Confronto – Inferno Club – São Paulo

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  • Post published:10 de dezembro de 2012

No domingo, 9 de dezembro, os fãs das cenas hardcore paulistana e carioca, puderam aproveitar uma festa com muita música de qualidade. A agência Sobcontrole e a Loja 255 Records da Galeria do Rock apresentaram no Inferno Club, na boêmia Rua Augusta, uma reunião de bandas de peso: Standing Point, Bayside Kings, Clearview, Norte Cartel, Paura, Questions e Confronto, misturando o que pode se chamar, segundo Fabio Prandini, vocalista do Paura, de “uma mistura de HC old e new school”.

Logo na entrada, já era possível garantir os novos itens de merchandising das bandas, de bonés a camisetas e blusas a um preço bem acessível, vendidos pelos próprios integrantes que estavam nos estandes. A casa estava cheia, com o início dos shows agendado para as 16h. Já as 15h30 já havia uma fila na porta do Inferno, porém houve um atraso e o evento começou às 17h40. Mesmo com esse imprevisto, não houve muito tempo de intervalo entre uma banda e outra, o que não deixou a galera esfriar e perder o ritmo.

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Como a Standing Point não pode comparecer, a primeira banda a se apresentar foi a Bayside Kings, de Santos (SP), com um hardcore de peso, que vem crescendo e se fortalecendo desde 2010. Neste ano, mais uma vez, eles foram indicados ao prêmio Rockshow na categoria HC013, onde o objetivo é valorizar bandas que representam e contribuem com a cena. A banda tocou as músicas do EP Way Back Home, conhecido pela faixa Still Strong que é marcada pela frase “Stay true, be strong, take this pride”. A banda faz questão de deixar essa mensagem de confiança, respeito e união por onde passa.

Todo o tempo, o vocalista Milton chamava os fãs para subirem no palco, dizendo: “Isso aqui não é só meu, é nosso, também é de vocês! Vem galera, sem medo!”, apontando para o microfone. Não precisou insistir muito, em pouco tempo já tinha uma multidão no palco cantando junto músicas como Battle Scars, Triumph, Still Strong, Live Dead Inside e Warship. Milton, Leo (guitarra/vocal), Teteu (guitarra), Manolo (baixo) e Kid (bateria), se juntaram com o público bem em frente ao palco para uma foto em meio a muitos agradecimentos a todos, e aos integrantes de outras bandas que não tocariam naquela noite, mas que garantiram presença para prestigiar os amigos e o evento.

Poucos minutos depois, subiu ao palco a Clearview, anunciando a novidade do split Rage Through Integrity em parceria com a banda Paura, lançado pela Caustic Recordings, Travolta Discos, Hearts Bleed Blue e Spidermerch Brasil. A banda paulistana, referência no hardcore sul-americano, tocou músicas do primeiro álbum Love it or Leave it, produzido por Paul Minor (produtor de bandas, como H2O, Terror, Outspoken e Motorhead) e mixado por Nick Jett (baterista da banda Terror). Também executaram faixas do segundo EP, Pure Mayhem

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Durante o show, o vocalista Rick agradeceu a todas as bandas presentes e ao público que fortalece cada vez mais o hardcore brasileiro. Falou sobre o preconceito musical, racial e sexual, deixando claro a posição da banda sobre esses assuntos: o respeito às pessoas, independente de escolha, cultura ou natureza. Mosh or Die, Are You Ready, No Second Best, Statement of Agression, The Guillotine, Choke, No Turning Back e Payback foram algumas faixas de EPs e CDs que trouxeram à tona a irreverência e agressividade, marcas registradas do Clearview. O show terminou com chave de ouro com uma versão descontraída e ao mesmo tempo agressiva de Fight for Your Right, dos Beastie Boys.

Eis que sobe no palco a banda Norte Cartel, com os cariocas Felipe Chehuan (voz), Daniel Portugal (guitarra), Longo (baixo), Dudu Manel (bateria), que surpreendeu com uma legião de seguidores com direito até a caravana vinda do Rio de Janeiro. A Norte Cartel é marcada pela aspereza, a verdade como ela é como forma de abrir os olhos. A ideia central de quase todas as letras do álbum Fiel a Tradição, de 2010, é chamar a atenção para valores como amizade e honra, que estão se perdendo e precisam ser resgatados.

A banda teve uma introdução diferenciada, com elementos de rap na música Carta de Desafio, onde eles dão o recado de quem são e porque estão aqui. Em seguida, já enchem os ouvidos com um hardcore acelerado e de atitude. Foi a primeira banda do show a cantar em português, estremecendo as paredes da casa. O ponto alto da apresentação foi a faixa Nossa Sentença, que rolou quase no final do show, com todos cantando junto e alguns fãs ainda dividindo o palco com a banda.

Depois, foi a vez dos veteranos do Paura, uma das bandas mais esperadas do dia, grande nome do hardcore paulistano e nova iorquino. Trazendo um rock mais “metalizado”, resultado de muitas conversas e ideias em conjunto com os caras do Garage Fuzz, em 1995. As guitarras trazem elementos do metal (o que é bem evidente na música Land of Heroes and Villans, de 2010) e a bateria rápida comandada por Fernando Schaefer, que entrou para a banda no ano passado, diferencia o Paura de muitas outras bandas HCNY.

O show começou com as faixas do EP lançado neste ano, o Integrity Department, anunciando o split com o Clearview, que foi a segunda banda a tocar. Então, ouvimos as guitarras mais pesadas e a frase “Blame yourself for all distrust and decay… you always talk the talk but never walk the walk… unite! Unite! Unite!” da música No Hard feelings?? Fuck you!. Por um tempo, essa foi a música que abria os shows do Paura e fazia até quem estava no bar largar a cerveja e correr para perto palco. Paura é isso: a parceria e a energia contagiante levaram os integrantes do Bayside Kings e Clearview subirem ao palco para cantar junto. Outras músicas que também fizeram parte do set list foram Scars of Life e Blame Culture, finalizando com Worthless Progress, In the Desert e History Bleeds.

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“Vai São Paulo, agora!” foram as palavras de Edu, vocal da Questions, com Life Is A Fight, música que abriu a apresentação da banda. Reconhecida por seus shows em eventos como a Verdurada, a Questions existe desde 2000, e nesse tempo já realizou duas turnês pela Europa e lança novas e videoclipes constantemente, se renovando e se mantendo um ícone para outras bandas.

Como não poderia ser diferente, trouxe muitos fãs para o evento, que aguardavam ansiosos a entrada da banda, como se fosse o primeiro show do dia. As tradicionais rodas foram abertas ao som de clássicos da Questions, como Born and Raised, Rise Up, The Victory Speech, fechando o show com Strenght e Show You No Mercy.

Terminamos o domingo com Confronto, em seu último show do ano em São Paulo, banda veterana também representando o Rio de Janeiro, que já contou com parcerias importantes com figuras como João Gordo, vocal do Ratos de Porão, que inclusive, estava tocando no mesmo horário bem perto do Inferno Club.

Confronto é uma banda que está sempre na estrada, passando por vários Estados e realizando turnês internacionais muito bem-sucedidas. Neste ano, lançaram o DVD em comemoração aos dez anos de banda. Por já ser conhecida e fazer parte da vida de muitas pessoas, a Confronto agitou os fãs que acompanharam o show. O público respondeu com muita empolgação a músicas como Negação, Abolição, Vale da Morte, Exclusão, entre outras. Para fechar o evento com a frase “Vamos quebrar tudo!”, dita pelo vocalista Felipe Chehuan, eles tocaram Santuário das Almas, uma das músicas mais conhecidas da banda e a mais aclamada no momento em que o primeiro riff saiu da guitarra de Maximiliano. Após tantas horas de shows, o público não estava cansado ou desanimado e o Confronto conseguiu fechar a noite com muita energia, mantendo a empolgação de todos até a última nota tocada. 

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