Explosions in the Sky

Naquela quinta-feira, no Sesc Belenzinho, em São Paulo, estive no céu, mas voltei para o Portal do Inferno a fim de contar o que vi e ouvi no show do Explosions in the Sky.

Munaf Rayani (guitarra) subiu ao palco e falou o nome da banda em língua nativa, demonstrando respeito à plateia brasileira de quase 500 pessoas muito bem acomodadas no espaço da Comedoria do SESC: “Explosões no…” – ele esqueceu o resto, mas alguém completou a frase, e o diálogo, bem como o som da voz, acabaram ali, tornaram-se desnecessários.

A apresentação, que durou uma hora e meia, começou pontual e gradualmente foi tomando forma de cerimônia, um verdadeiro culto ritmado e emocional. No palco, o transe teve seu ápice nas músicas Memorial (do álbum The Earth Is Not a Cold Dead Place, 2003) e em Greet Death (do álbum Those Who Tell the Truth Shall Die, de 2001). O público, composto basicamente de jovens entre 20 a 30 anos, começou envergonhado, mas foi pegando o jeito de sentir a melodia e acompanhá-la com o corpo. Rolaram até palmas no ritmo orquestrado por Munaf.

A seleção das músicas desempenhadas foi bem mista, pincelando canções de cada um dos álbuns e dando destaque ao sexto e último deles, o Take Care, Take Care, Take Care, lançado em 2011. Todos os integrantes estavam em sintonia, inclusive o quinto elemento que compôs a banda para apoio nessa apresentação. Tocavam delicadamente e preparavam os espectadores para uma explosão de guitarras, baixo e bateria. A presença geral de palco foi notável em manifestações de técnica, dedos incrivelmente rápidos, desenvoltura com os instrumentos e principalmente na vontade de tocar.

A qualidade sonora se comprovou ao vivo e mostrou a que vem o post rock, esse gênero carregado de atmosfera e provedor de imersão. Nele, quase sempre quem canta são só os instrumentos multifacetados em distorções, que vão delineando as melodias com doses de rock experimental, jazz, dark ambient e alguns outros rótulos sonoros que ousamos tentar usar para explicar o inexplicável resultado musical.

A banda também se apresentou no Rio de Janeiro e assinarão, em breve, além das outras trilhas já compostas, os créditos de composição sonora do longa-metragem Prince Avalanche, dirigido por David Gordon Green, que será lançado em agosto.

Set list:

First Breath After Coma
Catastrophe and the Cure
Memorial
Postcard from 1952
The Birth and Death of the Day
Your Hand in Mine
Greet Death
Let Me Back In
The Only Moment We Were Alone

 

 

 

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