Chimaira, um dos nomes mais pesados e significativos do metal alternativo americano, que desde o início dos anos 2000 já lançava ótimos discos e ajudava a definir toda uma cena musical e a influenciar uma geração (a chamada New Wave of American Heavy Metal), se apresentou pela primeira vez no Brasil no último domingo, dia 8 de dezembro, em São Paulo. O show aconteceu no Carioca Club e a banda promovia seu mais recente álbum de estúdio, Crown of Phantoms (2013). Da formação original, apenas o vocalista Mark Hunter permanece até hoje e, mesmo com um tímido público, a banda fez um dos melhores shows de 2013, com técnica surpreendente, fidelidade ao apresentado em seus álbuns e energia o suficiente para iluminar uma cidade inteira. “Quem não foi, perdeu”, dizia o público atordoado após a apresentação do mitológico monstro de Ohio.

Para iniciar os trabalhos da noite, melhor escolha não poderia ter sido feita: o Skin Culture, em plena ascensão na carreira, e considerada uma das bandas do underground de São Paulo que mais se destacou no ano, fez um show coeso, extremamente técnico e pesado, muito pesado, digno de headliner.

Foto: Danilo Souza

Músicas de todos os álbuns foram executadas à perfeição, porém, o show dava destaque a sons de seu próximo CD, The Flame Still Burns Strong, que será lançado entre março e abril do ano que vem. Não faltaram porradas, como Set Me Free, Rapture e uma versão mais que pesada e cheia de cadência de Slave New World, clássico absoluto do Sepultura. O Skin Culture conseguiu colocar a casa abaixo e mostrar que estamos bem servidos de grandes bandas de metal nacional. Sem dúvida, essa banda tem tudo para ser mais um produto de exportação do nosso metal. Olho neles.

Em seguida, boa parte do público presente estava eufórica para acompanhar o show da banda de suporte desta turnê, que tem tudo para retornar ao país como headliner em outra ocasião. De Chicago, o performático e virtuoso Born of Osiris fez uma apresentação explosiva e quase roubou a cena com o melhor show da noite.

Foto: Danilo Souza

A banda oscilou entre momentos deathcore e passagens progressivas, dando margens para improvisações, que são o seu grande trunfo. O grupo possui excelentes músicos e, além do show técnico, propriamente mencionado, a banda não para um minuto no palco, interage toda hora com os fãs, pula, bangueia a cada breakdown minuciosamente encaixado entre os sons. Em suma, os caras fizeram um show caótico e explosivo, como se fosse o último de suas vidas. No set list dos malucos de Chicago, que prometeram retornar em 2014, foram executados sons que contemplaram toda a breve discografia como, por exemplo, Machine, Ascension, Open Arms to Damnation e Recreate, que encerrou a apresentação.

A seguir, com poucos atrasos, marca recorrente do respeito e profissionalismo da produtora Liberation M.C., o gigante Chimaira, com o carismático vocalista Mark Hunter, sobe ao palco. Faltam adjetivos para descrever a apresentação deste ícone do metal americano ao vivo. Energia e carisma sobram para todos os lados, porém, incertos da reação do público para sua primeira apresentação no Brasil, os músicos ousaram pouco e executaram um set list já apresentado em sua tour, sem grandes mudanças – algo como “em time que se está ganhando não se mexe”, porém, isso não tirou o brilho da apresentação.

Foto: Danilo Souza

Iniciando a porradaria com The Flame, o caloroso público impulsionou a banda a se entregar cada vez mais e, logo, ambos já eram velhos conhecidos. A intensa Year of the Snake veio na sequência e daí pra frente a festa estava completa.

A trinca de sons do álbum clássico Impossibility of Reason, com The Dehumanizing Process, Power Trip e Pure Hatred, não deixou dúvidas de que esta visita do Chimaira em solo brasileiro já havia passado da hora de acontecer. Onde as rodas de pogo mais insanas de 2013 surgiram, inclusive com alguns mais exaltados sendo contidos pelos seguranças da casa.

O poderoso single All That’s Left is Blood, de seu novo álbum, mostrou que a chama criativa da banda continua acesa, mesmo após mais de dez anos de estrada e tantas mudanças na formação. O único ponto negativo foi a falta de sons mais antigos, de quando a banda ainda abraçava o new metal (coisa que eles pouco se orgulham hoje em dia e tentam desvincular sua imagem). Apenas a introdução de algumas músicas dessa fase foram executadas por Mark Hunter na guitarra, inclusive, uma breve intro de Sad But True, do Metallica, influência explicita da banda.

Foto: Danilo Souza

O Chimaira encerrou a sua passagem meteórica pelo Brasil com o clássico Severed, com uma entrega impressionante de seus integrantes, inclusive, destruindo o teclado e uma guitarra após sua execução, tamanha empolgação e energia nesta performance. Os integrantes agradeceram ao público, pediram desculpas pela estafa ocasionada pela tour e prometeram voltar em breve. Presenciar um show desse tipo, com tamanha qualidade técnica, estrutura e receptividade nos enche os olhos e nos faz acreditar que, pelo conjunto da obra, o Brasil é cada vez mais a terra do metal.

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