Em minha primeira postagem como colunista do Portal do Inferno, seguirei fazendo reportagens que já realizava como colaborador. Falarei, dentre outros temas, sobre bandas que não são populares na cena brasileira, mas que merecem destaque pela qualidade que possuem. O pontapé foi sobre os uruguaios do Chopper.

Agora nesse espaço, trago  uma entrevista com os argentinos do Utópica.

O quinteto oriundo de San Miguel, na província de Buenos Aires, pratica um metal sinfônico, que nos remete a vários grupos europeus surgidos entre os anos 90 e 2000 como Nightwish, Epica e After Forever, por exemplo.

O Utópica foi formado em 2012 e desde então vem crescendo na cena headbanger de seu país, fazendo vários shows. Inclusive, já tocaram com nomes grandes do metal argentino como o Boanerges, banda de white metal e com vocal feminino.

O Utópica possui 1 álbum lançado: Memórias de Ficción (2016) e estava focado na gravação do segundo full-lenght, até que teve que interromper as atividades, por conta da pandemia do Coronavírus.

Banda durante uma apresentação. Crédito: Facebook/Utópica/Página oficial

A formação conta com Karina Conicelli no vocal, Emmanuel Costilla na guitarra (e backing vocal), os irmãos Pallares, Walter e Pablo, baixo e teclado, respectivamente, e José Rodriguez na bateria.

Na entrevista, os assuntos abordados foram sobre o início da banda,  as músicas, sucesso e heavy metal argentino e brasileiro.

Confira:

As músicas do Utópica são muito ricas tanto na parte instrumental como no vocais. Como decidiram que o melhor para a banda seria tocar Metal Sinfônico?

No início passamos por vários estilos.No entanto, quando começamos a compor nossas músicas, percebemos que o nosso estilo principal teria que ser o sinfônico. Depois, decidirmos adicionar os sons do teclado para complementar nossas composições. Nós percebemos que o som sinfônico era o que iria complementar melhor com as histórias  e os sentimentos que queríamos compartilhar através das nossas canções.

Obs:  no início das atividades, o Utópica era um quarteto e pouco tempo depois Pablo Pallares ingressou na banda.

Antes da pandemia, o Utópica estava fazendo vários shows. Como tem sido a recepção do público e como estão os convites para apresentações, tanto dentro como fora da Argentina?

A recepção dos fãs tem sido muito boa e muitos falam que após assistir o nosso show tem uma boa impressão. Afirmam que transmitimos uma boa energia no palco. Já temos tocado bastante por Buenos Aires, mas queremos nos apresentar em outros lugares. Fazer shows em outras províncias da Argentina e poder tocar em outros países. Atualmente estamos em processo de gravação do nosso segundo álbum, que foi interrompido devido a quarentena.

Por que escolheram o nome Utópica para a banda?

Para escolher o nome decidimos fazer uma lista de possíveis nomes e, entre todos os membros do grupo, escolher o que mais nos agradava. Através de votação.O nome escolhido tinha que estar relacionado com o que falamos nas letras: mundo de fantasias, histórias esquecidas, contos e lendas. Nos pareceu que Utópica era suficientemente forte, mágico e sinfônico. Agradou a todos.

Um fato que sempre chama atenção nas bandas latino-americanas, é que muitas cantam em espanhol, diferente de grupos de outras partes do mundo que sempre priorizam o inglês. Com vocês não foi diferente. Por que escolheram o espanhol para cantar?

Para que o nosso público pudesse entender o que queremos contar  e para sermos os mais originais possíveis dentro do nosso estilo. Por ora, continuaremos assim. É uma linda homenagem ao nosso idioma.

Quando falamos do heavy metal argentino, nos lembramos do Rata Blanca, do A.N.I.M.A.L. e do Boanerges. Os principais nomes do país. Como analisam a cena headbanger da Argentina?

O Rata Blanca é uma grande influência nossa. Gostamos muito! Com o Boanerges, os admiramos muito e já tivemos a oportunidade de dividir o palco com eles. Quanto a cena, há ainda muitas coisas para melhorar,mas há muitas boas ideias e iniciativas. Há também uma grande incorporação e um espaço mais forte para as mulheres no nosso metal.

Sobre o heavy metal brasileiro, há bandas que gostam? Quais?

Conhecemos algumas! Gostamos de Angra, Viper, Sepultura, Freakeys e Semblant.

Para quem quer conhecer o som do Utópica que músicas recomendam?

Recomendamos 4 músicas que são muito diferentes, mas têm semelhanças entre elas. Começamos pelo clipe  ‘El Limbo de Los Perdidos’, que lançamos este ano e pode ser encontrado no Youtube. Na sequência, sugerimos ‘Los Olvidados’ , que foi o nosso primeiro clipe. ‘La Era Dorada’ , que é um potente Power Metal. Por fim, ‘Demeter, cuando el dia se esconde’, nossa primeira balada.

Por fim, quais os planos para o futuro?

A nossa prioridade em 2020 é completar a gravação do nosso segundo álbum. Vamos seguir com os trabalhos, logo quando for diminuindo o problema da pandemia do Coronavírus.

Obs:  as perguntas foram feitas através da página do Facebook do Utópica e ao me retornarem, foi explicado que todos os membros participaram e estavam de acordo com as respostas, logo todos levam os créditos pelo que foi dito.

Leonardo Cantarelli

Headbanger, jornalista formado, autor de 2 livros e mesatenista!