Paradise Inc. – De Grigo

Se você acha que não existe uma cena de AOR/hard rock no Brasil, então precisa conhecer a Paradise Inc. A banda formada por Rick A. (baixo) Allan Juliano (bateria), De Grigo e Marcos Peres (guitarras) e o vocalista alemão Carsten “Lizard” Schutz lançou, no ano passado, o seu debut Time, pela gravadora Avenue of Allies. A Paradise Inc. traz em suas músicas uma sonoridade moderna, mas sem perder a natureza do estilo, e a expertise de profissionais renomados que trabalharam para que, mais do que uma nova promessa musical, a banda deixe a sua marca entre os grandes nomes do AOR.

De Grigo conversou com o Portal do Inferno sobre todo o processo que levou à formação da banda e lançamento de Time, as participações especiais, as particularidades de ter um integrante residente na Europa e os planos de um futuro próximo. Confiram:

Portal do Inferno: Oi De Grigo. Antes de tudo, muito obrigada pela entrevista. Para a galera que ainda não conhece a Paradise Inc. como você define o trabalho da banda?
De Grigo:
Obrigado você, Renata! Defino o trabalho da banda como AOR e Melodic Rock, com algumas pitadas de Hard Rock Americano dos anos 80. Essa é a nossa essência.

P.I.: Quais são as principais influências da banda e quais elementos elas trouxeram para as suas músicas?
De Grigo:
Olha, gostamos de muitas bandas do estilo. Acho que nomes como Jaded Heart, Europe, Journey, Danger Danger, Bon Jovi, Pink Cream 69 e Harem Scarem são unanimidade! Tentamos pegar tudo de melhor que essas bandas apresentaram em seus trabalhos para adicionar à nossa música. Vocais de Michael Bormann, frases de guitarra do Sambora, Kee Marcello, Neal Schon e etc.

P.I.: Você e os demais integrantes brasileiros – Rick, Marcos e Allan – já são conhecidos na cena de São Paulo por tocarem em diversas bandas covers há muitos anos. Como foi, para vocês, essa transição de cover para sons próprios? Quais cuidados vocês tomam para o som da Paradise Inc. não parecer, de certa forma, um cover dessas bandas que vocês tocam?
De Grigo:
Acho que foi uma transição natural para todos. Tocar covers na noite de São Paulo é uma grande escola, mas, mesmo assim, não era algo nosso. Sabíamos que para evoluir como músicos, precisaríamos compor e mostrar o nosso material. E assim foi feito! Decidimos tocar algo que sempre gostamos e que grande parte do público brasileiro não conhece. Querendo ou não, muitos fãs de hard conhecem “bandas-chave” como Kiss, Bon Jovi e Skid Row. Mas outras desconhecem a existência de Jaded Heart, Pink Cream 69 e Harem Scarem. Acredito que escutar essas bandas menos conhecidas aqui no Brasil e de uma qualidade excepcional foi o elemento principal para compormos de uma forma diferente, fazendo com que a banda seja lembrada pelo som do Paradise Inc., e não por ser um cover de Skid, Kiss e Bon Jovi.

P.I.: Como vocês conheceram o vocalista Carsten “Lizard” Schulz? Por que optaram por um vocalista estrangeiro? Vocês testaram outros vocalistas por aqui até chegarem ao Lizard?
De Grigo:
Conhecemos o nosso vocalista por intermédio do nosso amigo e produtor Paul Logue, da banda Eden’s Curse. Quando estávamos buscando algumas opções para assumir o posto de vocalista do Paradise, o nome de Lizard nos foi indicado. Ele gravou uma demo e nos enviou. Quando a escutamos, todos nós decidimos que ele era o cara que a banda estava precisando, decidindo, assim, não buscar nenhuma outra opção a não ser ele. A questão de optar por um vocal estrangeiro foi meio que óbvia: a nosso ver, aqui no Brasil não existem grandes vocalistas nessa linha AOR e Melodic Rock. Todos que tentam cantar essa linha apresentam um sotaque horrível e isso prejudica qualquer banda brasileira que queira entrar no mercado estrangeiro. Essa é a mais pura verdade! Existem pessoas que cantam e interpretam errado na língua inglesa aqui no Brasil e se acham o máximo! Azar o deles.

P.I.: Com o Lizard morando na Alemanha e os demais integrantes no Brasil, isso não dificulta o planejamento de shows para vocês?
De Grigo:
Não dificulta. Estamos em um mundo muito mais globalizado do que antigamente. Se você me fizesse essa pergunta em 1980, com certeza eu falaria que sim. Mas, hoje em dia, existe tanto a possibilidade de viajarmos para a Europa, Japão e E.U.A. como a de fazer shows pela América Latina com a banda. É só esperarmos o momento certo.

P.I.: Como foi o processo de composição, gravação e produção do álbum Time? Eu sei que levou um bom tempo até vocês chegarem ao resultado final e ser lançado. Por que a demora?
De Grigo:
Olha, o processo foi meio lento sim. Depois de gravar uma boa parte do CD em 2009, ficamos escutando as músicas e decidimos produzi-las novamente. O material antigo não estava tão legal assim e precisávamos repaginar algumas coisas. Mandamos todos os arquivos pela internet e mixar através da mesma não é igual do que ter uma pessoa ao seu lado, explicando de uma maneira mais dinâmica o que deve ser feito para a melhoria do som. Todo esse processo foi meio estressante e a gente discutia muitas coisas ao mesmo tempo, o que, de fato, também nos atrapalhou. Mas se eu for parar e pensar, acredito que todo esse trabalho valeu muito a pena, pois aprendemos muito com isso e o disco ficou muito acima da média.

P.I.: O álbum foi lançado na gringa, em outubro do ano passado, pela gravadora Avenue of Allies. Como está a aceitação do público e da crítica na Europa?
De Grigo:
Está sendo excelente! Estamos sendo bem procurados nas lojas especializadas, com o álbum vendendo bem. Tanto o público como a crítica têm nos elogiado e esse tipo de feedback é essencial para nos estimular.

P.I.: A versão nacional do álbum será lançada pela Voice Music, em abril e terá também um DVD bônus. Qual será o conteúdo desse DVD? O CD terá algo de diferente da versão europeia?
De Grigo:
Sim! O encarte foi inteiro reformulado. Acreditamos que ter dois materiais diferentes pode incentivar aos colecionadores a comprar as duas versões. O DVD virá com um documentário, com uma entrevista com a banda e comentários “track by track’ de todo o álbum.

P.I.: Quando o público brasileiro terá a chance de ver o Paradise Inc. ao vivo?
De Grigo:
Olha, estamos lutando bastante para que isso aconteça em breve! Mas acho que alguns contratantes aqui no Brasil deveriam se ligar! Não é possível ganhar R$ 500 para tocar no Manifesto ou fazer bilheteria no Blackmore! Somos uma banda com custos, é o nosso trabalho e gostaríamos de, no mínimo, receber uma ajuda de custo digna! Querem contratar o nosso show? Paguem o nosso cachê, sem lamentações.

P.I.: Agora que o álbum foi lançado e a versão nacional está chegando, quais são os próximos planos da banda?
De Grigo:
Estamos pensando em soltar uma faixa inédita na internet ainda este ano para continuarmos o nosso planejamento e divulgação. Também já começamos a compor novas músicas para o próximo álbum, que será lançado até o fim de 2013. Trabalho, trabalho e trabalho! (risos)

P.I.: Time tem a participação especial do Doggie White (Rainbow, Yngwie Malmsteen, Cornerstone e Tank) na faixa Not in Paradise. Como aconteceu essa parceria e, entre todas as músicas do álbum, por que escolheram esta para ele?
De Grigo:
Conheço o Doogie desde 2007. Também sou designer e presto serviço para muitas bandas europeias, fazendo sites, capas de CD’s e etc. Ele veio por meio desse tipo contato. Fiz o convite e ele topou na hora. Estava aí um novo desafio para ele, pois ele nunca tinha cantado algo mais AOR. A faixa Not In Paradise possibilita uma coisa comum que nós, músicos, explicamos como “pergunta e resposta”. Buscamos esse duo para deixar a faixa mais interpretativa, com mais sentimento e emoção.



P.I.: Um assunto que foi bem comentado no fim do ano passado foi a falta de apoio da mídia, público, etc., às bandas nacionais. Qual é a sua opinião sobre o assunto?
De Grigo:
Não acho que existe falta de apoio. O underground sempre foi o underground! O que existe são músicas boas e ruins. Isso que leva o público aos shows ou não. É uma grande besteira querer viver das glórias do passado. Acredito que o Edu Falaschi ficou frustrado com isso. É impossível ele querer que no show dele apareça a mesma quantidade de fãs que o Angra tem! Depois daquela apresentação do Rock in Rio que, na minha opinião, FOI O PIOR MOMENTO DO ANGRA EM TODA A SUA CARREIRA, ele deveria ter ficado quieto. Duvido que tenha alguma pessoa da cena que achou aquilo épico! No dia do Metal Nacional, a frustração dele falou mais alto do que a razão. Muitas coisas fortes foram faladas ali. Ele menosprezou as pessoas que tinham admiração pela figura dele, mandando mensagens de carinho pela internet e etc. Aqui é o país do “faça você mesmo” e durante um bom tempo será assim. Parece que ele não aprendeu que ao sair de uma banda ou realizar um novo projeto, TUDO, MAS TUDO começa de novo. Ridículo.

P.I.: Bom, De Grigo, mais uma vez, muito obrigada pela entrevista. O espaço é seu agora para deixar um recado aos fãs e leitores do Portal do Inferno.
De Grigo:
Eu que agradeço a você, Renata, e ao Portal do Inferno! Muito bom o papo e obrigado pelo seu apoio ao Paradise Inc. sempre! Aos fãs e leitores, acessem o nosso site para obter mais informações sobre a banda. Ainda está rolando a promoção que dará como prêmio dois kits com CD e camiseta da banda. Para quem não conhece o nosso trabalho, ficaria muito honrado de saber a sua opinião. Obrigado por dispor do seu tempo para ler esta entrevista. É assim que se fala! Live and Learn!

Renata Santos

Sou formada em jornalismo e colaboro com sites de música há quase dez anos. Integro a equipe do Portal do Inferno desde 2011.