
Após algumas horas para recarregar as energias de um primeiro dia insano de Bangers Open Air, os headbangers já estavam de volta ao Memorial na manhã do domingo, 26 de abril, para o 2° round. Acompanhem um resumo do que ocorreu.
2° dia – 26 de abril de 2026 (domingo)

E ao meio-dia, o Sun Stage foi tomado de assalto pelos corsários austríacos da Visions of Atlantis. Com sua temática pirata, tanto na proposta lírica quanto em suas vestimentas, o quinteto deu início ao segundo dia, com um bom público para ouvir as suas histórias marítimas. A dupla de vocalistas, Clémentine Delauney e Michele Guaitoli, são um destaque à parte. Monsters, Legion of the Seas, Armada e Melancholy Angel foram alguns dos temas apresentados pelo quinteto neste dia.

Em seguida, no Hot Stage, foi a vez do Primal Fear apresentar seu power metal. Ralf Scheepers – acompanhado por Magnus Karlsson, Thalìa Bellazecca (guitarras), André Hilgers (bateria) e Dirk Schlächter (do Gamma Ray no baix, substituindo Matt Sinner) – brindou os fãs com I Am the Primal Fear, Nuclear Fire, Seven Seals, Chainbreaker e Metal is Forever.

Outra banda muito aguardada era o Nevermore, que voltava aos palcos após quinze anos de sua separação. Reformulada, a banda apresentou um set curto, porém avassalador, sendo um dos mais elogiados do festival. Os novos membros Jack Cattoi (guitarra), Semir Özerkan (baixo) e principalmente Berzan Önen (voz) mostraram estar à altura de suas posições, e músicas como Narcosynthesis, Enemies of Reality, Beyond Within, Inside Four Walls e Born botaram fogo no público. A apresentação serviu de aperitivo para o show completo, que aconteceu dois dias depois, também na capital paulista.

Os suecos do Amaranthe vieram na sequência. Uma das peculiaridades da banda é ter três cantores: Elize Ryd na voz feminina, Nils Molin na voz masculina limpa, e Mikael Sehlin na voz masculina gutural. Com Olof Mörck (guitarra), Johan Andreassen (baixo) e Morten Løwe Sørensen (bateria), apresentaram aos “bangers” Fearless, Strong, Amaranthine, Archangel, Digital World e Drop Dead Cynical dentre as quinze canções de seu set.

Na sequência, o hard rock tomou conta do Bangers. Duas atrações muito esperadas do gênero subiram ao palco, e a primeira foi Winger, em sua turnê de despedida. A banda capitaneada pelo baixista / vocalista Kip Winger tocou hits de sua carreira, como Easy Come Easy Go, Seventeen, Headed for a Heartbreak, Madalaine e o hit supremo, que virou trilha de novela global, Miles Away.

Quando dois guitarristas – um com carreira consolidada no hard rock e outro integrante de uma das maiores bandas de metal do mundo – se juntam, o que pode dar errado? Smith / Kotzen provam que essa amálgama deu muito certo. O projeto de Adrian Smith (Iron Maiden) e Richie Kotzen (Winery Dogs) divulgava seu segundo álbum, “Black Light / White Noise”. Acompanhando-os, uma cozinha 100% brasileira, com Júlia Lage (Vixen) no baixo e Bruno Valverde (Angra) na bateria. E foi interessante ver Adrian fazendo a voz principal nas canções. Unchained, White Noise, Black Light do álbum atual, além das ótimas Scars e Running do álbum “Smith / Kotzen”. E pra encerrar, Wasted Years do Iron Maiden.

Os holandeses da banda Within Temptation, que pela segunda vez se apresentavam no festival, vieram a seguir para encerrar os trabalhos no Ice Stage. A emoção pairou no ar assim que Sharon den Adel e companhia subiram no palco com We go to War. The Howling e Stand My Ground elevaram mais ainda essa sensação. Algumas músicas que não frequentavam o setlist da banda foram executadas nesta noite – como The Heart of Everything e Forsaken, e o álbum “Bleed Out”, lançado e 2023, foi a base da apresentação. Faster, Paradise (What About Us?) também foram tocadas pelo sexteto, que encerrou com dois clássicos, Ice Queen e Mother Earth, mais uma apresentação inesquecível no festival.
ANGRA

Após o encerramento do show da Within Temptation, a ansiedade aumentou ao redor do Hot Stage: era chegada a hora do, sem dúvida, show mais importante do festival. Com esse clima, às 19:45 as luzes se apagam, com o telão do palco mostrando imagens captadas por cerca de 35 anos de história, para em seguida a nova formação do Angra – com Rafael Bittencourt e Marcelo Barbosa nas guitarras, Felipe Andreoli no baixo, Bruno Valverde na bateria do lado esquerdo da plateia, e Alírio Netto, o novo vocalista da banda – dar início à festa com Nothing to Say. Não à toa é uma das músicas mais utilizadas para a abertura de shows, com seu ritmo, ponte e refrãos marcantes. Na sequência, Angels Cry, música título do álbum que deu início a tudo.
A seguir, Alírio sai de palco e Fabio Leone entra em seu lugar. Seriam os últimos momentos do italiano cantando com a banda, o que fazia desse momento especial. Dessa forma, Tides of Changes – pt II e pt II e Vida Seca – do último álbum, “Cycles of Pain” – foram executadas, além de Lisbon, única faixa do “Fireworks” escolhida para esse espetáculo.
Alírio retorna ao palco e, ao piano, dá início a Wuthering Heights, canção original de Kate Bush e gravada pela banda no “Angels Cry”. Muito emocionado com a resposta da plateia, dedicou a música seguinte para os fãs e seguidores da banda: a excelente (e favorita do conjunto para este que voz escreve) Carolina IV, do épico “Holy Land”, com Rafael e Felipe nos vocais de apoio, cantando os versos em português da canção.
Depois de um breve intervalo, ao fundo do palco, entre as duas baterias, surge (assim como o Kiss entrava no palco em shows de sua época sem máscara) a silhueta dos cinco membros que seriam os protagonistas do 2° ato: Kiko Loureiro, Aquiles Priester e Edu Falaschi se juntam a Rafael e Felipe para o ato focado no álbum “Rebirth”, com Nova Era dando início a esta etapa, seguida de Waiting Silence, do álbum “Temple of Shadows”.

As primeiras notas de Millenium Sun foram dedilhadas no piano por Kiko, sendo sucedida por Heroes of Sand, com seu refrão cantado de forma emotiva pela plateia. Ego Painted Grey, do álbum “Aurora Consurgens” de 2006, pouco lembrado nos shows, foi uma surpresa. No próximo tema, Edu pediu que a audiência ascendesse as luzes de seus aparelhos celulares e cantasse da forma que preferir (uma alusão à versão em português do grupo de forró Calcinha Preta): Bleeding Heart arrancou lágrimas dos fãs, e logo a seguir Spreading Fire colocou fogo (literalmente!) na plateia e no palco. Acid Rain e Rebirth (precedida por agradecimentos de Rafael Bittencourt aos envolvidos por essa reunião/show/festival) encerraram a parte regular do espetáculo.
Sem tempo de baixar a adrenalina, um dos pontos altos do show veio a seguir: no telão: uma gravação em VHS de um show de Tóquio, com o “Maestro” Andre Matos tocando e cantando os primeiros versos da canção que viria a seguir: Silence and Distance, com Alírio e Edu dividindo os vocais e Bruno de volta à bateria, foi outro momento de grande emoção da noite, quiçá do festival, com imagens de Andre e da banda com sua formação clássica (com Rafael, Kiko, Luís Mariutti e Ricardo Confessori) que elevaram o nível do espetáculo e arrancando lágrimas de muitos daqueles que presenciaram este saudoso momento.
Late Redemption, do “Temple of Shadows” (com Aquiles na sua bateria) manteve no alto o clima emotivo do espetáculo, que se aproximava do fim, mas não antes de grandioso ato final, iniciado por Unfinished Allegro e emendada, obviamente, por Carry On, com todos os nove membros em palco. Um final apoteótico de uma performance única, que ficará, com certeza, marcada por muito tempo para os fãs que estiveram presentes no Memorial da América Latina neste domingo.

Como dito anteriormente, o Bangers Open Air, após essa edição, se consolida como um dos maiores festivais do continente. E para aqueles que já estão com saudade, a edição de 2027 já tem data marcada: 24 e 25 de abril no Memorial da América Latina, e os “Blind Tickets” já estão à venda em https://www.clubedoingresso.com/evento/bangersopenair2027
EM BREVE: GALERIA DE FOTOS DO BANGERS OPEN AIR
Agradecimentos à produção do Bangers Open Air e à Agencia Taga.
