Indo muito além de todas as expectativas, Sebastian Bach conseguiu a façanha de encher o Carioca Club por duas noites. Por mais que para alguns isso pode não significar muita coisa, pois é uma casa “pequena”, aposto minhas fichas que ele lotaria um terceiro, se houvesse. O fato é que Tião, como foi carinhosamente apelidado em 2010 pelo público brasileiro, abriu um túnel do tempo e na terça-feira, 17 de abril, a plateia do Carioca Club voltou um pouco para a década de 1980 e se divertiu demais.

A noite começou com o show de abertura dos paulistanos da MadJoker. A banda apresentou seus trabalhos autorais do EP O Homem Duplo, mas não empolgou a galera que chegava à casa. Os dois pontos altos do show ficaram por conta da execução de Fuel, do Metallica, e You Could Be Mine, do Guns ‘n’ Roses.

Com fãs, mulheres em sua maioria, com a ansiedade à flor da pele, às 21h45 as cortinas se abriram e Bobby Jarzombek (bateria), Johnny Chromatic (guitarra), Jason Christopher (baixo) e o jovem talento Nick Sterling (guitarra) tomaram seus lugares no palco. Bach chegou com tudo e fez todo mundo pular com Slave to the Grind, um dos tantos sucessos de sua antiga banda, o Skid Row. Em seguida, vieram Kicking & Screaming e Dirty Power, ambas de seu mais recente trabalho solo, de 2011.

Aos 44 anos, Baz ainda é um grande líder, ele sabe do que seu público gosta. O tempo todo foi muito comunicativo, fazia piadas, arriscava algumas palavras em português e tem uma presença de palco intensa. O público retribui com aplausos, gritos, presentes jogados no palco como camisetas e bandeiras do Brasil. O show continuou com outros dois sons do Skid Row, Here I Am e Big Guns. Em seguida, a banda executou duas do primeiro álbum, Angel Down (2007), (Love is) A Bitchslap e Stuck Inside, que na gravação, conta com a participação de Axl Rose. O momento de Skid Row voltou com Piece of Me e, pouco tempo depois de começar, Bach interrompeu a música porque uma briga começava na plateia (confira o momento no vídeo o fim da resenha). O vocalista disse que todos estavam ali para se divertir e, usando o refrão de uma das músicas do Skid Row, puxou o coro com os fãs que gritaram “Get the fuck out!”. Problemas solucionados, a música foi retomada com a mesma energia e emendada com a incrível 18 and Life. Antes de anunciar a próxima música, Bach levou o Carioca ao delírio ao declarar que o público brasileiro é o melhor do mundo e lembrou do show de abertura que fez para o Guns ‘n’ Roses, em 2010, declaradamente um dos melhores momentos de sua carreira. O set seguiu com o cover de PainmuseuM, American Metalhead, que Tião carinhosamente cantou “Brazilian” Metalhead, para homenagear seus fãs.

Um momento muito especial dos shows dessa turnê é quando Bach canta alguns trechos de músicas à capela. As músicas mudam de tempos em tempos e, na terça, ele escolheu Breaking Down, Quicksand Jesus e In a Darkened Room, e o público fez bonito: cantou com emoção e algumas vezes sobressaiu ao próprio vocalista! A banda tocou Caught in a Dream e, antes de começar Monkey Business, Baz brincou com o público e disse que cantaria “Macaco” Business e assim o fez – não só ele como os guitarristas nos backing vocals também, fazendo deste uma das lembranças mais divertidas do show. A noite foi para a sua reta final com mais duas músicas do CD Kicking & Screaming: My Own Worst Enemy e a balada Wishin’, ao fim desta, Baz agradeceu seu público pelos 20 anos de rock ‘n’ roll proporcionados a ele. Os tempos de Skid Row ainda foram lembrados com gritos, choro e emoção em I Remember You. A banda ainda tocou Tunnelvision e, apontando para sua tatuagem no braço direito, Baz indicava que o encerramento da noite seria em grande estilo e com clima de festa com Youth Gone Wild. Ao final, ele apresentou um a um seus companheiros de palco e foi ovacionado quando Johnny o anunciou.

Sebastian Bach, Baz, Tião, chame como quiser, mas não há dúvidas de que o cara e sua banda fizeram um grande show para um grande público. Talvez não grande em proporções, mas enorme em carinho e dedicação recíprocos. Mesmo sem conseguir cantar como fazia há 20 anos, Bach consegue em uma hora e meia viajar pela sua história, contemplando a carreira solo e a banda que o revelou, sem perder a atenção de seus fãs por um momento sequer. Se um dia ele teve um grande problema com o público brasileiro, lá no Monsters of Rock de 96, parece que agora as pazes foram feitas.

 

Set list:

Slave to the Grind
Kicking & Screaming
Dirty Power
Here I Am
Big Guns
(Love is) A Bitchslap
Stuck Inside
Piece of Me
18 and Life
American Metalhead
Breaking Down / Quicksand Jesus / In a Darkened Room (à capela)
Caught in a Dream
Monkey Business
My Own Worst Enemy
Wishin’
I Remember You
Tunnelvision
Youth Gone Wild

 

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Escrito por

Renata Santos

Sou formada em jornalismo e colaboro com sites de música há quase dez anos. Integro a equipe do Portal do Inferno desde 2011.