we are trying to go for, I guess.

P.I.: Going through your extensive discography, Slaughter & Apparatus: A Methodical Overture, your fifth album, marked your arrival in the Century Media family. How did it happen and was it a difficult process for Aborted to find the right label?
Sven: It was indeed a very difficult process. I was homeless at the time and I camped outside their offices for ages with a big sign with SIGN ME written on it. Finally after four albums, they probably decided to get rid of me and gave us a deal (laughs!). Seriously, even if I have never done a serious interview…After our contract with Listenable Records ended, Century Media were one of the labels that contacted us, and it seemed like they were the best ones for us. The negotiations were not that difficult: Leif Jensen from Dew-Scented works at Century Media; we have known him for a while, he told us everything from the label prospective and on the other end since he is a friend, he was able to explain how everything works.

Ken Bedene - Aborted

P.I.: Global Flatline your seventh album marks the continuation of your work with producer Jacob Hansen.
J.B.: Jacob is a very easy guy to work with. We had everything ready when we arrived in the studio as we worked a lot on pre-production. He did an excellent recording and mixing work, the whole process of the making of the album was very easy.
Sven: What is cool is that he knows the band and he knows what we want so when we went into the studio, we didn’t really need to tell him this or that. We just told him that we wanted to sound real, organic but big. He applied modern production techniques but he made the sound as if it was actually coming from a band rather than from a drum machine or from a bunch of edited guitars.

P.I.: One of my favourite song of the album is The Origin Of Disease: it features Julien Truchan from Benighted as a guest vocalist which I think resulted in a perfect combination.
Sven: All the guys in Benighted are very good friends of ours. We played together a lot and we toured together a lot, it just happened very naturally, nothing that we did was intended for marketing reasons.
J.B.: Sven was also in a Benighted album too.

Danny Tunker - Aborted

P.I.: Of course yes, Asylum Cave. Global Flatline is almost two years old. Is there any talk about the follow-up?
Sven: We are going again on tour with The Black Dahlia Murder in October and after that we are taking a break from touring until April next year to work on the new album. We will be in the studio in January 2014, with Jacob Hansen again.

P.I.: Do you find it’s the right atmosphere for you to write new material while you are on tour?
J.B.: We usually write when we are back home, we all have small home studios. We always write songs, then send them to each other and if there is one song that sounds cool and has some ideas, we take those ideas and start working on them. But it depends, because for instance The Origin Of Disease was written in just about half an hour the day before we entered the studio.
Sven: Ken, our drummer wrote the first riff and then J.B. and I threw in the rest.

Mendel bij de Leij - Aborted

P.I.: It’s very hard to believe it took such a short time to get to this song.
Sven: I think that most of the times the best songs that you put together in an album are the ones that are written in a very short time. It happens when you have the right ideas and they fit together. If you have to fuck around too long with a song it’s never good.
J.B.: if you get the song and you know it’s right within seconds, then it’s very likely you will get the same reaction from the crowd, once you play it live. If it doesn’t grab you once you wrote it, something must be wrong.