King Crimson – A experiência do ponto de vista de um fã.

Na última sexta-feira (4/10) tive o imenso prazer de testemunhar a vinda de um dos maiores expoents do rock progressivo mundial. Comemorando os 50 anos da fundação da banda e apresentando um show pra ficar registrado na memória de todos os que gostam do bom e velho rock progressivo, o King Crimson fez um passeio por toda a sua discografia, com foco principal nos grandes “In The Court of the Crimson King“, de 1968 e “Larks’ Tongues in Aspic“, de 1973.

Ao adentrar o espaço das américas uma surpresa aos desavisados: No palco estavam montados 3 kits de bateria, algo que despertou a curiosidade em muitos, que por sua vez não resistiam a curiosidade de ver e tirar fotos do setup. Uma amostra do que estava por vir.

Pontualmente às 21:30 o King Crimson subiu ao palco do surpreendentemente cheio Espaço das Américas, em São Paulo, em sua primeira passagem pelo Brasil. Logo no anúncio do show, a banda já foi bem clara: nada de celulares ou câmeras. A banda queria que todos prestassem atenção ao espetáculo e o vivenciassem. Algo que se provou absolutamente necessário e recompensador ao longo do show.

Abrindo o espetáculo com “Hell Hounds of Krim” (presente no registro ao vivo “Radical Action to Unseat the Hold of Monkey Mind”, de 2016), a banda já demonstrou seu poder de fogo, utilizando um setup de 3 kits de bateria comandados por Gavin Harrison, Pat Mastelotto e Jeremy Stacey, exibindo uma demonstração de sincronia extrema, onde as baterias eram tocadas simultâneamente de forma quase que “dançante”, remitindo em muito à música contemporânea. “Hell Hounds of Krim” foi seguida pelo primeiro grande hit da noite: “Larks’ Tongues in Aspic, pt. I”. Robert Fripp apareceu pela primeira vez na noite, com seus riffs afiados e pontuais. Fãs mais jovens eram instigados a fazer “headbanging”, enquanto via-se a excitação nos fãs mais velhos, que há muito aguardavam pela oportunidade de ver o grande King Crimson ao vivo. Mel Collins ainda teve tempo de tocar um trecho de “Garota de Ipanema” de Tom Jobim, durante um dos solos de flauta.

A percussiva “Suitable Grounds for the Blues” foi a introdução para a pesada “Red”, executada de maneira magistral e afiada. A “percussão tripla” adicionou um muito bem-vindo peso extra à música.

“Red”, por sua vez, foi a introdução para a emotiva “Epitaph” do grande “In The Court of the Crimson King”, que causou comoção em todo o público presente. Executada à perfeição, foi uma mostra de que este era um espetáculo para ser apreciado com a alma. Os vocais afinados e precisos de Jakko Jakszyk, o Chapman Stick de Tony Levin e o Mellotron executado por Robert Fripp deram o tom de um momento absolutamente memorável. Um deleite para qualquer fã de rock progressivo.

O show seguiu passeando por clássicos como “Moonchild” e “Level Five” até o seu primeiro “Intermission”, uma pausa de 20 minutos entre os 2 sets. O segundo set continuou com o absurdismo progressivo, passeando com maestria por clássicos como “Easy Money”, “Larks’ Tongues in Aspic, pt. IV”, “Islands” e a majetosa “The Court of the Crimson King”, cantada em uníssono pelo público, que foi tomado pela excitação à este ponto. “Starless” encerrou o segundo set, em um tom emotivo com sua guitarra afiada. Fripp foi absolutamente cirúrgico em seus timbres durante a apresentação, refletindo precisamente a sonoridade apresentada nos álbuns ao longo da longeva carreira do King Crimson.

Reações das mais diversas eram observadas, misturando excitação e profunda admiração. Todos aguardaram ansiosamente pelo bis até que ele veio: A mais do que clássica “21st Century Schizoid Man” veio para levar o público ao delírio, que cantou alto e claro junto com o vocalista Jakko Jakszyk. Encerrando um show longo que pareceu curto demais, dada a quantidade de clássicos apresentados e a excelência musical digna de aplauso.

Digna de aplauso também foi a organização do evento, que cumpriu à risca as diretivas dadas pela banda e prontamente recolheu os celulares daqueles que os utilizavam. No fim das contas até mesmo nisso o King Crimson foi fiel à sua carreira, se mantendo fiel à arte acima de tudo. A arte deve ser apreciada com os olhos e ouvidos, e não através das minúsculas lentes de celulares, completamente incapazes de captar a essência e a grandeza do espetáculo.

Saí do evento em absoluto êxtase, satisfeito pela majestosidade sônica apresentada pelo grande King Crimson. All hail the crimson king!

“Confusion will be my epitaph
As I crawl a cracked and broken path
If we make it we can all sit back and laugh
But I fear tomorrow I’ll be crying”

King Crimson é:

Robert Fripp – Guitarra, Teclados e Mellotron
Mel Collins – Metais
Tony Levin – Baixo, Chapman Stick e Touch Bass
Pat Mastelotto – Bateria e Percussão
Gavin Harrison – Bateria e Percussão
Jeremy Stacey – Bateria e Percussão
Jakko Jakszyk – Vocais e Guitarra

Setlist:

– Set 1:
Hell Hounds of Krim
Larks’ Tongues in Aspic, Pt.I (incidental: Garota de Ipanema)
Suitable Grounds for the Blues
Red
Epitaph
Drumzilla
Neurotica
Moonchild / Cadenzas
Radical Action Pt.II
Level Five

– Set 2:
Drumsons
Cirkus
Easy Money
Larks’ Tongues in Aspic Pt. IV
Islands
Indiscipline
The Court of the Crimson King / Coda
Starless

– Encore:
21st Century Schizoid Man

 

Autor:  Jairo Santos

Fernando Custódio Moreira

Só mais um ser humano que adora Heavy Metal. Stay Metal Heavy Metal Forever.