Epica e Dragonforce – Audio Club – São Paulo/SP

Existem estilos musicais que encontram mais afinidades com o público brasileiro que outros. Por mais que os detratores e críticos não gostem, as variações melódicas e sinfônicas do heavy metal são dois que sempre carregam um grande público no nosso país. As vindas recentes do Sonata Arctica (que nesse ano fez uma extensa turnê), o futuro retorno do Blind Guardian (com shows agendados em locais de médio a grande porte em outubro) e última passagem do Epica pelo país apenas confirmam o fato.

Dentre todas as passagens dos holandeses pelo país, a que culminou em um show lotado na Audio Club em São Paulo se mostrou a mais sucedida do grupo. Antes da abertura da casa, uma extensa fila se formou nas redondezas do local. Algumas divergências ocorreram durante a entrada, envolvendo os pertences do público o que resultou em muitos fãs sendo obrigados a deixar seus guarda-chuvas na porta e não encontrando os mesmos na saída quando um temporal assolava a região.

Pontualmente os holandeses subiram ao palco e dali até o final não tiveram dificuldade alguma de empolgar os presentes. Claro que muito disso se deve ao carisma (e beleza) de Simone Simons. Mas só isso não seria capaz de manter o nível do show não fosse o principal, sua voz. E ela demonstrou ter a sua afinadíssima passando pela discografia do Epica sem contratempos.

O restante dos músicos tem também sua parcela de responsabilidade. Em alguns momentos, quem se dirigia ao público era o guitarrista Mark Jansen, responsável por propor uma escolha entre duas músicas para que os fãs escolhessem, algo recorrente na turnê. No fim ambas as opções acabaram sendo escolhidas e tanto Fools of Damnation quanto Façade of Reality foram tocadas.

O entrosamento dos músicos é impecável, dessa forma eles pelo setlist inteiro interagiam entre si, com o público, pousaram para fotos de alguns sem deslizes musicais. Tal habilidade é admirável, assim como o respeito e a alegria de estarem ali fazendo algo que claramente gostavam. Mesmo o baterista, aquele músico que acaba em alguns casos isolado atrás de seu kit, teve seu momento de destaque. Ariën van Weesenbeek executou um breve solo após a canção que foi o ponto alto da noite.

Cry For The Moon é provavelmente a melhor música do Epica e se torna ainda mais grandiosa com a participação de um coral de brasileiros com direito a um papel entregue a Simone com os dizeres da letra “forever and ever“. Essas intervenções do público se tornaram comuns em diversas apresentações ocorridas por aqui, mas não deixam de ser algo único que acrescenta à noite.

Ainda houve a tradicional pausa para o retorno do bis que contou com três canções: Sancta Terra, Unchain Utopia e Consign to Oblivion que seguiram o setlist que vem sendo apresentado nessa tour de divulgação do disco The Quantum Enigma. Com essa apresentação, o Epica marca de vez o seu nome entre as mais queridas bandas do público brasileiro, daquelas que retornarão sempre (e serão acusadas de “arroz de festa” pelos detratores) mas que contarão com um público fiel e apaixonado.

Diversão máxima

A abertura da noite foi feita pelos convidados especiais do Dragonforce. Herman Li e cia. podem ser acusados ou rotulados de extremamente exagerados tamanha a quantidade de firulas e notas tocadas em uma única música. Ou então quando os músicos se juntam em uma plataforma colocada à frente do palco para interagirem com o instrumento do outro enquanto executa algo no seu.  Mas é exatamente isso que torna o show deles algo divertido.

Sem se levar a sério, como muitos virtuosos músicos, o Dragonforce aproveita que suas canções são extremamente técnicas, cheias de solos rápidos e duelos entre as guitarras para brincar, saltar pelo palco em movimentos coreografados fazendo a diversão do público. Divulgando o recente lançamento Maximum Overload, o grupo aproveitou para mostrar três canções do novo disco. Symphony of the Night, Three Hammers e The Game não deixam nada a dever em relação ao restante do material do grupo.

Levado pela empolgação, junto da excelente resposta do público que demonstrou estar ali também por eles, o Dragonforce fez uma performance empolgada fazendo até com que o guitarrista Herman Li quebrasse sua guitarra acidentalmente em um de seus saltos pelo palco. Apesar disso o show terminou sem muitos nem perceberem o ocorrido com Through the Fire and the Flames, o maior hit do grupo que os tournou mundialmente conhecidos através do jogo Guitar Hero

E isso não afetou seu humor aparentemente, pois após o show ele e outros membros passearam pela casa distribuindo autógrafos enquanto o Epica tocava. Fica agora a espera pela oportunidade onde eles façam um show completo por esses lados pois a passagem anterior, o grupo veio como convidados do Trivium.

Confira a galeria de fotos desse show!

Setlist Dragonforce:

Fury of the Storm
Three Hammers
The Game
Seasons
Symphony of the Night
Cry Thunder
Valley of the Damned
Through the Fire and Flames

Setlist Epica: 

Originem
The Second Stone
The Essence of Silence
The Last Crusade
Unleashed
Storm the Sorrow
Façade of Reality
Fools of Damnation
Sensorium
The Obsessive Devotion
Victims of Contingency
Cry for the Moon
Design Your Universe

Bis:
Sancta Terra
Unchain Utopia
Consign to Oblivion