Immortal – Carioca Club – São Paulo/SP

Immortal.

Essa resenha poderia acabar com apenas essa palavra. Immortal. Porque acredito que não exista alguém no meio Metal que não conheça essa banda. Iniciados no Black Metal ou não, impossível nunca ter cruzado num site da vida com alguma imagem hilária da lenda Abbath. E sim, ele É uma lenda! Uma lenda viva, atuante, e que foi capaz de levar para o Carioca Club, numa terça-feira, após a semana em que mais tivemos shows no ano, a lotação máxima da casa. Immortal. Aquela banda que dispensa comentários maiores, finalmente estava em nossas terras.

Immortal

O show, inicialmente marcado para as 21h, atrasou exatos 45 minutos. Mas, o que poderia ser algo muito criticado, dado horário e dia da situação, acabou se tornando algo positivo. Enquanto a fila não terminou de entrar, o show não foi iniciado. Ponto para o respeito aos fãs! Já dentro da casa, o que víamos no palco era uma bateria enorme bem ao centro, e dois microfones posicionados nas laterais. Um background que mal podia ser visto. E desde sempre, muita fumaça no palco. E aqui, mais um ponto positivo para a produção: a fumaça, que geralmente atrapalha a visão do palco, dessa vez contribuiu positivamente para criar um clima gélido em quem olhava para ele. Toda aquela fumaça, combinada com uma iluminação predominantemente azulada por 80% do tempo do show certamente remeteu todos as letras congeladas das músicas. Acrescenta-se a isso o clima naturalmente gelado que dominava a noite paulistana naquele dia, e tudo estava perfeito para que o Immortal tomasse de assalto o palco. E foi exatamente o que fizeram.

Immortal

All Shall Fall abriu a noite, que já trouxe na sequência Sons of the Northern Darkness, música do álbum homônimo, e que certamente é o maior clássico da banda. Fortemente aceita pelo público, a reação foi inflamada. Como aliás, em quase todo o set. Por exatos 1h30 o que se viu foi um trio de, literalmente, muito peso e carisma. Aqui, um ponto negativo: o som estava muito alto, o que fez todo o set soar embolado e confuso. Não ao ponto de tornar as músicas imperceptíveis, mas ao ponto de atrapalhar um pouco a audição. Mas, tendo Abbath no palco, muitas coisas podem ser deixadas de lado. Afinal, o cara é um showman como poucos! Suas expressões faciais, suas mundialmente famosas dancinhas são, além de pontos altos do show, momentos mais do que aguardados. Tanto que, no início de Call of the Wintermoon, quando ele fez a aguardadíssima “dança do siri”, foi possível ouvir muitos gritos, quase como a marcação de um gol! Confesso que eu fui um dos que reforçaram o coro! (rs) A verdade é que Abbath (voz/guitar) e Apollyon (baixo) possuem um total controle sobre os espaços do palco. Não bastando, ainda fazem inúmeras micro coreografias juntos, durante todo o set. A disposição nas laterais dos microfones faz e permite com que Abbath se desloque de um lado para outro todo o tempo, sem preocupações de voltar para ponto X ou Y. E também deixa a área de visão da bateria sempre aberta, coisa rara em qualquer banda. Isso mostra claramente que, apesar de todo o aspecto caricato que marcou a ferro quente o Immortal, a banda é extremamente profissional. Performática, musical, pesada, e definitiva! O set seguiu-se, e podemos destacar um momento máximo da apresentação. Durante a execução de Tyrants, após o segundo refrão, a banda simplesmente parou a música, e Abbath se jogou no chão com as pernas abertas e levantadas! Impossível alguém que se leve a sério fazer algo assim num show! Sentou no palco e pediu silêncio. Quando todos finalmente entenderam o que ele queria e o silêncio se fez presente, ele num movimento seco levantou-se, e levantou os braços, para que todos gritassem. Repetiu isso por três vezes, e em cada uma “micagem” diferente acompanhava o movimento. O público presente foi ao delírio! E sempre que pôde Abbath buscou esse tipo de reação. Após a execução de Blashyrkh (Mighty Ravendark) a banda saiu, para voltar com mais três músicas no bis, e encerrou o show com The Sun no Longer Rises.

Immortal

A verdade a ser dita aqui é que todos estávamos diante de uma lenda, que reinventou o Black Metal. Uma figura que se aceita caricata dentro de um estilo permeado por extremismos e atitudes imbecis em nome desse extremismo. Onde você sequer pode sorrir em um show sob a “pena” de ser execrado por isso. Abbath criou uma nova forma de se colocar no meio disso. Mantendo uma sonoridade característica, com muito peso e velocidade, mantendo a mesma temática gélida que toda boa banda norueguesa usa, apresentou ao mundo uma nova abordagem do estilo. Aquele que entende que a caricatura é inerente, e usa isso a seu favor. Suas dancinhas, ridículas até certo ponto, reforçam e corroboram definitivamente essa postura. E são o ponto alto de sua performance. E, se Abbath e sua “horda” se levassem a sério, talvez não tivessem metade da visibilidade, procura e RESPEITO que possuem. Para mim isso foi além de um show, uma lição. Uma forma de se olhar algo desgastado e até em certos momentos imbecil, de uma forma agradável, divertida e marcante. Um dos melhores shows do ano. Um dos mais fudidos shows do ano! Daqueles para você contar naquela roda de amigos muitos e muitos anos depois. Hail Abbath! Hail Immortal!



Video por: Carlos Henrique Eigenheer

Setlist:

All Shall Fall
Sons of Northern Darkness
The Rise of Darkness
Damned in Black
Triumph
In My Kingdom Cold
Tyrants
The Call of the Wintermoon
Beyond the North Waves
Battles in the North
Blashyrkh (Mighty Ravendark)

Bis

Withstand the Fall of Time
One by One
The Sun No Longer Rises

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