Chopper – Ernesto Ferraro

Chopper
Crédito: divulgação

(Entrevista concedida ao jornalista Leonardo Pereira Cantarelli)

Chopper completa 30 anos e fará show comemorativo!

‘Temos que aproveitar o momento da melhor forma possível. Não sabemos quando teremos outra data marcante.’

Para saber mais detalhes sobre a banda e o show, veja a entrevista com o vocalista Fabian Furtado

Ao se falar de Heavy Metal brasileiro as grandes referências são Sepultura, Angra e mais recentemente o Krisiun. Na Argentina, os grupos mais conhecidos são A.N.I.M.A.L. e Rata Blanca. Entre esses dois países, mais precisamente no Uruguai, o pioneirismo fica por conta do Chopper.

O grupo oriundo de Montevidéu teve início em 1989.  Seu primeiro álbum, que leva o nome da banda, foi lançado em 1993 e em 1997 saiu o ‘Sangrando’. Como muitas bandas latino-americanas, o Chopper, faz um Thrash Metal calcado nos anos 80 (com músicas que passam pelo punk rock, speed metal e um pouco de crossover) e cantado em espanhol. As atividades foram encerradas em 2002, mas houve a reunião em 2012 e em 2014 um novo álbum lançado, o ‘Hechos Consumados’.

O quinteto formado por Fabian Furtado (vocal), Federico Sanguinetti e Ernesto Ferraro (guitarras), Luis D’Angelo Vasquez (baixo) e Leonardo Rodriguez (bateria) está completando 30 anos de estrada e no dia 19 de outubro haverá um show comemorativo com mais 3 bandas (C.O.M.A., M-19 e Conspiracion Capibara) na capital uruguaia.

Para falar dessas 3 décadas na estrada, o Portal do Inferno entrevistou Ernesto Ferraro, um uruguaio com alma brasileira. O guitarrista começou a ouvir rock em seu país natal, onde virou fã de lendárias bandas das décadas de 70 e 80 (primeira música que tirou na guitarra foi Smoke on the Water do Deep Purple).  Em 1993 foi morar em Salvador/BA, onde permaneceu por 18 anos. Em território soteropolitano, Ernesto (com um português impecável e sem sotaque) disse que abandonou o chimarrão, comeu muito acarajé e subiu em vários trio elétricos! Como músico, montou uma banda de covers de rock dos anos 80 e excursionou com artistas famosos como Lobão e a Banda Eva. Atualmente vive em Valencia, Espanha e é professor de guitarra.

Confira:

1) O Chopper está completando 30 anos de estrada (embora tenham parado por um período) e vai ter um show de comemoração. Como vê esse momento histórico?

Para mim é muito bom. Eu entrei na banda quando tinha por volta dos 16 anos. Era o único menor de idade. Teve uma vez que fomos tocar na Argentina e tive que ter autorização dos meus pais para sair do Uruguai! O único moleque dentre todos. Depois saí da banda em 1992 e voltei em 2013. É muito legal ver tudo o que construíram e saber que fiz parte disso. Me emociona muito. Não é sempre que uma banda completa 30 anos! Nas redes sociais vejo muita gente empolgada e feliz com o show. Espero que possamos aproveitar o momento da melhor forma possível. Não sabemos depois se haverá outros aniversários. No Brasil, quem tiver oportunidade e puder ir ao show, compareçam. Principalmente no Rio Grande do Sul, que é vizinho ao Uruguai.

2) Acredita que o Chopper está para o metal uruguaio, assim como A.N.I.M.A.L. e o Rata Blanca estão para o metal argentino e o Sepultura e o Angra estão para o metal brasileiro?

Poxa, comparar o Chopper com o Sepultura é um orgulho e ao mesmo tempo acho que tem uma disparidade grande. O Sepultura conseguiu uma projeção mundial que o Chopper não atingiu. É verdade, o Chopper é pioneiro do metal uruguaio e todos conhecem a banda. Mas não tem o mesmo patamar do Sepultura.

Eu adoro o Sepultura. Lembro que no Rock in Rio II (1991) eu estava de férias em Salvador/BA na casa do meu irmão e de última hora pegamos um ônibus e fomos até o Rio de Janeiro. Era o auge do Sepultura e aquele show foi muito bom!! Até hoje tenho na memória o quanto vibrei e pensei: ‘ Que banda sensacional. Como esses caras tocam muito’! Naquele festival ainda vi Megadeth e Judas Priest, duas lendas do Metal. Foi muita ’pancada na cara’ em um curto espaço de tempo.

3) Embora, você tenha feito parte do início do Chopper e faz parte do atual line-up, você acabou saindo em 1992 e não gravou os 2 primeiros álbuns. Por que deixou a banda?

Quando a banda planejou gravar o primeiro álbum (Chopper, 1992) eu já estava com a intenção de deixar o Uruguai. Tinha 18 anos e meu irmão era músico em Salvador/BA. Quis tentar a carreira como músico no Brasil e me mudei.

4) Como foi para ti, como músico, a vivência em Salvador/BA?

O Brasil é um país muito rico musicalmente. Bossa-nova, samba, MPB, frevo e etc. Como músico, quando você se envolve com outros estilos, o seu vocabulário fica muito rico. Eu aprendi muito no meio musical brasileiro.

Geralmente, o fã de heavy metal, principalmente quando jovem, tende a ficar muito fechado e ouvindo bandas do mesmo estilo.

No entanto, vivendo na Bahia, isso era impossível. Terra do axé e do carnaval, não tem como ficar de fora. Fui em muitos trios elétricos. Ninguém resiste. Imagino que até o Ozzy Osbourne iria pirar e subir em um trio elétrico (risos).

Sou um pouco baiano e comi muito acarajé.

O guitarrista Ernesto Ferraro. Crédito: arquivo pessoal/Ernesto Ferraro

5) Voltando a falar do Chopper, recentemente a banda lançou no youtube o clipe de 2 músicas inéditas (Sabia Amnesia e Dios Desollador). Vão tocá-las ao vivo e há previsão para lançar um novo cd?

A princípio sim. Já temos 2 músicas lançadas e mais 2 prontas. Queremos ter um material com 8 ou 10 músicas para um novo álbum. Não sei se lançaremos no formato de CD. Talvez algo digital, pois as pessoas querem tudo no celular. O mercado de cd está muito baixo.

6) Uma situação que acho interessante nas bandas de metal latino-americanas de língua espanhola é que todas elas cantam no idioma materno. Diferente de outros cantos do mundo, onde o predominante é o inglês. Por que isso ocorre?

Não sei te dar uma resposta exata. Penso que é a questão de atingir outros mercados. Uma banda do Uruguai cantando em espanhol, pode abrir mercado em outros países da América do Sul, central e México. Fica uma comunicação única.

O Brasil é um país grande e populoso, logo cantando em português já dá para atingir um grande mercado.

Entretanto, acho uma ideia válida cantar em inglês, pois o mercado dos Estados Unidos e Europa aceita melhor. O Sepultura cantou sempre em inglês e teve um bom retorno mundial.

7) Por fim, o que hoje tem escutado de rock e heavy metal?

Eu não escuto muitas bandas novas. Gosto das mais antigas, das décadas de 70, 80 e 90. Penso que as músicas de hoje são mais descartáveis. Que não deverão ficar para a história. Prefiro os sons antigos, que me fizeram gostar de rock e aprender a tocar guitarra e ter uma banda.