Há quase 30 anos, o Destruction é uma das bandas mais respeitadas do thrash metal mundial. Os alemães colecionam 11 álbuns de estúdio, 3 lançamentos ao vivo e milhões de fãs por todo o mundo.

Schmier (baixo e vocal), Mike Sifringer (guitarra) e Vaaver (bateria) passaram pelo Brasil para dois shows na semana passada, em Curitiba (26/8) e São Paulo (27/8). E, antes da apresentação para os fãs paulistas, no Carioca Club, Mike conversou com a equipe do Portal do Inferno. Acompanhe:

Portal do Inferno: Fale sobre o álbum Day of Reckoning. Algumas pessoas na  imprensa classificaram este álbum como um “retorno às raízes do Destruction”, você concorda? O que este álbum traz de diferente dos anteriores?
Mike Sifringer:
Primeiro, eu não confio na imprensa (risos). Uma volta às nossas raízes? Eu não sei, nunca abandonamos nossas raízes. Talvez, este novo álbum seja um pouco mais duro, mais direto que o anterior, D.E.V.O.L.U.T.I.O.N. (2008). Na verdade nunca abandonamos nossas raízes, Day of Reckoning é um pouco mais rápido, mais “cru”, só isso. E também não existe uma inspiração em especial para nós, é simplesmente música e ela acontece. Eu não sei se de repente as pessoas pensaram com o D.E.V.O.L.U.T.I.O.N. algo como: “ah, as músicas estão um pouco mais lentas, vocês estão ficando velhos ou algo do tipo?”. Sim, estamos envelhecendo, mas não ficando fracos (risos) e acho que agora provamos que ainda estamos em forma.

P.I.:  Day of Reckoning também foi lançado em uma edição especial, em vinil. Por que decidiram fazer isso?
Mike:
Eu ainda tenho a minha vitrola em casa, adoro ouvir músicas nela. É um objeto de colecionador e os mais antigos gostam também.

P.I.: Comparando essas duas épocas completamente diferentes, o que você acha do compartilhamento de músicas na internet?
Mike:
Eu odeio o compartilhamento de músicas! Compre a música! Até mesmo os músicos precisam comer, pagar suas contas. Se as pessoas querem músicas, elas deveriam pagar por elas, assim como pagam por qualquer serviço. Eu não entendo muito isso. É claro que nem todos tem dinheiro para pagar pelas músicas que gostam, mas as pessoas deveriam pensar nesse aspecto também.

P.I.: Mas você acha que os fãs de verdade compram os produtos originais?
Mike:
Os fãs de verdade compram sim, e eu me sinto lisonjeado com isso.

P.I.: No ano que vem, o Destruction completará 30 anos de estrada e é conhecido como um dos “reis do thrash metal”. Como você se sente com essas três décadas de trabalho?
Mike:
Primeiro, eu me sinto sortudo, sabe? A gente corre o risco de morrer a qualquer dia, voamos muito, passamos por muitos lugares, muitos músicos podem ter problemas na coluna, nos braços e eu estou bem e me sinto feliz por fazer o que faço. Se você passa 30 anos fazendo a mesma coisa, tem que se preocupar com essas coisas. Mas foram 30 anos incríveis com a banda, é um ótimo trabalho.


P.I.: Quais foram as principais mudanças, positivas ou negativas, no cenário musical nesse tempo?
Mike:
Ah, aconteceram muitas mudanças. A música nas ruas fica cada vez mais forte, todos tocam algum instrumento e existem muitas bandas e nem sempre o resultado é bom. Sei lá, 80% das coisas novas não vale à pena, muita gente pega um riff dali, outro daqui, após duas notas eu sei dizer de onde saiu aquele riff. Eu sinto falta da originalidade hoje em dia. É claro que é difícil trazer novas ideias, porque quase tudo já foi feito, temos um número de notas na guitarra para trabalhar, então isso limita um pouco na hora de compor, pois pode ser que o que você pensou já existe. Mas é só ter um pouco de paciência, se eu gosto de um riff, automaticamente vou adaptá-lo, é só trabalhar nisso.

P.I.: Fale um pouco sobre o Thrashfest, que passará por várias cidades europeias em novembro e dezembro, com Exodus, Sepultura e Heaten. Serão 24 shows seguidos! Como serão esses shows? Como é o relacionamento do Destruction com essas bandas?
Mike:
Já tocamos com o Heaten algumas vezes, eles fizeram a turnê americana e europeia conosco, são caras legais, passamos por momentos divertidos. Encontramos o Sepultura de vez em quando em festivais, são muito legais também, assim como o Exodus. Acho que vai ser um bom festival para todos nós. Seria legal e interessante se levássemos esse encontro para os fãs de outros lugares, mas não temos nada planejado, por enquanto.

P.I.: A banda já passou por várias mudanças na sua formação, desde 1982. E agora, o baterista Vaaver é o integrante mais novo. Qual é a sua opinião sobre esta nova formação do Destruction?
Mike:
Eu diria que está perfeita agora. Primeiro, porque o Vaaver é um baterista excelente, segundo porque é uma ótima pessoa. A gente passa muito tempo em turnê e importante que a gente se dê bem, não que o cara seja um idiota. Ele é muito educado, muito amigável, um ótimo profissional. Estamos muito felizes com ele na banda.

P.I: O Destruction já tocou algumas vezes aqui no Brasil. O que acha do público brasileiro?
Mike:
Oh, eles são loucos! Eu adoro voltar para o Brasil. Nossos fãs são muito apaixonados, gostam muito da música, cantam com a gente, agitam no show, são incríveis!


P.I.: Quais bandas você ouve ultimamente, novas ou antigas, e como elas influenciam na sua música?
Mike:
Na verdade, não ouço muitas bandas novas, principalmente porque não tenho muito tempo para filtrar toda a porcaria que quase sempre aparece. Às vezes, sigo indicações de alguns amigos “você deveria ouvir isso… ou deveria ouvir aquilo…” ou “olha essa banda nova que legal!” e eu penso “uhhhh… que entediante”. Eu prefiro os clássicos, até mesmo jazz, ouço de tudo um pouco, mas não bandas novas e nem acho que elas me dariam as informações que eu preciso para o meu trabalho. Prefiro os clássicos, como Thin Lizzy, U.F.O., Black Sabbath, e por aí vai, algo mais sólido.

P.I.: E sobre os planos para futuro da banda? Já pensam em um novo álbum?
Mike:
Sim, primeiro vamos terminar a turnê, vai ser um trabalho longo, ainda temos shows na Rússia, Ásia, Austrália, no ano que vem voltamos para os Estados Unidos. Certamente planejaremos um novo álbum, mas não sabemos quando. Começaremos quando sentirmos que é a hora. Não temos datas ainda, primeiro vamos tocar, depois descansar um pouco, mas acho que no ano que vem a gente já começa a pensar em algo novo, ou talvez o mundo acabe antes, vamos esperar para ver (risos).

P.I.: Obrigada pela entrevista, deixe um recado para os fãs do Destruction no Portal do Inferno:
Mike:
Eu que agradeço. Espero que todos se divirtam no show, até mais!

Veja a mensagem que Mike Sifringer gravou especialmente para os leitores do Portal do Inferno:

 

Renata Santos

Sou formada em jornalismo e colaboro com sites de música há quase dez anos. Integro a equipe do Portal do Inferno desde 2011.