
Em mais uma visita à América Latina, o Moonspell aportou em nosso país, com data única na capital paulista, ocorrida no domingo, 22 de Março, no Carioca Club. Nesta ocasião, o quinteto lusitano trouxe a turnê “Wolfheart and Other Stories”, celebrando os trinta anos de seu debut, “Wolfheart“.
Para esta data, não vieram sozinhos. Trouxeram consigo os patrícios da Sinistro, banda de doom metal com lírica fortemente influenciada no fado – consequentemente, com suas letras exclusivamente em português.

O quarteto (sem a presença, do baixista Pedro do Vale), formado por Rick Chain, Ricardo Matias (guitarras), Paulo Lafaia (bateria) e Priscila da Costa (voz, à frente da banda desde 2023), apresentava a turnê de divulgação de seu novo álbum, “Vértice“, lançado em 2024.
Priscila trouxe, com sua voz envolvente e sua performance, uma dramaticidade maior aos temas densos da banda (que falam de solidão e morte, por exemplo), incluindo as canções anteriores à sua chegada, como Partida e Relíquia. além de temas do mais recente álbum de trabalho, como O Equivocado, encerrando com a emocionante Templo das Lágrimas, candidata a virar clássico, certamente.

A banda, que antes deste evento no Carioca Club fez três apresentações em São Paulo, foi ovacionada pelo público. Uma escolha espetacular de show de abertura, e que esperamos que voltem mais vezes à nossas terras.
MOONSPELL
Após um intervalo, foi possível perceber que o show se aproximava, pois no som mecânico foi ouvia-se Wolf Moon do Type O Negative, música com a temática que é característica dos portugueses. E pontualmente, às 20h, sobem ao palco Hugo Ribeiro (bateria), Ricardo Amorim (guitarra), Pedro Paixão (teclado, guitarra), Aires Pereira (baixo) e Fernando Ribeiro (voz). Nos primeiros acordes da canção de abertura, Wolfshade (A Werewolf Masquerade), dedilhados na guitarra de Ricardo, sentiu-se a histeria dos presentes, algo que perduraria por toda a apresentação.

Apesar da banda ter visitado o país em seis ocasiões anteriormente, esta apresentação se tornou mais do que especial. Oportunidade de ouvir canções do debut não tão comuns nos shows, como Love Crimes e …of Dream and Drama (Midnight Ride). Na primeira, entre a bateria e o teclado, surgiu uma cantora, responsável pelos vocais femininos executados nesta noite, a também portuguesa Eduarda Sueiro, da banda Glasya. Após estas canções iniciais, Fernando saudou a plateia de uma forma tipicamente paulistana, com um “E ae Brasil” e “É nois!”.
A sequência do “Wolfheart” foi entrecortada por Tenebrarum Oratorium (Andamento I), talvez a maior surpresa, por se tratar de um tema do EP de estreia, “Under The Moonspell“, o qual não era lembrado nos shows da banda há muito tempo, e de uma época em que respondiam por pseudônimos, como Langsuyar Tenebrarum Rex (Fernando), Mantus Iberius Daemonium (Ricardo) e Neophytus Lupus Maris (Pedro). A sua sonoridade oriental e a vocalização característica dessa região média serviram de interlúdio interessante para a próxima parte do álbum-tema.
Os temas seguintes foram dedicados a exaltar divindades da mitologia lusitana: Trebaruna, Deusa da proteção e da guerra, e Ataegina, Deusa do renascimento, fertilidade e submundo. Ambas cantadas na língua pátria, foram muito comemoradas pelos presentes (veja trechos destas canções no Instagram).
Das divindades para a luxúria, Vampiria, hino necessário em todo show da banda e causadora de um frenesi ao “clã” que ali se encontrava, cessada com seu grito ensurdecedor. Posteriormente, Erotic Alchemy, com uma maior participação de Eduarda Sueiro, que veio à frente do palco para um dueto com Fernando. E antes de encerrar a primeira parte do show, o cantor mencionou as influências brasileiras no heavy metal antes de formar o Moonspell. Citou Sarcófago, The Mist, Holocausto e, obviamente, Sepultura como inspirações. Após esse relato, convidou aquele que, em suas palavras, é a maior inspiração: Jairo Guedz, atual Troops of Doom, e que outrora compôs a formação dos primórdios de Sepultura e The Mist. Assim, Alma Mater foi executada com mestria pela banda, somada à emoção da plateia.

Um breve intervalo ocorreu para que, em seu retorno, Lanterna dos Afogados fosse executada. As primeiras notas de piano executadas por Pedro Paixão foram suficientes para delírio da plateia, e Fernando voltou ao palco, para este número, com a mesma indumentária usada na turnê do álbum “1755” (chapéu e sobretudo). Vale ressaltar que esta seria uma das canções executadas na última visita, em 2023, como headliner do São Paulo Metal Fest, mas que por problemas relacionados ao tempo de apresentação de uma das bandas foi cortada do set-list original, e a banda encarou essa ausência como uma dívida – paga com juros, diga-se de passagem.
In Tremor Dei colocou o público para cantar novamente na língua pátria, sucedida por Extinct, muito comemorada, assim como Scorpion Flower e Everything Invaded. Poderia haver uma sequência mais perfeita do que esta? A resposta é sim, e veio na forma do último número executado pelos portugueses, a derradeira Full Moon Madness, perfeita para arrancar os últimos gritos, lágrimas e uivos dos presentes que passaram pelo Carioca Club neste domingo.
Esta apresentação foi a última da turnê, e com essa entrega do Moonspell, somado à abertura da excelente Sinistro, posso dizer que foi “uma festa portuguesa, com certeza!”
Set-list – Moonspell
(1° parte)
Wolfshade (A Werewolf Masquerade)
Love Crimes
…of Dream and Drama (Midnight Ride)
Tenebrarum Oratorium (Andamento I / Erudit Compendyum) (Interludium / Incantatum Oequinoctium)
Lua d’Inverno
Trebaruna
Ataegina
Vampiria
An Erotic Alchemy (com Eduarda Sueiro)
Alma Mater (com Jairo Guedz)
(2° parte)
Lanterna dos Afogados (cover: Paralamas do Sucesso)
Opium
Awake!
In tremor Dei
Extinct
Scorpion Flower
Everything Invaded
Full Moon Madness
Set-list – Sinistro
Partida
Abismo
O Equivocado
Relíquia
Templo das Lágrimas
GALERIA DE FOTOS
MOONSPELL



















SINISTRO











Agradecimentos: Overload, Tedesco Mídia.
