HIM – HSBC Brasil – São Paulo/SP

Existem bandas as quais a gente jamais imaginaria ver no Brasil e que, possivelmente, os fãs teriam que viajar para o exterior se quisessem conferi-las ao vivo. O HIM era uma delas. ERA. No domingo, após 20 anos de espera, o grupo finlandês precursor do chamado love metal finalmente tocou pela primeira vez por aqui e causou uma comoção como há muito tempo não era vista! Num domingo chuvoso, eles conseguiram mobilizar fãs de todo o País e, no começo da noite, a fila já dobrava as esquinas da casa de shows e a empolgação era vista no rosto de cada pessoa que aguardava a abertura das portas.

Foto: Henrique Pimentel

Por volta das 20 horas, o público que já entrava na casa tomou um grande susto. Houve uma breve queda de energia no HSBC Brasil, que não durou mais que alguns minutos, mas foi o suficiente para que as mentes mais aflitas já pensassem na impossibilidade do show acontecer. Passado o nervosismo, a entrada dos fãs foi tranquila e aconteceu até momentos antes de Ville Valo (vocal), Mikko “Linde” Lindström (guitarra), Mikko “Mige” Paananen (baixo), Mika “Gas Lipstick” Karppinen (bateria) e Janne “Burton” Puurtinen (teclado) subirem ao palco ao som da introdução Lucifer’s Chorale.

Foto: Henrique Pimentel

Buried Alive by Love deu o pontapé inicial a um setlist bem semelhante ao que a banda vem executando nos últimos meses. Mesmo assim, foi uma boa e democrática escolha, passando por todas as fases do grupo, com direito a músicas do mais recente álbum, Tears On Tape (2013), aos grandes sucessos do passado e, é claro, as famosas baladas, como Join Me in Death e The Funeral of Hearts. Foram poucos os momentos em que a animação do público deu sinais de que poderia cair. E também foram poucos os momentos em que Ville não esboçava um grande sorriso de satisfação. Entre uma música e outra, ele falou poucas vezes com a plateia. Chegou a arriscar um “obrigado” ou outro, carregado de sotaque finlandês, mas, enquanto cantava, estava sempre atento aos fãs, que gritavam, cantavam e respondiam a cada comando.

Foto: Henrique Pimentel

A plateia deu um show à parte cantando todas as músicas, às vezes, até mais alto que a própria banda. Ville ganhou uma camisa 10 da seleção brasileira com o seu nome escrito e a banda ganhou uma enorme bandeira do Brasil estilizada com o Heartagram e assinada pelos fãs. O vocalista também “ganhou” um sutiã que foi jogado no palco e arrancou boas risadas dos músicos, quando ele disse que o tamanho era pequeno. Houve, ainda, momentos em que o palco foi invadido por fãs. Um deles teve a sorte que muitos queriam e conseguiu abraçar Ville, antes de ser retirado pela segurança da casa.

Foto: Henrique Pimentel

Toda a banda é extremamente competente e vale destacar os trabalhos de Linde e Mige que, em várias músicas, como Kiss of Dawn, All Lips Go Blue e Wicked Game, famosa cover de Chris Isaak, fizeram arranjos diferentes e bastante pesados. Gas Lipstick, um dos integrantes mais queridos pelos fãs, esbanja simpatia e desceu o braço nas baquetas. Já Burton é bem mais discreto e ficou boa parte do show sentado atrás dos teclados, fumando seus cigarros, mas deu toda a harmonia característica das músicas do HIM. Inclusive, coube a ele “anunciar” a última música. Após When Love and Death Embrace, a banda se retirou do palco por alguns minutos, Burton, então, voltou sozinho e tocou as primeiras notas de Sleepwalking Past Hope, do álbum Venus Doom (2007), enquanto os integrantes retomavam seus postos.

Foto: Henrique Pimentel

Dessa forma, cerca de uma hora e meia depois, aquela noite tão aguardada por todos chegou ao fim. O HIM cumpriu o seu papel e fez um show muito bom do começo ao fim e os fãs voltaram para suas casas – perto ou (muito) longe do HSBC Brasil – com um sorriso no rosto e a sensação de um sonho realizado. Não resta dúvidas de que essa passagem dos finlandeses por aqui marcou história e que o show estará entre os melhores que passaram e passarão pelo Brasil neste ano. No que depender da fidelidade, da alegria e da empolgação de seu público brasileiro, Ville Valo e companhia sempre terão portas abertas para voltar quantas vezes quiserem ao País, sempre com grande sucesso.

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Setlist:
Lucifer’s Chorale
Buried Alive by Love
Rip Out the Wings of a Butterfly
Right Here in My Arms
The Kiss of Dawn
All Lips Go Blue
Join Me in Death
Your Sweet Six Six Six
Passion’s Killing Floor
Soul on Fire
Wicked Game (Chris Isaak cover)
Tears on Tape
Poison Girl
For You
The Funeral of Hearts

Bis:
Into the Night
It’s All Tears (Drown in This Love)
When Love and Death Embrace

Bis 2:
Sleepwalking Past Hope

Renata Santos

Sou formada em jornalismo e colaboro com sites de música há quase dez anos. Integro a equipe do Portal do Inferno desde 2011.