Steven Wilson – Teatro Bradesco – São Paulo/SP

Após pouco mais de um ano de se apresentar pela primeira vez no Brasil, o renomado músico/produtor Steven Wilson trouxe ao País sua nova turnê, promovendo o lançamento do disco, o terceiro de sua carreira solo, The Raven That Refused To Sing (And Other Stories) lançado em fevereiro. Dessa vez, o show ocorreu no Teatro Bradesco, que contou com uma infraestrutura impecável para a apresentação. Com lugares marcados e excelente visualização do palco a partir da plateia, era possível ver que, mesmo não tendo lotado todos os lugares da casa, houve mais pessoas presentes do que o show do ano passado.

Pontualmente às 21 horas como previsto, as luzes se apagaram e, por quase meia hora foi exibida uma projeção da lua com nuvens passando à frente. No satélite, ora era possível ver rostos, ora a imagem da capa do disco, acompanhados por uma música ambiente do projeto Bass Communion que, ao se tornar mais tensa, deu a deixa para que a banda surgisse, ovacionada, no palco.

Descalço, como de costume, Steven veio acompanhado de Theo Travis (flauta, saxofone, clarinete), Nick Beggs (baixo e backing vocals), Adam Holzman (teclados), Guthrie Govan (guitarra e backing vocals) e Chad Wackerman (bateria) que nessa parte da turnê substituiu Marco Minnemann, que não pode participar por conflitos de agenda.

Com Luminol, a banda iniciou a apresentação e em determinado momento o som estava “estranho”, até que na parte mais calma da música Steven levanta os braços e para o show dizendo que aquilo estava horrível. Rindo, ele diz para o baterista “Chad, a culpa é sua” e pede desculpas dizendo que era a primeira vez que isso acontecia. Propôs, de bom humor, continuar dali ou recomeçar. No fim recomeçaram e executaram Luminol dessa vez sem problemas.

O bom humor de Steven Wilson perpertuou-se pelo show inteiro. Comunicativo, falou em português o quanto amava os fãs brasileiros e como era bom retornar ao País. Apresentou algumas canções com breves discursos como em Harmony Korine, onde falou sobre o diretor cujo nome ele pegou para a canção. E, em um momento mais “rock”, como ele definiria, explicou que sentia-se como uma pessoa que foi a uma festa e era a única a dançar, referindo-se ao público sentado enquanto ele tocava. Com isso incentivou uma parte da plateia a se levantar e ir a frente enquanto outra parte ficou ao fundo sentada assistindo.

Isso gerou duas experiências nesse show para os fãs. Aqueles mais próximos ao palco ficaram mais imersos nos sons executados de forma impressionante pelos músicos, mas talvez perderam parte do espetáculo visual do show pois, ao fundo, durante as canções eram projetados vídeos e imagens que complementavam as músicas. Na segunda parte do show, durante algumas canções, o palco foi “coberto” por um véu à frente dos músicos no qual as imagens eram projetadas e o belo trabalho de iluminação criava um jogo de sombras, melhor visto se a pessoa se afastasse um pouco do palco. Através das sombras, era possível ver Steven caminhando entre os músicos, regendo-os ou gesticulando no ar como se pudesse pegar os sons.

O público respondia com muitas palmas em diversos momentos mas sem cantar todas as músicas. Isso aconteceu por todos estarem praticamente hipnotizados pela performance no palco. Antes de Raider II, Steven contou sobre a inspiração da música e disse que o começo dela era marcado por partes silenciosas, pedindo a colaboração de todos e brincando, deu alguns segundos para todo mundo falar um pouco antes de começarem a tocar. Mas lá para o fim da canção, o público não resistiu a algumas palmas e ovação.

Para fechar o set, a faixa-tiítulo do disco veio acompanhada do vídeo dela, uma belissima animação inspirada pela arte do álbum. Muito aplaudidos, os músicos deixam o palco após a canção e retornando após uma breve pausa. Com bom humor, Steven diz que essa era a hora de tocar algum hit, se ele tivesse algum. Com a reação de dó da plateia, ele apenas responde que por não ter hits ele “pode tocar o que diabos quiser”. Ele comenta sobre o Porcupine Tree e os primeiros álbuns da banda e como ele poderia tocar algo com essa banda atual. Assim, do início da carreira, ele executa Radioactive Toy do primeiro álbum do Porcupine Tree.

A resposta do público foi extremamente positiva e participativa. Dessa forma, após quase três horas do início do show a apresentação é encerrada e Steven apresenta a banda um a um, acompanhado de uma caricatura de cada músico na projeção ao fundo e de muitas palmas por parte dos presentes. Com um “Obrigado e boa noite”, projetado no fundo do palco, a banda se curvou agradecendo e sendo apaludida de pé por todo o teatro.

Uma apresentação de Steven Wilson é uma experiência única, digna de ser comparada com grandes shows, tamanho o cuidado com a parte visual além da musical. Acompanhado de talentosos músicos, ele pode se soltar e guiar banda e músico para um momento particular que ficará guardado, com toda certeza, na memória daqueles presentes.

Set list:

Luminol
Drive Home
The Pin Drop
Postcard
The Holy Drinker
Deform to Form a Star
The Watchmaker
Index
Insurgentes
Harmony Korine
No Part of Me
Raider II
The Raven That Refused to Sing
Bis:
Radioactive Toy (Porcupine Tree cover)