• O que significa trabalhar com música underground, para você?

Para mim, a música underground representa liberdade criativa. A arte é uma ferramenta de expressão importante, e eu acho essencial produzir algo que seja verdadeiro e autêntico, ao invés de seguir padrões e tendências, ter o processo criativo sendo feito pelos mesmos produtores e compositores, e soando muitas vezes similar, além de priorizar o lado comercial. Acho isso triste e sem vida. Eu amo criar, e participar do processo como um todo. Isso para mim é mais importante do que qualquer coisa. E a música underground permite isso. Há inúmeros artistas e bandas independentes, cada uma com sua própria identidade e produzindo músicas de qualidade. Acho importante essa contribuição.

  • “Lie” é o seu último Single, como ele vem sendo recebido pela imprensa que já teve acesso a ele?

A recepção pela imprensa foi positiva. Comparado aos lançamentos anteriores, a repercussão tem sido mais significativa e isso me deixa muito contente. Sei que ainda tenho um longo caminho pela frente, mas sinto que estou aos poucos conquistando mais espaço.

  • Quais as principais diferenças que você enxerga em “Lie” com relação aos trabalhos que saíram antes dele?

Já faz alguns anos desde que decidi que queria participar mais da produção, expressar mais minhas ideias, além das letras, nas harmonias também. Então comecei a explorar mais meu lado como compositora, porque eu queria me sentir mais segura com o que eu criava. E embora as últimas músicas sejam um reflexo disso, em “Lie” eu me senti ainda mais segura quanto a isso. Decidi fazer uma demo, e além do piano, também me arrisquei na guitarra mesmo com poucos meses de prática. Antes de mostrar para o produtor, tentei desenvolver mais essa composição do que as demais, pensando em mais detalhes, vocais de apoio, e defendendo mais minhas ideias na hora de gravar no estúdio. Foi uma experiência diferente nesse sentido, acho que principalmente porque antes, se eu tinha uma ideia de música mais pesada, eu já não fazia questão de participar tanto da composição. E também porque a letra expressa um profundo desejo pela cura, pela liberação de todos os sentimentos negativos que eu sentia e lutava contra há anos. E isso foi o início de uma transformação recente que tive na minha vida. Então posso afirmar que “Lie” marca o início de um novo momento na minha vida como artista musical, como cantora e compositora e na minha história de vida, o que será refletido nas próximas letras.

  • “Lie” possui uma mensagem muito forte? Quais as suas expectativas do Single com relação aos fãs?

“Lie” aborda transtornos psicológicos e consequências negativas que a luta contra esses conflitos internos pode trazer. Nesse single eu foquei mais em relatar os sentimentos ruins do que abordar assuntos pesados de forma mais específica. E o ponto principal é o desejo pela cura, a vontade de superar e de se livrar da culpa de algo que está fora do nosso controle, e que ninguém deseja para si mesmo, nem para ninguém, mas que a gente acaba muitas vezes aceitando, achando que é o nosso destino. Para mim, é uma mensagem muito relevante e de grande importância. E de fato, reconhecer isso teve um grande impacto na minha vida, e me levou a escrever a letra de “Lie”. Sobre expectativas, eu espero que o single possa ter um impacto positivo em quem escutar e gostar, ou até mesmo em alguém que se identifique com a letra, e esteja em busca de cura e de uma melhor relação consigo mesmo.

  • A arte da capa foi assinada por qual profissional? Qual o significado da foto contida nela?

Todo o visual até agora foi idealizado e realizado por mim. Eu adoro esse processo de criar, fotografar, filmar, mesmo que possa parecer menos profissional. Minha irmã também participou de algumas partes, me dando suporte. Inclusive, ela que fotografou a arte de capa de “Lie”. A foto para mim transmite melancolia e solidão. As rosas eu escolhi incluir não só no visual de “Lie”, mas em outros momentos do projeto porque, além de gostar dessas flores, elas representam fragilidade, efemeridade, e para mim são uma representação poética da depressão.

  • O que você pode nos falar sobre a pós produção do Single? Como se deram a mixagem e masterização dele?

A demo que gravei em casa se transformou em uma nova versão feita no estúdio com o produtor, e foi feita uma mixagem em que tive uma pequena participação. Mas no final, eu não estava satisfeita e queria mudar várias coisas, então procurei outro profissional até mesmo porque precisava de um engenheiro de som para a masterização. O single foi regravado, mixado e masterizado pelo Pablo Greg, que é um excelente profissional especializado em full production.

  • “Lie” ganhará uma tiragem limitada em CD? Existem planos para uma produção em maior escala neste sentido?

No momento, estou focando somente no lançamento digital e em singles. Mas gostaria de lançar uma versão em CD um dia, talvez no lançamento de um álbum.

  • Como tem sido os shows desta fase da sua carreira? O público está conseguindo assimilar as músicas dos Singles?

Ainda não tive a oportunidade de fazer shows com esse projeto, e esse ano estou focando em questões pessoais, porém é algo que comecei a ter vontade de fazer. Quem sabe em um futuro próximo.

  • Imagino que foi desafiador escrever esse material. Rolou alguma pressão da gravadora para que chegassem em um nível específico?

Rolou uma pressão de mim mesma [risos]. O projeto musical é independente, então não tenho gravadora. Mas essa música é muito especial para mim desde o início, e também porque gravei uma demo em casa, então queria que tudo ficasse do jeito que idealizei, ou melhor. O vocal principal e os vocais de apoio, os efeitos, a mixagem… eu realmente queria que tudo ficasse da melhor forma possível. O que resultou na regravação do single. E eu acho que devemos sempre continuar nos aprimorando e desenvolvendo nossas habilidades, e é o que eu busco fazer, então nunca estou 100% satisfeita com tudo, mas fiquei muito contente com o resultado.

  • Obrigado pelo tempo concedido a nós do Portal do Inferno. Mande notícias da cena de São Paulo, por gentileza…

Obrigada a você pelo espaço, foi um prazer poder compartilhar um pouco da minha trajetória e falar sobre o novo single. Espero que gostem.