8º ThorHammerFest – Clube Piratininga – São Paulo/SP

Em sua oitava edição e ganhando força a cada ano, o ThorHammerFest trouxe, em 2014, um dos grandes nomes, senão o principal, do chamado viking metal, o Thyrfing, da Suécia. Para completar o pacote sonoro, foram convidadas também as bandas Vingard (folk/viking metal – Jundiaí/SP), Arthanus (death/viking metal – São Caetano do Sul/SP), Pagan Throne (pagan/black metal – Rio de Janeiro/RJ) e o Iron Woods (pagan metal – Taubaté/SP).

Thyrfing (foto: Henriique Oliveira)
Thyrfing (foto: Henriique Oliveira)

Essa edição ficou marcada pelo apoio do público às bandas nacionais, em especial aos paulistas do Iron Woods, porém, também ficou marcada pelos problemas técnicos e desistências. A banda Vingard, por exemplo, desmarcou sua presença a poucas horas do festival, fazendo com o que o Arthanus passasse de segunda banda para a abertura do festival.

Antes das apresentações musicais e com um atraso para abertura dos portões para a entrada do público, houve uma performance temática, uma verdadeira batalha viking com o grupo Ordo Draconis Belli. A empolgação dos seus integrantes, os gritos e a garra com que encenavam era genial, porém, essa energia não chegou ao público, pois, em menos de quatro minutos a apresentação já tinha sido encerrada. Uma dúvida ficou no ar: o intervalo entre as bandas era consideravelmente grande, por que não colocar uma apresentação, ainda que curta, nesses espaços de tempo para continuar entretendo o público?

Coube ao Arthanus a honra de abrir a oitava edição do festival. A única banda que não sofreu com problemas técnicos. Empolgou a plateia com um death/viking metal muito bem tocado, de cara limpa e acima de qualquer suspeita. A presença de palco do vocalista Thiago foi um dos pontos fortes dessa apresentação.

Arthanus (foto: Henriique Oliveira)
Arthanus (foto: Henriique Oliveira)

Em seguida, foi a vez do Pagan Throne, e eles sofreram com problemas técnicos sérios. A introdução da música inicial da banda, que deveria ser feita pelo tecladista, demorou exatos 15 minutos para começar, pois o teclado não funcionava mais. Houve uma comoção geral: o tecladista era o único integrante no palco, enquanto o restante da banda aguardava pela introdução para começar o show. Depois de solucionado o problema, e finalizada a introdução, todos os integrantes surgiram diante do público, caracterizados de guerreiros medievais. A banda não chegou a empolgar tanto a plateia quanto a Arthanus, porém não passou despercebidas com o seu pagan/black metal ríspido. Assim como o Arthanus, o vocalista Rodrigo foi o ponto forte na presença de palco.

Pagan Throne (foto: Henriique Oliveira)
Pagan Throne (foto: Henriique Oliveira)

O Iron Woods ficou encarregado de fechar as apresentações nacionais e preparar o terreno para o tão esperado Thyrfing. Sem dúvida nenhuma, o clímax das apresentações nacionais foi, de fato, o show do Iron Woods. Eles também sofreram com problemas técnicos justamente após a introdução, quando, por algum motivo, as guitarras não funcionaram. Problemas contornados, a banda empolgou e muito, o público cantou quase que praticamente todas as músicas, vibraram e apoiaram a apresentação do início ao fim. Esse festival coube como uma luva para o Iron Woods, fazendo com que, de certa forma, toda a pressão pela atenção do público, a banda passasse de “abertura” para a headliner já mais experiente, tamanha era a devoção dos presentes.

Iron Woods (foto: Henriique Oliveira)
Iron Woods (foto: Henriique Oliveira)

Após uma (já conhecida) longa pausa entre uma banda e outra, surge diante do público os suecos do Thyrfing, em sua primeira e exclusiva apresentação na América Latina, divulgando o mais novo album De Ödeslösa – o único que ainda não foi lançado em terras brasileiras. É muito difícil de rotular o som feito pelo Thyrfing, porém é muito fácil de assimilar sua sonoridade, que é quase única. Jens Rydén era pura energia no palco, não parou um único minuto, foi de um lado ao outro, apontou e apertou as mãos de todos que estavam mais próximos. Toda essa troca de energia com o público fez com que esse fosse, como já esperado, o melhor show da noite. Sem dúvida nenhuma, valeu a espera para vê-los ao vivo.

Thyrfing (foto: Henriique Oliveira)
Thyrfing (foto: Henriique Oliveira)

Com um setlist simplesmente matador, eles foram do mais novo álbum com Mot Helgrind e Kamp, passando pelas sensacionais Från Stormens Öga e Griftefrid, do álbum Hels Vite. Eles também destruíram e surpreenderam o público com as fantásticas A Great Man’s Return e Storms Of Asgard, do melhor álbum de sua discografia, Valdr Galga. Vale ressaltar que A Great Man’s Return raramente é tocada ao vivo e Jens tratou de deixar isso bem claro aos fãs, trazendo ainda mais delírio nos primeiros acordes da música.

A energia da banda e da plateia era sensacional, todas as músicas (quando em inglês) foram cantadas do início ao fim. Em determinados momentos, como na música Griftefrid, era possível ver o espanto e a admiração nos rostos dos músicos, tamanha era a energia e alegria do público. Provavelmente, este foi o refrão cantado com mais força pelos fãs.

Thyrfing (foto: Henriique Oliveira)
Thyrfing (foto: Henriique Oliveira)

A impressão que dava era que o setlist fora montado com todo o cuidado para não deixar nenhum álbum importante de fora e, ao mesmo, tempo para ser porrada do início ao fim. Para encerrar, eles optaram pelas clássicas Storms of Asgard e Going Berserk, concluindo o que seria a noite mais emblemática do folk/viking metal de 2014 no Brasil. Uma noite cheia de contratempos, problemas técnicos e uma infraestrutura um tanto quanto precária, mas com boas bandas e uma enxurrada de ótimas músicas. Fica a dúvida de como será a próxima edição, já que teremos um ano de preparação para receber, desta vez, os suecos do Manegarm.

Clique aqui e confira todas as fotos do festival.

Setlist Thyrfing:
Mot Helgrind
The Voyager
Kaos Återkomst
Griftefrid
Mjölner
Veners Förfall
Kamp
Från stormens öga
Far åt Helvete
Digerdöden
Sweoland Conqueror
A Great Man’s Return
Storms of Asgard
Going Berserk