Acheron e Obituary – Hangar 110 – São Paulo/SP

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Ao término desse show, foi-me dito, em tom de brincadeira, que havia sido intenso, quente e molhado. Bom, e foi mesmo! Afinal, reunir lendas do death metal em um único evento só poderia resultar em algo com essas características. Sábado, 14 de abril, vai ficar na memória de quem compareceu ao Hangar 110, em São Paulo (SP), para ver Obituary, Acheron, Headhunter D.C. e Cruscifire.

Cruscifire

Às 19h30, a jovem banda de Atibaia (SP), formada em 2004 pelos irmãos Victor e Caio Angelotti (baixo/vocal e guitarra, respectivamente), que ainda conta com Murillo Romagnoli (guitarra) e Victor Nabuco (bateria) em sua formação atual, deu início aos shows da noite. Com o público ainda entrando na casa e o tempo de apresentação reduzido, o Cruscifire tocou na íntegra o ep Hateful, lançado no começo do ano, sendo muito bem recebido pelos presentes. A única música do álbum Chaos Season (2010) foi Squeals From Slaughterhouse, com destaque para o ótimo vocal “pig”. Em 20 minutos, o quarteto conseguiu mostrar um death metal muito bem trabalhado e, para quem não conhece, procure ouvir pois vale a pena.

Headhunter D.C.

Pausa para pegar uma cerveja e, com o Hangar 110 já bem mais cheio, uma lenda do death metal nacional surgiu no palco ao som de uma intro. A banda soteropolitana Headhunter D.C. parecia ser a principal atração da noite tal era a empolgação da plateia, que agitou e bangeou com os punhos erguidos durante os 45 minutos de apresentação. O vocalista Sérgio Ballof é uma figura carismática e conduziu o público através de toda a carreira da banda, desde Death Vomit e Am I Crazy?, do primeiro full-length de 1991, Born… Suffer… Die, passando por clássicos como God’s Spreading Cancer, do álbum homônimo de 2007, até Hail the Metal of Death!, do recém-lançado …In Unholy Mourning…, com a qual teve fim a apresentação de Sérgio Ballof, Daniel Beans (bateria), Zulbert Buery (baixo), Paulo Lisboa e George Lessa (guitarras), que deixaram o palco muito aplaudidos pelos fãs do metal da morte.

Acheron

O calor que tomava conta do local foi intensificado quando caiu a energia do Hangar, deixando todos no escuro por uns segundos até a luz de emergência ser acionada. Durante quase uma hora houve uma certa apreensão pois parecia uma “maldição” em relação ao Acheron, uma vez que a apresentação dos estadunidenses em 2008, no mesmo lugar, teve de ser cancelada devido à problemas com o voo. Porém, para alívio geral, às 22h15 teve início o show desses veteranos do death/black metal, com Legions of Hatred (Lex Talionis, 1994). Vincent Crowley (vocal/baixo), Shaun Cothron e Max Otworth (guitarras), e Kyle Severn (bateria – também do Incantation) fizeram um show matador que englobou músicas de seus mais de 20 anos de estrada, como Ave Satanas, de 1990, e I Am Heathen, de 2009, além de Satan Holds Dominion, música nova que fará parte do álbum Kult Des Hasses, ainda a ser lançado. Antes da clássica Fuck the Ways of Christ (Anti-God, Anti-Christ, 1996), cantada por todos, Vincent Crowley rasgou uma bíblia no palco e jogou seus pedaços para o público, falando que “nós somos os deuses aqui, e não esse pedaço de merda”. Prayer of Hell encerrou os 50 minutos de apresentação desse blasfêmico quarteto.

Obituary

Nova pausa e então essa banda que dispensa apresentações, esse ícone do death metal que é o Obituary começou seu show com Redneck Stomp seguida por On the Floor, ambas do álbum Frozen in Time (2005). Sem muito blablabla entre as músicas para não perder tempo, o grupo formado por Terry Butler (baixo), Trevor Peres e Lee Harrison (guitarras), além dos irmãos John e Donald Tardy (vocal e bateria, respectivamente) fez a alegria dos fãs – que abriram várias rodas durante todo o show – ao tocar um repertório variado em pouco mais de uma hora. Músicas mais recentes como List of Dead e Blood to Give (ambas de 2009) bem como as mais antigas – Chopped in Half (Cause of Death, 1990), By the Light (Back From the Dead, 1997) dentre tantas outras – foram cantadas pelo incansável público que lotou a casa e pareceu não se importar com o calor ou com o horário. Já era quase uma hora da madrugada de domingo quando a clássica das clássicas, Slowly We Rot, foi executada indicando o término dessa noite memorável, que, conforme falado no começo dessa resenha, foi intensa, quente e molhada.

Mais uma vez, parabéns à Tumba Productions por nos proporcionar eventos com ótimas bandas e também ao público, que dessa vez compareceu em peso. E que venham mais shows!

Setlist Cruscifire:

Black Candle Light
Last March
The Horror
Squeals From Slaughterhouse
Creepy Anatomy
Hanged on Misery

Setlist Headhunter D.C.:

Intro (Funeral March)
Dawn of Heresy
…and the Sky Turns to Black…
Am I Crazy?
Searching for Rottenness
Death Vomit
God’s Spreading Cancer
Deny the Light
Conflicts of the Dark and Light
Hail the Metal of Death!

Setlist Acheron:

Intro
Legions of Hatred
Thou Art Lord
Church of One
The Apocalypse
Ave Satanas
Fuck the Ways of Christ
I Am Heathen
Satan Holds Dominion
Lifeforce (The Blood)

Bis

Prayer of Hell

Setlist Obituary:

Redneck Stomp
On the Floor
Internal Bleeding
List of Dead
Blood to Give
Chopped in Half
Turned Inside Out
Dying
Threatening Skies
By the Light
Find the Arise
Dethroned Emperor
The End Complete
‘Til Death
Slow Death
Evil Ways
Slowly We Rot

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Redação

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