Metallica – Estádio do Morumbi – São Paulo/SP

Alguns dias antes da apresentação do Metallica no Estádio do Morumbi, em São Paulo, coincidentemente foi publicado um artigo, de leitura recomendada, no site Metalsucks que debatia sobre como não haverá nenhuma banda de metal, no futuro, tão grande quanto o grupo liderado por James Hetfield. Por mais que a mídia e a indústria musical queiram encontrar “novos Metallicas”, existem diversas razões para a qual isso não irá acontecer. O que haverá, sim, são herdeiros do legado de uma banda que não precisa provar mais nada e que, mesmo assim, e sob uma chuva pontual, demonstrou sem dificuldades porque é “a maior banda de heavy metal” da atualidade, ao lado do Iron Maiden.

Foto: Marcelo Rossi/T4F
Foto: Marcelo Rossi/T4F

Não que a apresentação do Metallica tenha sido uma unanimidade. Com o setlist escolhido por votação pelos fãs como parte da tour Metallica By Request, houve muitos que expressaram seu descontentamento em relação às mais votadas. Era uma chance de ver músicas raramente lembradas como The Frayed Ends of Sanity ou Trapped Under Ice ao vivo mas, no fim, a grande maioria acabou por optar por um set que poderia ser definido como um “greatest hits” da banda. Algo que se repetiu por todas as outras cidades da tour onde, no geral, o repertório se parece com o de São Paulo, com poucas alterações.

A real unanimidade da noite, ficou talvez a cargo do péssimo som da banda de abertura. O Raven, banda que em 1983 deu a chance ao Metallica de abrir seus shows, subiu ao palco com seus clássicos como Rock Until You Drop e All For One, canções que acabaram por passar despercebidas pois, ora os vocais sumiam, ora a guitarra soava embolada com o baixo, ora a bateria sobressaia. Uma pena para o público pois, aparentemente para a banda, seu som estava ok e os músicos tocavam como se tivessem ouvindo seu retorno perfeitamente equalizado.

Foto: Marcelo Rossi/T4F
Foto: Marcelo Rossi/T4F

Depois de ser castigado pela péssima qualidade do som do Raven, o público teve outro castigo, a chuva que resolveu cair no início da apresentação do Metallica que iniciou-se com um vídeo mostrando os membros lendo mensagens da internet com dicas e comentários de fãs. Interessante perceber como nos últimos 14 anos a abordagem do Metallica mudou em relação aos fãs e a Internet. Se no início dos anos 2000 o grupo bateu de frente com o Napster, agora até riu de fãs que diziam “façam o Lars praticar mais“, algo que muitos criticavam nos últimos tempos. E essa interatividade, primeiro na escolha do set por votação, se estendeu durante a noite onde uma canção seria escolhida por SMS entre as três que não entraram na lista principal. Por fim, a escolhida foi The Day That Never Comes em uma disputa apertada (com uma vitória por pouco mais de 300 votos) contra Ride The Lightning.

Mudando a ordem de classificação dos votos, o Metallica abriu o show com as três canções escolhidas de Master of Puppets e na ordem que se encontram no disco: Battery, a faixa-título e Welcome Home (Sanitarium), o que fez com que as 65 mil pessoas presentes esquecessem da chuva que foi embora durante o show. Interessante notar que, após isso, e quando James se dirigia ao público, ele percebeu algum problema com uma das peças da pirotecnia e pediu imediatamente que ela fosse desligada. Considerando o histórico dele com um grave acidente e que haviam fãs nas lateriais dos palcos, foi uma boa decisão. Dessa forma, a canção seguinte Fuel e as tradicionais explosões em One e Enter Sandman ficaram de fora do espetáculo.

Foto: Marcelo Rossi/T4F
Foto: Marcelo Rossi/T4F

Os efeitos fizeram pouca falta, já que o grupo provou durante a noite porque não será superado tão facilmente. E da forma mais correta e humana possível: tocando – e com uma intensidade que só o Metallica é capaz. Claro que houve escorregões aqui e ali por parte dos músicos e como James mesmo disse sobre isso no decorrer da noite, “é o fator humano” e ainda havia o fator “água” nos instrumentos. Lars provavelmente “ouviu” os conselhos da internet e praticou, fazendo uma performance superior ao que apresentava nos últimos anos. Já Trujillo, extremamente competente, dispensa comentários sobre suas habilidades no baixo.

Houve ainda espaço no setlist para a inclusão de uma nova música chamada The Lords of Summer que alternou momentos que poderiam estar em algum CD como Ride The Lightning com outros que poderiam estar em Reload. No geral, ao vivo, a resposta do público foi positiva mas não pode-se esperar que a canção vá parar no futuro álbum da mesma forma que foi apresentada, pois em outras ocasiões em que o grupo fez o mesmo, as músicas chegaram diferentes ao disco.

Como ela foi escolhida pela votação para estar no set, Seek & Destroy ficou, novamente, e como vem ocorrendo frequentemente nos últimos anos, como a música que encerra a noite. E de acordo com a tradição, com todas as luzes do estádio acesas, e cantada por todos, encerrou, após duas horas e vinte minutos, um dos fortes candidatos a show do ano em São Paulo. Fica a dúvida: se, em uma futura oportunidade de votação, os fãs escolheriam as mesmas canções ou dariam oportunidade a músicas por muitas vezes esquecidas pela maioria?

Setlist Metallica: 

Battery
Master of Puppets
Welcome Home (Sanitarium)
Fuel
The Unforgiven
Lords of Summer (nova música)
Wherever I May Roam
Sad but True
Fade to Black
…And Justice for All
One
For Whom the Bell Tolls
Creeping Death
Nothing Else Matters
Enter Sandman

Bis:

Whiskey in the Jar
The Day that Never Comes
Seek & Destroy