Apresentação, ocorrida dois dias após o Bangers Open Air, foi a única no país com setlist completo.

Nevermore. Foto: Leandro Pena.

Aproximadamente vinte anos separavam a última apresentação do Nevermore em São Paulo, em 2006 (no festival Live ‘n’ Louder), das duas que ocorreram no final de abril, durante o segundo dia de Bangers Open Air e um show extra, ocorrido dois dias depois, assunto abordado nesta resenha. Estas duas apresentações foram oportunidades para ver o retorno da banda aos palcos após sua dissolução, em 2011, e conhecer a nova formação.

Além da duração da apresentação, outra diferença em relação ao festival foi o local, mais acanhado (Carioca Club), porém completamente lotado – e ouso dizer que tão quente quanto àquela tarde de domingo.

Com esse clima de expectativa, as luzes se apagam às 20h30 pontualmente e as cortinas do palco se abrem, revelando os membros que ali estavam. Ophidian soou nos p.a’s da casa e, ao início do show com Beyond Within, já era possível saber o que aconteceria na próxima hora e meia: plateia engajada, cantando e vibrando a cada canção, e a banda, ao palco, entregando tudo. A canção do álbum “Dreaming Neon Black” foi executada com precisão, e a audiência não deu brecha pra nenhum verso, acompanhando Berzan Önen, o novo vocalista, letra por letra.

My Acid Words veio a seguir, com Berzan entregando uma interpretação impressionante com seu timbre de voz, muito semelhante ao do saudoso Warrel Dane, a quem substitui agora. Na sequência, Van Williams (bateria) levou a plateia ao fervor com a introdução de Enemies of Reality, outro petardo com forte participação dos presentes. Vale destacar que o som estava perfeito nesta noite, o que otimizou a experiência para os fãs.

Nevermore. Foto: Leandro Pena.

Berzan anunciou que a música seguinte seria a sua favorita: Sentient 6, do “This Godless Endeavor”. A seguir, uma música comemorada – e até uma surpresa, por não ter sido executada não só nas primeiras apresentações do quinteto (na Turquia e Chile) mas também por muitos anos – foi Next in Line, única escolhida do “Politics of Ecstasy” para esta noite.

Do álbum “The Obsidian Conspiracy”, de 2010, último full-lenght lançado pela banda, a ótima Moonrise (Through Mirrors of Death) foi escolhida, com um trabalho excelente da dupla Jeff Loomis e Jack Cattoi nas guitarras. Na sequência trouxeram a pesadíssima Inside Four Walls, uma das preferidas do público, do álbum de maior sucesso da banda, “Dead Heart in a Dead World”, e base do setlist. Aqui vale destacar também o trabalho no contrabaixo de Semir Özerkan – que também se encarrega dos backing vocals. Warrel Dane, falecido em 2017, não foi esquecido por seu sucessor, e dedicando a ele, a banda executou The Heart Collector, com uma emotiva participação dos fãs.

Após esse momento, Born trouxe o caos para a pista do Carioca Club, com Final Product mantendo o clima, para em seguida outro grande momento de emoção, eternizado no “Dead Heart in a Dead World”, vir à tona: Believe in Nothing. A épica This Godless Endeavour foi a seguinte, e ao seu final o quinteto se retirou do palco, brevemente…

Havia tempo ainda para dois números. Narcosynthesis, que deu início à catarse no domingo, aqui aparecia no encore, e outra ótima canção do “Dead Heart”, com um dos solos mais marcantes de Loomis, decretou o encerramento do espetáculo: The River Dragon Has Come.

Quem pode presenciar uma dessas duas apresentações na capital paulista (ou as duas!!) saiu com a certeza de que o Nevermore continuará de onde parou, e que esta nova formação se mostrou perfeita para seguir com o legado de Jim Sheppard e do saudoso Warrel Dane.

Set-list
Beyond Within
My Acid Words
Enemies of Reality
Engines of Hate
Sentient 6
Next in Line
Moonrise (Through Mirrors of Death)
Inside Four Walls
The Heart Collector
Born
Final Product
Believe in Nothing
This Godless Endeavor

Narcosynthesis
The River Dragon Has Come

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Agradecimentos: Honorsounds e Marcos Franke.