O interior de São Paulo é sinônimo de festas de peão, erre puxado, plantação de cana-de-açúcar, o jeito caipira de ser, música sertaneja e modas de viola, certo? Errado! Existem festivais e bandas de vários estilos de metal, e, para mostrar o lado brutal que há na “tranquilidade” interiorana, o Portal do Inferno procurou o Queiron, banda de brutal death metal originária de Capivari.

Com quase 17 anos de estrada, três álbuns lançados, além de um split e algumas demos, o Queiron já teve oportunidade de tocar com grandes nomes do metal extremo como Cannibal Corpse, Belphegor, Marduk, Obituary, Master, dentre outros. Após várias mudanças de formação, o line-up atual conta com Oscar M. Vision (bateria), Ricardo Pestiferus Grous (guitarra), Lauro Nightrealm (baixo), além de Marcelo Daemoniipest Grous (vocal e guitarra), que conversou com o Portal do Inferno, como você pode conferir a seguir.

Queiron

Portal do Inferno: Como se deu a escolha do nome Queiron?
Marcelo Daemoniipest Grous: Quando começamos com a banda, no fim de 1994, eu e o antigo baixista Marcelo Moretti queríamos um nome forte, imponente, que tivesse a ver com brutalidade, vingança, sabedoria, e acabamos achando Queiron, que é um centauro da mitologia grega.

P.I.: Cite um show marcante na carreira do Queiron. A banda já passou por alguma situação inesperada no palco?
Marcelo: Todos os shows são importantes para nós, fazemos dessa celebração um momento único para mostrarmos nosso trabalho, expor nossos sentimentos perante o metal extremo. Fizemos um show muito especial no ano de 2007, em Campinas (SP), na abertura para o Cannibal Corpse, junto com a banda carioca Cold Blood. Esse show foi muito foda, cerca de 500 pessoas interagindo insanamente, foi foda.

P.I.: Ao longo desses mais de 15 anos de existência houve mudanças na formação da banda, gostaria que comentasse sobre isso, e também sobre o entrosamento do Ricardo e do Lauro no Queiron.
Marcelo: Agora no final do ano estaremos completando 17 anos de banda, de batalhas, de muita luta em prol do metal nacional extremo, e durante esse tempo tivemos várias baixas na banda, por vários motivos, mas o importante é que sempre acreditei no potencial da banda, e nunca desisti da batalha. O entrosamento do Ricardo e do Lauro foi muito importante para podermos expressar de forma mais coesa o que tentamos expor em nossas músicas, que é vingança, brutalidade, música marcante. Os dois se encaixaram perfeitamente no contexto, e estamos cada vez mais fortes.

P.I.: Em 2008 foi lançado o terceiro full-lenght, The Shepherd Of Tophet. Como foi/tem sido a receptividade do público e da crítica em relação ao mesmo?
Marcelo: Tem sido muito positiva, e foi um disco divisor de águas para a gente, pois fizemos lances em nossos sons que nunca tínhamos feito, e os verdadeiros headbangers apreciaram muito.

P.I.: No The Shepherd Of Tophet houve a participação especial de Sérgio “Ballof” Borges, do Headhunter D.C., na faixa Impalement Ritual Assembly. Como se deu essa participação?
Marcelo: Sim, e foi com grande honra que convidei nosso irmão Sérgio para fazer essa participação. Essa música é atípica do Queiron, pois ela é cadenciada inteira, e achamos que os vocais dele iriam ficar perfeitos nesse som, e ficou muito massa. Ele curtiu muito também. Enfim, ele gravou os vocais lá em Salvador mesmo, e depois fizemos a mix aqui em Sampa. Ainda não aconteceu de a gente tocar ao vivo juntos esse som, mas vai acontecer no dia 17 de dezembro, em Recife, onde iremos tocar ao lado do Headhunter D.C., e vamos fazer essa junção insana ao vivo.

P.I.: Bom, você sabe que eu gostei muito da parte gráfica do The Shepherd Of Tophet, qual a importância de se fazer um encarte com uma artwork bem elaborada?
Marcelo: A arte é tão importante num todo como a gravação, as músicas. Como tudo que fazemos em relação à banda, buscamos sempre a perfeição, queríamos uma arte fudida, então nos dedicamos bastante para fazê-la. Sempre iremos buscar coisas marcantes para a banda, mas tudo relacionado ao metal extremo, nada de influências externas ao nosso movimento.

P.I.: Pelo que pude perceber, você é o principal compositor da banda, certo? Como é o processo de composição das músicas? E como tem sido a participação do Lauro e do Ricardo nas novas composições?
Marcelo: Sim, desde o começo eu me encarreguei de fazer as composições e tal, mas o Oscar escreve as letras também, e agora no disco novo que estamos gravando o Ricardo teve participação em dois sons. O Lauro entrou para a banda, e o disco estava praticamente inteiro composto, mas nas próximas composições, com certeza vai ter participação dele. Na verdade eu faço as músicas sozinho, e nos ensaios vamos passando juntos, elaborando as partes, pois as músicas são minhas, mas nos arranjos a banda toda participa.

P.I.: Já pensaram em gravar um cover ou uma releitura de alguma música? Se sim, qual?
Marcelo: Cover nunca passou pela nossa cabeça, mas uma regravação, sim. Talvez para um próximo cd, uma música do primeiro disco, Impious Domination, com arranjos novos.

P.I.: Já foram divulgados os nomes das músicas que estarão presentes no próximo álbum, bem como o título do mesmo. Existe uma previsão de quando será lançado o Sodomiticvm Per Conclave?
Marcelo: Nesse exato momento já está tudo gravado, menos duas intros, e depois só falta mixar e masterizar, mas ainda não temos um selo certo para lançar e nem data prevista, mas também não estamos com muita pressa, pois queremos que seja nosso melhor trabalho, e para isso temos que fazer com tempo.

P.I.: O que podemos esperar desse opvs?
Marcelo: Com certeza será nosso melhor trabalho, mais variado, com três novas músicas cadenciadas, mas bem empolgantes. Em duas dessas músicas eu arrisquei a cantar um vocal limpo, para dar um clima pesado por baixo, um clima denso, e acho que ficou legal, algo à la Morbid Angel, para diferenciarmos um pouco, pois já estamos no quarto cd, e fazer os quatro iguais é complicado. São somente algumas coisas novas, alguns novos elementos para dar um clima diferente, mas a pegada brutal do Queiron estará presente no álbum todo.

P.I.: Já ia me esquecendo… donde están las balas de la pistola? (risos)
Marcelo: Estão bem guardadas, atrás dos sete portais do inferno. (risos)

P.I.: Gostaria que deixasse uma mensagem para os leitores do Portal do Inferno.
Marcelo: Agradeço muito por essa imensa oportunidade, agradeço a você também, Regina, que sempre nos apoiou, sempre apoia a cena brasilera, e a todos os cães do inferno maníakkos que nos acompanham nessa batalha.

P.I.: Valeu pela entrevista!
Marcelo: Hailz 666 MVSICA INFERNALIA EXTREMVS – SINCE 1994
MARCELO DAEMONIIPEST GROUS & QUEIRON

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