Peter Murphy – Carioca Club – São Paulo/SP

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Os amantes dos anos 80, da música gótica, dark, post-punk, do Madame Satã e de toda a atmosfera que fez (e pelo imenso público presente, ainda faz) a cabeça dos góticos, tiveram uma grande noite de celebração no dia 13 de setembro, no Carioca Club, em São Paulo: Peter Murphy, ex-líder do Bauhaus e figura antológica da música mundial, se apresentou novamente no Brasil. Para a abertura da festa, escolha melhor não poderia ter sido feita: ninguém menos que Wayne Hussey, do The Mission, apresentando os melhores sucessos de sua carreira, com um show carregado de emoção.

Wanye Hussey (foto:Danilo Souza)

Abrindo os trabalhos da noite, e seguindo e respeitando os horários da casa, Wayne Hussey atacou o público com um show impecável, porém não só acústico, como divulgado, mas sim com ares de “one man band”. Por vezes, ele empunhava uma guitarra elétrica e era acompanhado de bases pré-sampleadas, indo do cover de Echo & the Bunnyman para The Killing Moon. Like a Hurricane, de Neil Young, foi bradada a plenos pulmões por todos, porém foi com os hits do The Mission que Wayne Hussey ganhou o jogo e os fãs: Black Mountain Mist, Stay With Me, Severina e Wasteland acertaram o público em cheio, arrancando sorrisos, lágrimas e refrões que ecoavam por toda a casa de shows. Um dos melhores shows de abertura que já foram registrados, que poderia muito bem ser o headliner, porém, a noite estava apenas começando.

Comemorando o lançamento de Lion, seu décimo álbum solo, Peter Murphy, figura que dispensa apresentações para qualquer um que ame música, mal subiu no palco e já disparou Hang Up. Dali para frente, foi somente festa: com uma banda afiadíssima e um set list incrível em mãos, o show seguiu em ritmo quente em toda sua duração. Problemas técnicos com o microfone à parte, o show teve sequência com Low Room, Low Tar Stars, Memory Go, P eace to Each e Deep Ocean, todas beirando a perfeição técnica, apesar da voz de Peter Murphy mal ser ouvida.

Peter Murphy (foto:Danilo Souza)

A seguir, acompanhada de um belo violino, Gaslit foi tocada em uma versão totalmente intimista; Eliza veio a seguir, arrancando mais lágrimas dos fãs, e como se não bastasse, Peter, com um violão em punhos disparou A Strange Kind of Love no público que, hipnotizado, mal percebeu que She’s In Parties foi entoada na sequência, fazendo o show virar final de campeonato. A dobradinha Velocity Bid e The Prince And The Old Lady Shade encerrou a primeira parte da apresentação.

Peter, com seu violão, retornou ao palco para o bis da noite, com Cuts You Up e a pesada Silent Heges, do Bauhaus. Para encerrar a noite, a sombria Lion e Uneven & Brittle foram executadas, fechando com chave de ouro um show impecável. Peter Murphy consegue se desprender de todos os rótulos possíveis e imagináveis dados a ele, com um som muito mais moderno, trabalhado, com nuances eletrônicas, porém, com a mesma verdade e crueza que seu timbre sombrio de voz lhe fizeram fama junto ao Bauhaus. Que viva para sempre a cultura dark.

Clique aqui e confira todas as fotos desse show!

Set list:
Hang Up
Low Room
Low Tar Stars
Memory Go
Peace to Each
Deep Ocean Vast Sea
Gaslit
Eliza
Holy Clown
A Strange Kind of Love
Silent Hedges
(Bauhaus song)
She’s in Parties
(Bauhaus song)
Velocity Bird
The Prince & Old Lady Shade

Bis:
Cuts You Up
Lion
Uneven & Brittle