Com pouco mais de uma década, o Crashdïet segue atravessando tragédias (como a trágica morte do principal compositor e vocalista Dave Lepard, em 2006) e na saga de ser um dos principais representantes do sleaze glam, uma mistura do visual do glam rock com a pegada musical do punk.

A terceira passagem dos suecos pelo Brasil foi antecedida de muitos burburinhos. Dois dos principais envolviam a venda de bebidas e a entrada de menores de idade no show. A primeira recomendação foi seguida à risca, já a segunda… bem. Um temporal sem precedentes que caiu no final da tarde de sábado, depois de um dia inteiro com sol de rachar crânio, foi assustador. Vários bairros próximos ao Clash Club ficaram em estado de alerta ou completamente alagados. Obviamente, isso atrapalhou um pouco a chegada das pessoas, mas não deixou de ser motivo para casa cheia. Bem cheia.

A dificuldade que fotógrafos, principalmente, enfrentaram para registrar o show, fora os baixinhos que tinham muralhas de quase dois metros na frente, também foi outro dos problemas. A produção, de certa forma, se equivocou ao achar que a Clash, apesar de espaçosa, ia ser suficiente para acomodar a galera. Só não foi mais abarrotado porque essa “proibição” para menores na entrada foi um agravante. Muita gente se lamentava nas redes sociais ao saber que poderiam ter ido já que não houve, segundo alguns, a verificação de RG na entrada do evento.

Com um atraso aceitável devido aos contratempos e a instabilidade de energia elétrica que costuma pairar sobre o bairro da Barra Funda em situações como essa, a banda entrou no palco já passava das 21h. Essa tour inclui dois shows no Brasil (este e outro no Rio de Janeiro, que aconteceu no domingo) e divulga o mais recente disco da banda, The Savage Playground. O set list foi aberto com três sons deste disco: Change the World, Circus e Anarchy e esse início já foi o suficiente para ganhar o público. A galera cantou todas, numa interação que visivelmente também agradou a banda.

Por mais que o som tenha cara de coisa nova e arranjos modernos, a referência oitentista de, principalmente, bandas como Guns n’ Roses e Mötley Crüe são evidentes. O repertório seguiu mesclando sons mais antigos com mais recentes, incluindo In the Raw, um dos hits da banda que originalmente foi gravado com Olliver Twist no vocal (atual Reckless Love). O ponto alto do show foi em Queen Obscene/69 Shots, quando o público continuou cantando junto e veio à loucura, tornando a pista quase impossível de ter os dois pés no chão de tão abarrotada.

Se os fãs demonstravam seu amor pela banda com uma horda de camisetas deles, acessórios, glitter e maquiagem, foi com palavras que eles mostraram gratidão aos fãs brasileiros. Eric Young, o baterista, foi um a dizer ama o Brasil e até arriscou umas palavras em português para mais gritaria da galera. Com um set extenso e dois bis, o show foi definitivamente encerrado com a nova Cocaine Cowboys e Generation Wild, faixa-título do disco anterior.

O show certamente foi mais marcante e intenso do que o de 2006. Sete anos depois, voltando com novidades e agitando o público, o Crashdïet mostra que, se depender deles, o glam, ou melhor, o sleaze está bem longe de acabar. E se depender dos fãs locais (menores de idade ou não), alguns literalmente atravessando praticamente um mar para chegar até eles, o fim também está bem distante.

Setlist:

Change The World
Circus
Anarchy
Breakin’ the Chainz
In The Raw
Rebel
Lickin’ Dog
Queen Obscene / 69 Shots
Got A Reason
It’s a Miracle
Garden of Babylon

Bis:
Riot in Everyone
Chemical
Excited
Down With The Dust
Liquid Jesus

Bis 2:
Cocaine Cowboys
Generation Wild

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