Bring Me The Horizon – Carioca Club – São Paulo/SP

Assistir um show como esse e ter que escrever sobre depois pode ser “perigoso”. Afinal, em cima do palco estavam cinco garotos tatuados até a alma, com roupas surradas, calças skinny e os malditos cabelos playmobil com a famosa franjinha. Resumindo: o típico estereótipo emo. Porém, o que esses cinco garotos conseguiram fazer naquele começo de noite dentro do Carioca Club foi, no mínimo, memorável. Épico, talvez? Absurdo também serve. Surpreendente, isso com certeza e inegavelmente! Uma apresentação simplesmente arrebatadora, para calar a boca de muita gente (inclusive a minha), e fazer se pensar em muitas coisas a cerca do caminho que trilha a música hoje.

O início dos shows (que contaria com a abertura da banda Carahter) estava marcado para as 19h. Cheguei ao local as 18h30, e ainda havia uma fila considerável esperando pelo lado de fora da casa. Imaginei que houvesse acontecido algum atraso significativo e a casa estaria vazia. Qual foi minha surpresa ao entrar e ver que a mesma já estava com 80% de sua lotação atingida. Tenho feito muitos shows no Carioca Club, mas ainda não tinha me deparado com um montante humano daquele (que chegou a estimados 2000 pessoas). E, não precisava mais do que uma simples olhada para perceber que a média de idade presente ali era, certamente, a mais baixa com que me deparei esse ano. Nítidas feições adolescentes, com o mesmo estereótipo citado no início, eram abundantes no local. O que se esperar? Histeria, muita menininha chorando, galera pulando e cantando? Ah, se fosse só isso! Ledos erros de pré julgamentos que cometemos…

Bring Me The Horizon

As 19h10 tem início a apresentação da banda Carahter. Não conhecia a banda, sequer havia ouvido falar, mas gostei do que vi. A mesma, que é formada por Renato – Vocals, Debarry – Guitars, Digo – Guitars, Grilo – Bass, Pudi – Drums, mostrou um som vigoroso, pesado, rápido, mas acima de tudo honesto. Com muita disposição de Renato, que não parou quieto um minuto durante todo o set, a banda conseguiu aquecer perfeitamente a casa que a essa altura já tinha mais gente do que no momento em que cheguei. Num set curto, de pouco mais de 20 minutos, contribuíram para a festa de forma positiva.

Ao final do show da Carahter, nos momentos em que antecederam a entrada do BMTH, posicionado no camarote, tinha uma visão privilegiada da casa, e o que eu via era uma porta de entrada que não cessava seu abrir e fechar; uma pista que parecia não comportar mais ninguém; e uma tenção positiva no ar, porém forte, a espera dos cinco rapazes. Um calor muito forte podia ser sentido dentro da casa. E aquilo era apenas o começo…

Bring Me The Horizon

21h15 a música mecânica cessa, as luzes se apagam, e finalmente o show iria começar. Poucos fotógrafos dentro do pit, tudo indicava um trabalho sossegado. Mais um ledo engano. Pois bastou a banda se fazer ser vista, antes mesmo de iniciar a 1ª música, para que aquela pequena massa que se concentrava atrás de nós explodisse enlouquecida. E o que viria depois não sairia dessa ótica. Diamonds Aren`t Forever foi a escolhida para abrir, e cantada em uníssono. Alligator Blood na sequência e, aqui, na segunda música do set, já haviam caído uns cinco espectadores nas nossas cabeças! Aquilo tudo que havia acontecido no show do Destruction no mesmo Carioca Club, e que foi tão criticado pela postura dos seguranças, voltava a acontecer, mas dessa vez de uma forma mais “civilizada”, se é que adjetivo cabe! A 3ª música da noite foi Fuck, e aqui um momento inusitado: os seguranças foram em cada um de nós, fotógrafos, e disseram “Pessoal, vamos sair um pouco antes, temos que tirar vocês daqui pois a coisa pode ficar perigosa para vocês com essa molecada voando para cima de vocês!”. E sim, tivemos nosso tempo de trabalho encurtado devido a insanidade que havia tomado conta da pista! E acredito que não tenha muito a dizer sobre o show em si. Pois a banda, que é formada por Oliver Sykes – vocals, Matthew Nicholls – drums, Matt Kean – bass, Lee Malia – guitars e Jona Weinhofen – guitars faz aquilo que se espera: vocais agressivamente gritados, acordes bem colocados, e uma bateria rápida nos momentos certos e pesada na medida. Porém, o que Oliver causa no público é algo digno de estudo! Aquilo não é ter o público nas mãos, é praticamente uma seção de hipnose! Qualquer gesto, qualquer movimento, é completamente aceito e respondido por todo o público! E, o que aquela molecada fez naquela pista, que naquele momento não cabia mais uma alma viva, foi no mínimo insano! Rodas tomavam o centro da pista durante todo o set. E rodas brutais! Não tinha ninguém brincando ali dentro, não! Inclusive as menininhas citadas! Sem exageros, me fez lembrar o Slayer no Monsters of Rock de 1998. Uma brutalidade, uma energia, uma troca entre banda e público que não presenciava desde então. Algo louvável! E incrível. O set seguiu-se com Sleep With one eye Open, Football Season is Over, The Sadness Will Never End, Suicide Season, Bless With a Curse, Anthem, It Never Ends. E no meio disso, além das infindáveis rodas e do coro que as vezes cobria o próprio vocalista, ainda tivemos a grata sensação de presenciar um Wall of Death. Confesso nunca ter visto aquilo em casa fechada. Foi incrível, mesmo! Mas o momento mais incrível dessa surpreendente noite foi em Chelsea Smile. No início da música, Oliver chamou todos para “cumprimenta-lo” e, de mãos levantadas, chamou a massa que se espremeu a frente do palco. E, no meio da música, após mais um comando de Oliver, toda a casa se abaixou quase de joelhos, permanecendo assim até que viesse o comando para que todos, em um só movimento, levantassem e pulassem. E obvio, a pista explodiu definitivamente após isso. Jamais havia presenciado algo assim. Pray for Plagues encerrou a noite, após uma breve pausa, e uma hora e meia de palco.

Bring Me The Horizon

Onde eu estava era praticamente um camarote de imprensa. Apenas pessoas com uma certa estrada nas costas dentro do Metal. Muitos shows assistidos, festivais e mega bandas. E, ao final do show, a impressão era a mesma: “Nunca vi isso antes!” Todos que ali estavam e não conheciam a fundo a banda (meu caso), estavam boquiabertos com que haviam presenciado. Os fãs, esses merecem um capítulo a parte dentro da história dos shows de 2011. E, para todo o resto, acredito que exista um recado muito claro e explícito nessa apresentação: livre-se dos preconceitos, não subestime nenhum tipo de público, e esteja preparado para encontrar verdadeiros monstros por baixo daquelas franjas!

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